Rica coloca funcionários em aviso prévio e anuncia paralisação de unidades no Sul Fluminense

Aproximadamente 800 empregos diretos devem ser impactados, sendo 550 em Rio Claro, 200 em Barra do Piraí e 50 em Engenheiro Paulo de Frontin

Por Léo Rocha
a 36 economia rica coloca funcionários em aviso prévio e anuncia paralisação de unidades no sul fluminense divulgação

SUL FLUMINENSE

A Rica Alimentos, considerada a maior empresa de avicultura do Estado do Rio de Janeiro, iniciou nesta quinta-feira, 26, o processo de desligamento de seus funcionários. Segundo fontes do A VOZ DA CIDADE ligadas à empresa, trabalhadores das unidades de Rio Claro, Barra do Piraí e Engenheiro Paulo de Frontin entraram em aviso prévio.

O impacto é significativo. Ao todo, cerca de 800 empregos diretos devem ser afetados, sendo aproximadamente 550 em Rio Claro (incluindo a fábrica de ração em Pouso Seco e granjas), 200 em Barra do Piraí e 50 em Engenheiro Paulo de Frontin. Além das demissões, a empresa também oferece moradia a parte dos funcionários, o que amplia o impacto social: cerca de 75 famílias em Rio Claro, 40 em Barra do Piraí e 14 em Paulo de Frontin devem ser diretamente atingidas. A Rica também mantém projetos sociais nas áreas ambiental, educacional e esportiva nos municípios.

Há ainda a possibilidade de impacto em outras operações, como o abatedouro em Jacarepaguá, que reúne cerca de 1,8 mil empregos diretos.

Com décadas de atuação na região — cerca de 44 anos em Rio Claro, 25 anos em Barra do Piraí e 46 anos em Engenheiro Paulo de Frontin — a empresa enfrenta uma crise que se agravou nos últimos meses. Em abril de 2025, a Rica arrendou suas unidades produtivas ao grupo Fictor, responsável pela operação desde junho daquele ano.

Segundo a empresa, o arrendamento foi posteriormente encerrado após problemas na gestão de envolvimento da empresa arrendatária com o Banco Master. Diante do cenário, a Rica com a antiga direção reassumiu judicialmente o controle da companhia em fevereiro deste ano.

Em carta enviada aos funcionários, a empresa afirma que a gestão da Fictor teria provocado deterioração das condições operacionais das granjas, incluindo problemas sanitários, como infestação de moscas e odores, o que gerou reclamações e levou à interdição de unidades por órgãos ambientais e estaduais. Também foi apontada a interrupção no alojamento de pintinhos, o que agravou a situação produtiva.

Desde então, a Rica relata dificuldades para retomar as atividades. Em dezembro de 2025, uma unidade em Rio Claro foi interditada, comprometendo a produção, e nesta semana houve nova interdição em Barra do Piraí. Segundo a empresa, a impossibilidade de manter o faturamento, somada à falta de prazo para adequações exigidas pelos órgãos responsáveis, inviabilizou a continuidade das operações.

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