Quando o comportamento infantil pede mais do que paciência: sinais do transtorno de conduta

Por Carol Macedo
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É natural que as crianças testem limites, façam birras ou desafiem regras de vez em quando. Esses episódios fazem parte do crescimento. Mas, quando atitudes desafiadoras se tornam frequentes, intensas e começam a prejudicar a vida escolar, familiar e social, é hora de ligar o sinal de alerta. Em alguns casos, pode ser um indício do transtorno de conduta.

Muito além da “falta de limites”

Do ponto de vista da neuropsicologia, esse quadro não se resume a desobediência ou má vontade. Crianças com transtorno de conduta apresentam dificuldades em áreas cerebrais ligadas ao autocontrole, planejamento, tomada de decisões e regulação emocional.

Ou seja, não é apenas “se comportar mal”, é um padrão persistente de funcionamento que precisa de avaliação e acompanhamento adequados.

De acordo com o DSM 5 TR – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, os comportamentos mais comuns são:

– Agressividade contra pessoas ou animais: ameaças, brigas frequentes, agressões físicas ou crueldade com animais.

– Destruição de propriedade: quebrar objetos, incendiar ou danificar pertences alheios intencionalmente.

– Engano ou furto: mentir repetidamente para obter vantagens ou roubar sem demonstrar culpa.

– Violações graves de regras: faltar às aulas com frequência, fugir de casa ou desobedecer normas sociais e familiares de forma recorrente.

Importante: esses sinais não aparecem em um único episódio isolado, mas se repetem e persistem, causando prejuízos significativos.

O papel essencial da família

Ao notar esses comportamentos, os pais podem agir de forma preventiva e cuidadosa:

– Observar sem minimizar, reconhecendo que pode não ser apenas “uma fase”.

– Estabelecer rotina e regras claras, trazendo previsibilidade e segurança.

– Reforçar comportamentos positivos, valorizando atitudes adequadas.

– Evitar apenas punições, que não ensinam novas formas de agir e tendem a ampliar conflitos.

– Buscar apoio profissional especializado, como psicólogos, psiquiatras infantis e neuropsicólogos, para avaliação e intervenção precoce.

O futuro depende do cuidado no presente

Quando os sinais não são reconhecidos, as consequências podem acompanhar a criança na adolescência e vida adulta: maior risco de evasão escolar, isolamento social, envolvimento em comportamentos de risco, uso de substâncias, problemas com a lei e dificuldades em manter vínculos saudáveis.

Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.

Por outro lado, quando há acolhimento e tratamento desde cedo, a criança pode desenvolver estratégias de autocontrole, aprender a lidar com emoções, fortalecer relações e construir uma trajetória mais equilibrada e promissora.

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