Produção industrial registra alta de 8,9% em junho

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SUL FLUMINENSE

A Pesquisa Industrial Mensal elaborada com base nos dados da produtividade da indústria nacional no mês de junho indicou uma elevação de 8,9% de forma generalizada em todas as grandes categorias econômicas analisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado representa a segunda alta seguida na produção industrial, porém, aquém da perda de 26,6% no acumulado pelo setor nos meses de março e abril, auge da pandemia do novo coronavírus. Nestes meses as empresas adotaram isolamento social de seus funcionários no controle contra a Covid-19. A produção está abaixo do que operava em 2019. Na comparação com junho do ano passado, o setor recuou 9%.

Em junho, o avanço foi generalizado, em todas as grandes categorias econômicas e em 24 dos 26 ramos pesquisados. A alta de 8,9% foi a maior desde junho de 2018 (12,9%), quando o setor retomou a produção logo após a greve dos caminhoneiros. A influência positiva teve a contribuição das atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias, com avanço de 70%. “Esse setor acumulou expansão de 495,2% em dois meses consecutivos de crescimento na produção, mas ainda assim esta 53,7% abaixo do patamar de fevereiro”, observa o gerente da pesquisa do IBGE, Andre Macedo.

Além do setor de veículos a pesquisa analisou outros equipamentos de transporte, as indústrias de alimentos e de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis. Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (82,2%) e bens de capital (13,1%) registraram taxas positivas mais acentuadas em junho do que em maio. Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (6,4%) e de bens intermediários (4,9%) também tiveram taxas positivas em junho.

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS

O Sul Fluminense é um dos principais polos do setor automotivo e com a retomada das atividades nas unidades de veículos, caminhões e ônibus, a economia e produção industrial apresentou elevação. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no balanço realizado em julho, analisando a indústria automobilística nos seis primeiros meses do ano ficou evidente o impacto da pandemia de Covid-19. A produção acumulada foi de 729,5 mil veículos, com queda de 50,5% na comparação com o primeiro semestre de 2019.

Em junho, a produção de 98,7 mil unidades foi 129,1% superior à de maio, mas 57,7% inferior à de junho do ano passado. Com esses dados e com base nas expectativas econômicas do país para o segundo semestre, a associação projeta produção de 1.630 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2020, volume 45% inferior ao de 2019. “Trata-se de uma estimativa dramática, mas muito realista com base no prolongamento da pandemia no Brasil e na deterioração da atividade econômica e da renda dos consumidores”, afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

A perspectiva de produção é lastreada num mercado interno projetado de 1.675 milhão de unidades vendidas no ano (queda de 40%) e uma exportação de 200 mil unidades (queda de 53%), além de levar em conta a variação de estoques e as importações de veículos. Com o licenciamento de 132,8 mil unidades em junho, o acumulado do semestre foi de 808,8 mil autoveículos, recuo de 38,2% sobre o mesmo período de 2019. As exportações em junho fecharam em 19,4 mil unidades, totalizando 119,5 mil no semestre, uma queda de 46,2%.

O setor de caminhões também foi fortemente afetado pela pandemia, embora as quedas não tenham sido tão drásticas quanto às dos veículos leves. A produção no semestre (34,8 mil) foi 37,2% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Os licenciamentos (37,9 mil) recuaram 19,1%, enquanto as exportações (4,8 mil) encolheram 19,2%. Parte do alívio nas vendas de caminhões deve ser creditada aos bons resultados da safra agrícola, que também ajudou o setor de máquinas a não sofrer tanto com os efeitos da pandemia. A produção acumulada no semestre (19,1 mil) foi 22,6% inferior à dos seis primeiros meses de 2019.

Já as vendas de 19,6 mil máquinas caíram apenas 1,3% no primeiro semestre, enquanto as exportações (4,2 mil) tiveram retração de 31%. “A situação geral da indústria automotiva nacional é de uma crise maior que as enfrentadas nos anos 80, 90 e essa mais recente de 2015/16. Ela veio num momento em que as empresas projetavam um crescimento anual de quase 10%. Um recuo dessa magnitude no ano terá impactos duradouros, infelizmente. Nossa expectativa é que apenas em 2025 o setor retorne aos níveis de 2019, ou seja, com atraso de seis anos”, avaliou Luiz Carlos Moraes.

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