Presidente do Voltaço será investigado por suposta falsidade ideológica

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VOLTA REDONDA
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Em reunião realizada na noite de quarta-feira, dia 28, na Associação Comercial Industrial e Agropastoril (Aciap), o Conselho Deliberativo do Volta Redonda Futebol Clube aprovou, por unanimidade, o afastamento, pelo período de 30 dias, do atual presidente do clube, Flávio Horta, que é candidato à reeleição no pleito que acontece no dia 8 de dezembro. Porém, no final da tarde desta quinta-feira, dia 29, a Justiça concedeu o direito da retomada do cargo. Esse não será o único problema que Horta enfrentará. A polícia investigará uma denúncia de falsidade ideológica.
Segundo informações, o afastamento seria para que o Conselho Deliberativo do clube da Cidade do Aço possa investigar possíveis irregularidades na administração, entre elas transações financeiras suspeitas e fortes indícios de fraude no processo eleitoral deste ano.
A decisão tomada pelo Conselho Deliberativo teve como base o Registro de Ocorrência (RO), feito por Gabriel Torturella, vice-presidente do Voltaço, Valter Cesar Gomes e Ildeu Luiz Coelho Alves na Delegacia de Defraudações (DDEF), do qual o A VOZ DA CIDADE teve acesso. Após o afastamento de Flávio Horta, seu vice, Gabriel Torturella assumiu a presidência do clube, no entanto, na manhã desta quinta-feira, Gabriel Torturella tentou, sem sucesso, ter acesso a sede administrativa do clube. Ele contou ao jornal que mesmo após decisão do Conselho Deliberativo que afastou Flávio Horta da presidência, um funcionário do clube, acompanhado de cinco seguranças o impediu de entrar. “Fui até a sede do clube na manhã de hoje, um funcionário que estava acompanhado de cinco seguranças disse que por ordem do Dr. Flávio Horta, ninguém poderia entrar no clube”, comentou Gabriel.
No RO que o jornal teve acesso, os denunciantes apontam que há indícios de que ao longo da gestão de Flávio Horta, no período de 2015 a 2018, mais especificamente, no ano de 2017, teria ocorrido um esquema de inclusão, com datas retroativas, de sócios, com o objetivo de manipular o coeficiente de eleitores do clube e o próprio processo eleitoral para os cargos de presidente e vice-presidente.
Ainda, de acordo com a denúncia, apresentada por Torturella, o esquema teria causado diversos prejuízos ao clube, inclusive com operações financeiras escusas. Gabriel Torturella cita ainda na denúncia que o balanço financeiro da atual gestão teria sido reprovado pelo conselho.
INDÍCIOS DE FRAUDE
Uma ex-funcionária do clube prestou depoimento na Delegacia de Defraudações. Ela contou que foi contratada para trabalhar no Voltaço em 2015 e que, no entanto, somente em setembro do mesmo ano teria sido registrada e que neste mesmo mês teria sido comunicada por um funcionário da secretaria do clube que passaria de forma compulsória a ser sócia contribuinte e que os valores referentes a ‘joia’ – uma taxa de adesão – e as mensalidades seriam descontados em seu pagamento, no entanto, a testemunha afirmou que até sua saída do clube, nenhum valor foi descontado de seus vencimentos. Ainda em depoimento, ela disse que somente no início deste ano, quando foi demitida, é que após seu interesse em continuar como sócia do clube, foi que ocorreu o desconto de R$ 200 de suas verbas rescisórias para pagamento da ‘joia’ e de algumas mensalidades de 2017. Ela disse ainda, que após isso ficou com algumas mensalidades em aberta, e que, mesmo após ter adquirido a ‘joia’, somente em fevereiro deste ano, seu nome já consta na listagem dos sócios aptos a participar da eleição da eleição que ocorrerá na Assembleia Geral Ordinária que será realizada no dia 8 de dezembro, sendo que, segunda a testemunha, consta no estatuto social do clube determina que, para estar apto ao voto, esteja associado há pelo menos um ano, e desde que esteja em dia com as mensalidades, o que ela disse não ser o seu caso. Ainda em depoimento, ela disse que tem conhecimento de que outros associados funcionários ou não do clube estão na mesma situação.
DECISÃO LIMINAR
O juiz André Aiex Baptista Martins, da 6ª Vara Cível concedeu, na tarde desta quinta-feira, uma liminar anulando a decisão do Conselho Deliberativo do clube que o afastou Flávio Horta da presidência do clube. Na decisão, o magistrado afirma que nunca havia visto uma atitude tão obtusa de um grupo em toda sua carreira e classificou a reunião do Conselho realizada na noite de quarta-feira, dia 28, na Aciap, como “bisonha”.
Ainda na decisão liminar, Aiex Baptista determinou que o dirigente permaneça no cargo até a Assembleia Geral marcada para o dia 8 de dezembro, quando os sócios irão eleger o presidente e o vice-presidente administrativo e os membros dos Conselhos Deliberativo e Fiscal.
“Intimem-se o réu e o peticionário em regime de plantão, para cumprimento imediato, sob pena de aplicação da multa cominatória de R$ 100 mil, a qual será aplicada sem prejuízo de eventual incidência daquela cominada na decisão de fls. 84/85”, determinou o magistrado.
DEFESA DE HORTA
Durante esta quinta-feira, e até o fechamento desta matéria, nossa equipe tentou, sem sucesso, contato com Flávio Horta.

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