Polícia Civil deflagra Operação para prender suspeitos de denúncias falsas nas redes sociais contra policiais em Resende

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RESENDE

A Polícia Civil deflagrou na quinta-feira, dia 18, a Operação “Profile” para prender suspeitos de publicar denúncias falsas nas redes sociais contra policiais civis e militares de Resende. Desde a madrugada, agentes da 89ª Delegacia de Polícia (DP) e do 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM), coordenados pelo delegado titular, Ronaldo Aparecido de Brito, realizaram diligências na cidade, para cumprimento 14 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Até o fechamento desta edição, três pessoas foram presas, sendo duas mulheres e um homem. Também foram apreendidos oito aparelhos de celular.

De acordo com o delegado Ronaldo Aparecido de Brito, a Operação “Profile”, foi desencadeada no ano passado. “Durante as investigações foi apurado que o grupo criminoso, representante de uma facção criminosa da região Sul Fluminense, criou uma rede de perfis na internet e grupos jornalísticos falsos, que tinham como objetivo publicar supostas matérias e publicações em redes sociais com falsas acusações contra policiais civis e militares. Identificamos três perfis falsos de nomes de mulheres que criaram um falso grupo jornalístico no Facebook de nome Voz Secreta para supostamente realizar denúncias contra policiais e políticos da região. No perfil, as publicações diziam que os agentes faziam parte de uma suposta milícia e que estariam cobrando taxas de comerciante e monopolizando o comércio de gás e a prestação de serviços de internet no município”, explicou Brito, acrescentando que utilizando de vários perfis falsos, o grupo criminoso passou a difundir desinformações que eram compartilhadas em grupo por outros perfis falsos e demais integrantes da facção criminosa. “O grupo criminoso, por meio de um falso grupo jornalístico, divulgava números de telefones e de WhatsApp para supostamente receberem da população denúncias contra policiais e políticos da região. A população acreditando estar interagindo com órgãos de imprensa, na verdade, repassava informações sensíveis a traficantes e acabavam se expondo a graves riscos de vida com a exposição de sua identificação”, informou.

“O principal objetivo do grupo era de criar condições políticas para que o novo delegado de polícia, recentemente empossado em Resende, fosse transferido para outra unidade policial. A facção criminosa estava empenhada em impedir que o novo delegado e sua equipe de policiais conduzissem investigações em Resende. Nesse sentido, a facção criminosa, por meio dos perfis falsos, passou a pedir explicitamente a saída do novo delegado”, contou o delegado.

Ronaldo Aparecido destacou que os suspeitos vão responder por diversos crimes, entre eles, falsidade ideológica, calúnia, ameaça, stalking (ato de perseguir alguém na internet por meio de invasão de contas nas redes sociais, de ligações e envio de SMS), corrupção ativa, ameaça e associação para o tráfico de drogas. Até o fechamento desta edição, três pessoas foram presas, duas mulheres detidas na Cidade Alegria e um homem, que já estava preso. Um quarto suspeito de integrar o grupo foi encontrado morto na semana passada, na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.

O delegado pede que a população faça denúncia para os canais oficiais formais das Polícias Civil e Militar. “É importante alertar a população para que utilize os canais oficiais do Disque Denúncia das Polícias Civil e Militar para qualquer tipo de denúncias. Todo o sigilo é garantido”, alertou Brito. O número do Disque Denúncia da Polícia Civil é (21) 2253-1177 e o da Polícia Militar 190.

Duas mulheres e um homem foram presos-Divulgação Polícia Civil

AMEAÇAS AOS AGENTES PÚBLICOS

Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou que o grupo criminoso ameaçava os agentes públicos e suas famílias. “Os criminosos passaram a contatar policiais militares por meio de aplicativo de WhatsApp para ameaçá-los a fim de intimidá-los a deixarem de combater o tráfico de drogas no bairro Cidade da Alegria, principal reduto do líder do tráfico que está preso. Vale destacar que os policiais militares, alvos dos sucessivos ataques em redes sociais e de ameaças de mortes, pertenciam a duas equipes que mais realizavam prisões e apreensões da facção criminosa”, contou o delegado Ronaldo Aparecido de Brito, salientando que “o método de desinformação, imputando criminosamente agente públicos, sobretudo policiais militares, com a criação de falsos diálogos de aplicativos de redes sociais, já é uma prática vista e adotada na região desde o ano de 2019, onde os criminosos se utilizaram da mesma tática para conseguirem afastar uma oficial lotada no 28º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Volta Redonda.

Segundo Ronaldo Aparecido, a facção criminosa planejava assassinar uma guarnição inteira da Polícia Militar, composta por quatro agentes. “Para tal feito, a o grupo visando ludibriar as investigações desses potenciais assassinatos, passaram a difundir em redes sociais, mensagens e falsas conversas atribuídas à facção criminosa rival, como uma suposta recompensa de R$ 3 mil pela morte dos agentes. Uma vez criada à desinformação, o grupo poderia executar o plano de assassinar os agentes públicos e ao mesmo tempo, imputaria a suposta autoria a facção rival”, explicou o delegado.