PNAD Covid19: a taxa de desocupação foi de 14,3% em agosto

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SUL FLUMINENSE

A pandemia do coronavírus (Covid-19) provocou o desemprego de 13,7 milhões de brasileiro na última semana de agosto, registrando 14,3% na taxa de desocupação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (PNAD Covid19), o maior da série iniciada desde maio e que foi divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por outro lado, o número de pessoas ocupadas que estavam afastadas do trabalho por causa do isolamento social foi reduzido em 363 mil e esse contingente passou a 3,6 milhões, o que representa 4,4% de toda população ocupada (82,2 milhões).

Segundo dados da PNAD Covid19, a taxa de desocupação era de 10,5% em maio, tendo registrado a alta de 14,3% provocada por variações negativas da população ocupada e pelo aumento de pessoas que passaram a buscar trabalho. “No início de maio o mercado de trabalho estava em ritmo de espera para ver como as coisas iam se desenrolar. As empresas estavam fechadas e não tinha local onde essas pessoas pudessem trabalhar. Então, à medida que o distanciamento social vai sendo afrouxado, elas vão retornando ao mercado de trabalho em busca de atividades”, afirma Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa.

REFLEXOS DA CRISE NOS TRABALHADORES

A pandemia tirou o emprego da comerciária Patrícia Seixas, 32, dispensada em agosto pelas regras de redução de custos de sua antiga empresa. Com a retomada gradativa do setor e a perspectiva de vendas de fim de ano, a vendedora espera dias melhores. “A pandemia destruiu a vida financeira de muita gente. Meus antigos patrões dispensaram cinco funcionários desde abril, sendo eu a mais recente. Parada e sem poder recorrer a auxilio emergencial, contarei com o seguro-desemprego. Preciso voltar ao mercado e acredito nas contratações de fim de ano”, comenta.

E devido à necessidade de buscar o emprego, muita gente está afrouxando as medidas de isolamento. Segundo a PNAD Covid19, o número de pessoas que ficaram rigorosamente isoladas diminuiu pela segunda semana seguida no fim de agosto. Entre 23 e 29 de agosto, 38,9 milhões de pessoas seguiram essa medida de isolamento, uma queda de 6,5% em relação aos 41,6 milhões que estavam nessa situação na semana anterior. “A crise me faz ir à busca de melhorias, de salário fixo, de renda. Trabalho como operador de empilhadeira e como torneiro mecânico. Mas, se aparecer até vaga de vendedor em loja eu aceito. São cinco meses parado já e quero fazer dinheiro para quitar dívidas, ter um fim de ano mais folgado”, conta Reinaldo dos Reis, 53.

Segundo o IBGE, o número de pessoas ocupadas que estavam afastadas do trabalho por causa das medidas de isolamento social foi reduzido em 363 mil e esse contingente passou a 3,6 milhões. As pessoas que estão nessa situação agora representam 4,4% de toda a população ocupada, estimada em 82,2 milhões. Dos 76,1 milhões de pessoas que estavam ocupadas no país e não foram afastadas do trabalho, 8,3 milhões trabalhavam remotamente.

SEGURO-DESEMPREGO SOFRE REDUÇÃO DE PEDIDOS

Alternativa para quem perdeu o emprego e não tem como recorrer ao auxílio emergencial, o seguro-desemprego teve queda de 18,2% no total de pedidos registrados em agosto, no comparativo com o mesmo período de 2019.

Segundo o Ministério da Economia, foram registrados 463.835 requerimentos ao seguro-desemprego, na modalidade trabalhador formal em agosto de 2020 contra 567.069 em agosto de 2019. Na análise entre julho e agosto deste ano, houve redução de 18,7%. Em agosto, o Rio de Janeiro foi o terceiro estado entre o total de solicitantes, com 37.348 requerimentos.

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