Pela 1ª vez, OMS vê queda no consumo de tabaco entre homens no mundo

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GENEBRA

Pela primeira vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) observa que o número de homens que consomem tabaco está em declínio, indicando uma poderosa mudança na epidemia global do tabaco. As descobertas, publicadas na quinta-feira, dia 19, em um novo relatório da OMS, revelam como as ações lideradas pelos governos podem proteger as comunidades do tabaco, salvar vidas e impedir que as pessoas sofram danos relacionados ao tabaco.

“O declínio no consumo entre os homens marca um ponto de virada na luta contra o tabaco”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Por muitos anos, testemunhamos um aumento constante no número de homens que usam produtos de tabaco que são mortais. Mas agora, pela primeira vez, enxergamos um declínio, impulsionado pelos governos que são mais rigorosos com a indústria do tabaco. A OMS continuará trabalhando em estreita colaboração com os países para manter essa tendência de queda”.

Durante as duas últimas décadas, o consumo global do tabaco caiu de 1,397 bilhão em 2000 para 1,337 bilhão em 2018, ou em aproximadamente 60 milhões de pessoas. Isso foi em grande parte impulsionado por reduções no número de mulheres que consomem esses produtos (346 milhões em 2000 para 244 milhões em 2018 – uma queda acima de 100 milhões).

No mesmo período, o consumo de tabaco entre o público masculino aumentou cerca de 40 milhões – de 1,050 bilhão em 2000 para 1,093 bilhão em 2018 (ou 82% dos atuais 1,333 bilhão de usuários de tabaco do mundo).

O novo relatório mostra que, além de parar de crescer, o número de homens que consomem tabaco deve diminuir em mais de 1 milhão em 2020 (chegando a 1,091 bilhão de usuários) em comparação com os níveis de 2018; e, até 2025, menos 5 milhões (1,087 bilhão).

Até 2020, a OMS projeta que haverá 10 milhões a menos de usuários de tabaco, homens e mulheres, em comparação com 2018, e outros 27 milhões a menos até 2025, totalizando 1,299 bilhões. Cerca de 60% dos países observam desde 2010 o declínio no número de usuários de tabaco.

“As reduções no uso global de tabaco demonstram que, quando os governos introduzem e reforçam suas ações integrais baseadas em evidências, podem proteger o bem-estar de seus cidadãos e comunidades”, disse Ruediger Krech, diretor de promoção da saúde na OMS.

Apesar de tais ganhos, o progresso no cumprimento da meta global estabelecida pelos governos de reduzir o consumo de tabaco em 30% até 2025 permanece fora de alcance. Com base nos avanços atuais, uma redução de 23% será alcançada até 2025. Atualmente, apenas 32 países estão no caminho de atingir a meta de redução de 30%.

No entanto, a diminuição prevista de consumo de tabaco entre os homens, que representam a maioria dos usuários de tabaco, pode ser usada para acelerar os esforços e alcançar a meta global, pontuou Vinayak Prasad, chefe da unidade de controle de tabaco da OMS.

“Menos pessoas estão usando tabaco, o que é um passo importante para a saúde pública global. Mas o trabalho ainda não está concluído. Sem intensificar a ação nacional, a queda projetada no uso do tabaco ainda não alcançará as metas de redução global. Nunca devemos desistir da luta contra a indústria de tabaco”, finalizou.

O relatório mostrou que aproximadamente 43 milhões de crianças (de 13 a 15 anos) consumiram tabaco em 2018 (14 milhões de meninas e 29 milhões de meninos). Além disso, o número de mulheres que consumiram tabaco em 2018 foi de 244 milhões. Até 2025, deve haver 32 milhões mulheres fumantes a menos.

A maioria dos avanços está acontecendo em países de baixa e média renda. A Europa é a região que registra o menor progresso na redução do consumo de tabaco entre mulheres. A região do Sudeste Asiático da OMS tem as maiores taxas de consumo de tabaco, de mais de 45% dos homens e mulheres com 15 anos ou mais de idade, mas se projeta que a tendência diminua rapidamente para níveis similares aos observados nas regiões da Europa e do Pacífico Ocidental – em torno de 25% até 2025.

Prevê-se que a região do Pacífico Ocidental, incluindo a China, ultrapasse o sudeste da Ásia como a região com a maior média entre homens. Quinze países das Américas estão a caminho de atingir a meta de redução de 30% do consumo de tabaco até 2030, apresentando o melhor desempenho das seis regiões da OMS.

Cada vez mais países estão implementando medidas eficazes de controle do tabaco, que estão tendo o efeito desejado de reduzir seu consumo. Os impostos sobre o tabaco não apenas ajudam a reduzir o uso e os custos com saúde, mas também representam um fluxo de receita para o financiamento do desenvolvimento em muitos países.

Todos os anos, mais de 8 milhões de pessoas morrem por consumo de tabaco, ou seja, aproximadamente metade de seus usuários. Mais de 7 milhões dessas mortes são decorrentes do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão se deve à exposição ao fumo passivo. A maioria das mortes relacionadas ao tabaco ocorre em países de baixa e média renda, áreas que são alvo de intensa interferência e marketing da indústria do tabaco.

Nota aos editores

O relatório da OMS considera o uso de cigarros, cachimbos, charutos, narguilés, produtos de tabaco sem fumaça (como bidis, charutos e cigarros aromatizados) e produtos de tabaco aquecido. Cigarros eletrônicos não são abordados no relatório.

O relatório apoia o monitoramento da meta 3.a dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que apela ao fortalecimento da implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (FCTC). As medidas ‘MPOWER’ da OMS estão alinhadas ao FCTC e demonstraram salvar vidas e reduzir custos de despesas médicas evitáveis.

As medidas incluem monitorar políticas de uso e de prevenção do tabaco; proteger as pessoas contra a fumaça do tabaco; oferecer ajuda para a cessação do tabagismo; avisar a população sobre os perigos do tabaco; reforçar as proibições de publicidade, promoção e patrocínio do tabaco; e aumentar os impostos sobre o tabaco. (*Com informações da Agência ONU News).

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