Paulinho do Raio-X é cassado pela Câmara de Volta Redonda

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VOLTA REDONDA

Dezenove dos vereadores presentes na sessão da câmara desta sexta-feira votaram pela cassação do vereador afastado Paulo César Lima da Silva, o Paulinho do Raio-X. A sessão não contou com a presença do parlamentar citado e nem de sua defesa. A previsão era de uma extensa reunião, mas pela falta da defesa os trabalhos transcorreram em 1h30min. Apenas o vereador Tigrão não esteve presente. A votação pelo impeachment de Paulinho denunciado por quebra de decoro parlamentar e infração político-administrativa, foi unânime. É a primeira vez que um parlamentar de Volta Redonda é cassado por suspeita de corrupção.

Será convocado o suplente para assumir a vaga do vereador cassado. Segundo informações, seria Marcelo Moreira, do MDB. A presidência da Casa informou que foram feitas tentativas para comunicar Paulinho do Raio-X e sua defesa para participarem da sessão, mas não conseguiram. Deixaram registro por WhatsApp e email.

A sessão foi iniciada com a leitura do parecer da comissão processante que apontou irregularidades no mandato do vereador, orientando por sua cassação. O presidente da comissão, Sidney Dinho, fez a leitura de nove páginas do relatório. A denúncia para abertura da investigação partiu do vereador Rodrigo Furtado que era presidente da CPI criada para analisar indícios de irregularidades do vereador, suspeito de tentar extorquir dinheiro do prefeito Samuca Silva.

Paulinho chegou a ser preso em flagrante no dia 7 de março, solto dois dias depois. Ele foi acusado de corrupção passiva, resistência, ameaça e adulteração de sinal identificador de veículo. Foram várias conversas com o prefeito e o processo tramita sob segredo de Justiça.

Durante esse período, Paulinho ficou afastado dos trabalhos Legislativos, sem perda de salário. Segundo denúncia, ele teria solicitado dinheiro do prefeito para que não fizesse algumas ações contra o mesmo, incluindo novos pedidos de impeachment. Seriam R$ 40 mil na mão e mais R$ 25 mil até o mês de dezembro deste ano.

Na leitura do relatório da comissão processante, Dinho ressaltou que a denúncia veio acompanhada de documentos, áudios e vídeos. Que no decorrer dos trabalhos, foram ouvidas testemunhas e que Paulinho teria se mantido em silêncio durante seu depoimento. A defesa do vereador cassado tentou barrar a sessão na Justiça, até foi emitido um mandato de segurança, mas cancelado no dia seguinte, por alegar que houve falta de cumprimento de diligências. “Em sua defesa, fora do prazo correto, Paulinho teria dito que a denúncia do vereador Furtado foi encomendada pelo prefeito com o intuito de prejudicá-lo para se livrar daqueles se encorajam em combater seus desmandos e ilegalidades. Queriam destruí-lo politicamente por ele ter forte articulação no campo de oposição”, leu o presidente da comissão, completando que Paulinho teria dito que Samuca teria passado a assediá-lo para encontros e, após relutar, aceitou e caminhou para armadilha. Apesar de ter tido oportunidade de contrapor as provas de vídeos e áudios, isso não foi feito pela defesa do parlamentar no decorrer dos trabalhos.

Ao usar a palavra, o vereador autor da denúncia do pedido de impeachment, Rodrigo Furtado, disse que apresentou os fatos para que a verdade fosse trazida à tona. “Isso não foi casas as bruxas, mas sim a apuração de um fato que precisávamos nos posicionar. É a primeira vez na história da Casa que vamos votar pedido de cassação por suspeita de corrupção”, disse Furtado que, por ser autor do pedido, deixou sua cadeira para o suplente Francisco Chaves votar em seu lugar.

“A sessão de quinta-feira foi suspensa e transferida para hoje (ontem) para dar ampla defesa a Paulinho, para que a nossa Casa não ficasse com erro e a sessão ser cancelada. A conduta da comissão processante foi baseada em alegações e provas. E como bem falou a defesa (de Paulinho) foi um erro fatal que ele cometeu ao falar com o prefeito. A comissão foi imparcial”, lembrou o vereador Dinho.

VEREADORES ARGUMENTAM

Alguns vereadores se posicionaram durante sessão para falar também sobre a conduta do prefeito Samuca Silva. Carlinhos Santana, que chegou a ter seu nome ventilado como um de outros dois vereadores que estavam tentando extorquir o prefeito, reafirmou mais uma vez que não esteve envolvido. “A ideia desse prefeito era arrebentar minha vida, só que ele esqueceu que estava mexendo com um homem de bem. Tenho fé que a justiça criminal dará o troco porque se teve uma corrupção passiva, teve também a corrupção ativa”, afirmou.

O mesmo foi falado por Washington Granato. “Não existe um corrupto se não houver um corruptor”, disse. O presidente da Casa, vereador Nilton Alves de Faria, o Neném, outro citado no processo que não teve mais desdobramentos informados pela Justiça, apresentou um vídeo de uma conversa de Samuca com Paulinho, onde seu nome é mencionado pelo prefeito. Samuca diz que já estava com ‘medicamento’ para Paulinho e outros dois vereadores, mas que estava com valor alto. Para a conversa e diz que Neném estava ligando. O vereador disse que não falou com o prefeito e que seu nome foi ventilado por ele.