Partes de corpos humanos são encontradas dentro de empresa no bairro Vila Ursulino

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BARRA MANSA

Partes de corpos humanos foram achadas dentro de bombonas plásticas na noite de sexta-feira. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Secretaria de Meio Ambiente, com apoio da Polícia Civil fizeram uma operação e acharam os fragmentos humanos acondicionados em recipientes em meio a lixo hospitalar. A empresa é a OPX Ambiental, localizada no bairro Vila Ursulino. Foram encontradas partes de corpo humano, entre pés, pernas, crânios, pulmões, mãos, braços, tecidos de pele, que, supostamente, seriam utilizadas em universidades para pesquisa cientifica e estudos.

Partes de corpos estavam dentro de bombonas de plástico – Divulgação

A empresa OPX Ambiental já foi alvo de matéria do A VOZ DA CIDADE na edição do dia 23 de fevereiro deste ano. Os moradores procuraram o jornal para reclamar de irregularidades praticadas pela empresa, que iam desde sua instalação no final de 2016 em área residencial, até o manejo de resíduos hospitalares e infectantes no local. A prefeitura foi no dia 22 ao local, onde comprovou algumas irregularidades e multou a empresa.

Desta vez, a denúncia também partiu de moradores.  “Mesmo que o material arrecadado seja para fins de pesquisa e que tenha documento de alguma universidade, a empresa não tem licença para armazená-lo. Agora cabe a polícia investigar e descobrir a origem”, explicou o secretário de Meio Ambiente, Roberto Beleza.

Prefeitura pedirá encerramento das atividades da empresa – Divulgação

A empresa OPX Ambiental conseguiu a Licença de Operação em 2016, durante o governo de Jonas Marins. Desde 2017 moradores estão fazendo denúncias contra a empresa e a prefeitura informou que efetuou diligências para apurar supostas irregularidades.  A multa de fevereiro foi no valor de R$ 10 mil.

A prefeitura investiga o processo de licenciamento da empresa que revelou que a instalação da empresa no local foi irregular, pois não atende as especificações dispostas no Plano Diretor de Barra Mansa.  A Certidão de Zoneamento (datada de 2016), considerando a atividade tolerada, foi cancelada pela Secretaria de Municipal de Planejamento Urbano após solicitação do Secretário de Meio Ambiente. A empresa poderia recorrer da decisão até o dia 16 de março, data da operação que culminou na descoberta do armazenamento irregular.

Com a expiração dos prazos, sem apresentação de recursos e os novos fatos de sexta-feira, a Secretaria de Meio Ambiente de Barra Mansa determinará o encerramento das atividades na empresa.

MORADORES

Nem todos os moradores do bairro Vila Ursulino sabiam o que a empresa OPX Ambiental fazia. Um dos integrantes da associação de moradores, Lúdio Antônio de Carvalho, contou que no local não há placa de identificação, certificação do Inea, Ibama. “Moradores sentiam o cheiro do lixo queimado no bairro Santa Maria III. No Vila Ursulino não sentíamos. Eles queimavam lixo hospitalar. Os vizinhos ao redor da empresa foram muito prejudicados”, contou.

A respeito do que foi encontrado dentro da empresa, partes de corpos humanos, disse que foi uma surpresa para todos. Ele disse que quando a associação de moradores recebeu um dossiê que foi montado com tudo que acontecia dentro da empresa, logo procurou a Secretaria de Meio Ambiente para levar a denúncia. “Quero agradecer porque a secretaria, através do Beleza, logo se mobilizou para averiguar, onde em fevereiro constatou as irregularidades”, lembrou.

Outro morador, que preferiu não se identificar, ficou assustado com o que foi encontrado na sexta-feira. “Já víamos reclamando do que faziam com lixo hospitalar, mas não imaginávamos que tinha mais coisa, partes de corpos. Ficamos muito surpresos. E como agora envolveu a Polícia Civil estamos muito apreensivos. Não sabemos com quem estamos lidando”, disse.

Ele afirmou que o dossiê montado foi entregue pela Associação de Moradores a prefeitura e ao Ministério Público.  Contou que em bairro residencial, pelo mapa de zoneamento urbano, não pode ser instalada uma empresa de tratamento de lixo hospitalar. Em um desses flagrantes era possível ver um funcionário realizando a queima de lixo hospitalar com um maçarico a céu aberto, apenas acondicionado numa caçamba.

No dia 23 de fevereiro, o jornal veiculou a matéria de denúncia dos moradores. O A VOZ DA CIDADE teve, na época, acesso ao documento que contém fotos e vídeos que mostram como resíduos hospitalares, perigosos e com risco de contaminação, eram manejados de forma irregular.

O mau cheiro exalado pelas instalações da empresa também foi outro aspecto citado nas denúncias dos moradores. Segundo os moradores, esse odor seria proveniente da queima de resíduos infectantes diretamente no forno. A combustão desse material ainda geraria uma nuvem de fumaça, expelida diretamente no ambiente.

Na ocasião a empresa foi ouvida pelo jornal e alegou que é prestadora de serviços de coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos dos serviços de saúde, na qual efetua todos os trabalhos devidamente licenciado sobre a Licença de Operação, Alvará Definitivo.

A empresa esclareceu que resíduos de serviços de saúde (RSS) são os gerados em qualquer serviço prestador de assistência à saúde humana ou animal, podendo então, serem provenientes de farmácias, hospitais, unidades ambulatoriais de saúde, clínicas e consultórios médicos e odontológicos, laboratórios de análises clínicas e patológicas, instituições de ensino e pesquisa médica, bancos de sangue, clínicas veterinárias, dentre outros. A OPX disse ainda que para a realização da coleta são utilizados procedimentos ou técnicas que garantem a preservação das condições de acondicionamento e a integridade dos trabalhadores, da população e do meio ambiente, de acordo com as orientações dos órgãos de limpeza urbana municipal.

Disse ainda que possui espaço apropriado para realização do armazenamento de resíduos de saúde até o momento do tratamento.

Sobre os restos de corpos humanos encontrados na sexta-feira, o A VOZ DA CIDADE procurou algum responsável pela empresa para se pronunciar. Até a publicação dessa matéria, ninguém tinha sido encontrado.

 

 

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