Padrinho de criança morta por espancamento em Porto Real é condenado a 14 anos de prisão

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PORTO REAL

Aconteceu na tarde desta segunda-feira, dia 23, em Porto Real o julgamento do assassinato da criança Anitta Myllena de Oliveira Reis, de três anos. Ela morreu em março de 2018 após ser espancada dentro de uma casa na cidade, onde estava sob responsabilidade, assim como uma irmã, de dez anos na ocasião, dos padrinhos Clerison Kleber Martins e Fabrissa Rocha de
Alcântara Martins. Os dois foram a júri popular pelo crime. Ele foi condenado a 14 anos de prisão e ela foi absolvida.

Clerison já tinha um mandado de prisão em seu nome por outros crimes e Fabrissa teve a prisão preventiva decretada após o crime. Eles aguardaram o julgamento presos. Depois da sentença de ontem, ele vai permanecer preso por lesão corporal agravada de morte.
O júri chegou a ser desmarcado em outras vezes, mas ontem ocorreu no Fórum de Porto Real. A previsão de início era para às 10 horas, mas houve um atraso e os presos chegaram após às 15 horas. Antes disso, testemunhas e familiares foram ouvidas pelo juiz e pelos demais presentes, até finalmente ocorrer o depoimento dos acusados. A decisão saiu por volta das 2 horas de hoje.

DESABAFO


A tia da criança, Janaina Ivone, conversou com o A VOZ DA CIDADE sobre a decisão. Muito abalada, ela explicou que acompanhou o depoimento do acusado e que tinha alguns relatos que não tinha conhecimento. Por exemplo, que a agressão ocorreu várias vezes ao longo do dia, que a menina ficou por algumas vezes trancada no quarto e que ele tentava tirar a fralda dela, o que deu início a irritabilidade que resultou na agressão.
“Foi uma sessão de espancamento durante o dia. Depois ele simplesmente deu um remédio para dor, banho e colocou um desenho para ela ver. Quando levou ao hospital ela já estava convulsionando à noite, e o médico não viu nenhuma lesão aparente e ela morreu no hospital”, disse a tia. “O
perito alega que ela machucou o braço provavelmente tentando se defender da agressão”, completa Janaina.
Ela conta que durante o depoimento o homem disse ainda que, ainda na casa, pegou uma vara e acertou a criança por diversas vezes, que não sabia dizer quantas. Que depois, foi para o quintal cuidar dos porcos. “Como o advogado disse, ele tinha mais zelo com os animais do que com as crianças”, completou. “A sujeira natural dos animais era aceita, mas a da menina que usava fraldas, que foram tiradas, ele ficava irritado e punia com castigos, espancamentos brutais, com tapas, varadas e diversos socos na cabeça”, contou Janaina.
Quanto a absolvição da mulher, ela disse que não aceita o resultado, pois a criança sempre ficava presa e na casa todos sabiam. “Ela (Anita) viveu isso e os filhos dela (a julgada) também presenciaram, assim como ela”, frisou.
O CASO
A criança deu entrada no Hospital Municipal São Francisco de Assis, em Porto Real, já sem vida, no dia 31 de março de 2018. Lá, o suspeito foi preso por agentes do 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Ele teria confessado aos policiais que tomava conta da criança e que teria batido nela. Contra ele, havia mandado de prisão em aberto por porte de arma e tráfico de drogas, por isso foi levado preso. A respeito da prisão da esposa dele, segundo o Grupo de Investigações Criminais da 100ª Delegacia de Polícia (DP), a juíza na ocasião teria baseado o pedido suspeitando de omissão por sua parte.
A vítima e irmã moravam com o casal em Porto Real. Eles eram os padrinhos de Anitta. A família dela é do bairro Vila Elmira, em Barra Mansa, e desde o crime realizou várias manifestações pedindo Justiça pelo caso, já que os envolvidos estavam cuidando das meninas enquanto os pais estavam presos.
A família acredita que o homem perdeu o controle e agrediu a criança com golpes na cabeça, já que a mesma, além de pequena, chorava muito com saudade da mãe.
O corpo da menina passou por perícia no Instituto Médico Legal (IML) de Resende, que confirmou, no dia 2 de abril de 2018, que ela foi espancada até
a morte e tinha agressões nas pernas, braços e na cabeça.