O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos temas mais relevantes em saúde mental infantil e adulta. O dia 13 de julho foi escolhido como o Dia da Conscientização do TDAH, um momento crucial para combater preconceitos, divulgar informações baseadas em evidências científicas e ajudar famílias, escolas e profissionais a compreenderem melhor essa condição neurobiológica.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas persistentes de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade, que prejudicam o desempenho escolar, profissional, social e familiar. É uma condição reconhecida cientificamente e validada nos principais manuais de diagnóstico, incluindo o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).
O DSM-5 classifica o TDAH em três apresentações principais:
Predominantemente Desatento: maior dificuldade em manter o foco, esquecer tarefas, dificuldade em organização e propensão a “se perder nos seus próprios pensamentos”. Muitas vezes, é subdiagnosticado, especialmente em meninas.
Predominantemente Hiperativo-Impulsivo: agitação motora, inquietude, dificuldade em esperar turnos, fala excessiva e impulsividade comportamental.
Combinado: quando a pessoa apresenta sintomas clinicamente relevantes tanto de desatenção quanto de hiperatividade e impulsividade.
Essa divisão ajuda a entender a diversidade de perfis que o TDAH pode assumir e a ciência mostra que o TDAH se manifesta de formas diferentes em meninos e meninas:
Meninos são mais frequentemente diagnosticados, principalmente pelo perfil hiperativo-impulsivo, pois seus sintomas chamam mais atenção em ambientes escolares.
Meninas tendem a apresentar o perfil desatento, com mais sintomas internos como desorganização, procrastinação, dificuldades de memória operacional e regulação emocional, o que frequentemente leva ao subdiagnóstico.
No perfil neuropsicológico ambos compartilham déficits em funções executivas, memória de trabalho, atenção sustentada e inibição comportamental, mas meninas podem apresentar maiores taxas de problemas emocionais internalizantes (como ansiedade e depressão).
Observa-se também um atraso funcional médio de 30% na maturidade das funções executivas. Portanto existe a necessidade de intervenções multimodais, com tratamento psicológico, educacional e farmacológico.
Entre 60 a 80% das pessoas com TDAH possuem pelo menos uma comorbidade. Entre elas podemos citar: Ansiedade, Transtorno Opositivo Desafiante, Transtorno de Conduta e Transtorno de Sono. Em adultos, há maiores índices de transtornos por uso de substâncias, sobretudo se o TDAH não for tratado adequadamente.
Se você identifica estas características em você ou no seu filho, busque ajuda.
Vamos juntos!!
Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.