Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade constante, inclusive na infância. Agendas cheias, compromissos sucessivos e estímulos ininterruptos costumam ser vistos como sinônimo de cuidado, investimento e até amor. Mas a neurociência nos mostra o oposto: o cérebro precisa de pausas para funcionar de forma saudável.
É durante o descanso que o cérebro organiza informações, consolida aprendizados e regula emoções. Quando crianças não têm espaço para desacelerar, o corpo e a mente começam a dar sinais: irritabilidade frequente, dificuldade de atenção, cansaço excessivo, alterações de humor e, em muitos casos, sintomas de ansiedade. Descansar não é “não fazer nada”; é permitir que o sistema nervoso se reorganize.
O mesmo acontece com os adultos. Pais e cuidadores exaustos têm menos disponibilidade emocional, mais dificuldade para escutar e reagir com calma. E isso impacta diretamente a sensação de segurança das crianças. Pausa não é luxo, é necessidade biológica.
Férias, momentos de ócio, brincadeiras livres e sono de qualidade não atrasam o desenvolvimento; eles o sustentam. Em um mundo acelerado, ensinar crianças a parar, respirar e descansar talvez seja uma das formas mais potentes de cuidado com a saúde mental, hoje e no futuro.
E você já parou alguns minutos hoje?
Marcele Campos
Psicóloga Especialista em Neuropsicologia (Avaliação e Reabilitação) e Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos de Desenvolvimento Intelectual e Linguagem. Trabalha há mais de 28 anos com crianças e adolescentes. Proprietária da Clínica Neurodesenvolver.