Nova UBM destaca importância do Janeiro Branco no cuidado com saúde mental

Por Franciele Aleixo
janeiro branco divulgação
BARRA MANSA 
 
Campanhas de conscientização como o Janeiro Branco têm papel estratégico na redução do estigma em torno do cuidado com a saúde mental no Brasil, especialmente em contextos marcados por desigualdade social. A avaliação é de Mônica Lugão, coordenadora do curso de Psicologia da Nova UBM, que destaca a importância de ampliar o diálogo público sobre o sofrimento psicológico.
Segundo a coordenadora, ainda há forte preconceito relacionado à saúde mental, sobretudo entre populações mais vulneráveis, onde a dor emocional tende a ser invisibilizada ou tratada como tabu. Para ela, campanhas nacionais ajudam a romper esse silêncio ao tratar o tema de forma acessível e coletiva.
 “Muitas vezes, o estigma é um dos principais obstáculos para a busca de ajuda. Ao ampliar o diálogo, essas campanhas ajudam a mostrar que cuidar da saúde mental não é privilégio, nem sinal de fraqueza, mas um direito humano. Além disto, precisamos ter clareza de que fatores como pobreza, violência, discriminação e insegurança social impactam diretamente o bem-estar emocional”, disse.

“Quando isso é reconhecido publicamente, o estigma diminui e mais pessoas se sentem autorizadas a buscar ajuda, inclusive nos serviços públicos e privados de saúde. Quando articuladas com políticas públicas, escolas, unidades de saúde e territórios, essas campanhas têm maior potencial de impacto real na redução do estigma e na promoção do cuidado com a vida”, completou.

Mônica Lugão explicou ainda que o início do ano costuma ser emocionalmente sensível para muitas pessoas, por se tratar de um período de avaliações e expectativas. De acordo com ela, janeiro é marcado por balanços pessoais e cobranças internas por mudanças rápidas. “
De modo geral, o começo do ano é um momento de balanços e expectativas. Muitas pessoas iniciam um novo ano avaliando o que conseguiram realizar ou não, e por isso, muitas vezes, enfrentam cobranças internas por mudanças rápidas e lidam com pressões para reorganizações da rotina.

“Do ponto de vista psicológico, esse período pode ser sensível, mas também oportuno. Em vez de metas irreais, ele pode ser usado para promover reflexões mais gentis sobre limites, desejos e necessidades reais, visto que, mudanças sustentáveis acontecem quando respeitamos o ritmo individual e o contexto de vida de cada um”, pontuou. Ela acrescentou que transformações mais consistentes também dependem de continuidade, apoio social e condições concretas de vida.

No cotidiano, sinais importantes de ansiedade e depressão ainda passam despercebidos, conforme alertou a coordenadora. Para ela, muitos sintomas são naturalizados como estresse comum.

“No dia a dia, muitos sinais e queixas passam despercebidos porque são confundidos com estresse ou cansaço normal. Entre os mais comuns estão irritabilidade constante, alterações no sono, cansaço persistente, dificuldade de concentração, isolamento social e perda de interesse por atividades que antes davam prazer. Também é importante atenção as queixas físicas recorrentes, principalmente aquelas sem causa médica aparente”, comentou.

 Mônica Lugão ressaltou que, quando esses sinais passam a interferir na vida pessoal, profissional ou social, é fundamental procurar um profissional para avaliação adequada.  Ao diferenciar um sofrimento emocional passageiro de quadros que exigem acompanhamento especializado, a psicóloga explicou que a chave está na duração, intensidade e impacto dos sintomas.
O sofrimento, segundo ela, faz parte da experiência humana, especialmente diante de perdas e crises, mas não deve ser banalizado quando compromete o funcionamento social ou familiar. “Outro ponto importante é a presença de pensamentos negativos recorrentes, desesperança ou ideias de morte. Nesses casos, é essencial buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. A campanha do Janeiro Branco também contribui para reforçar a orientação de que a intervenção profissional precoce reduz agravamentos, sofrimento prolongado e incapacidades futuras”, pontuou.
Para além do mês de janeiro, Mônica Lugão defendeu que o cuidado com a saúde mental deve ser mantido ao longo de todo o ano. Segundo ela, o primeiro passo é compreender que o bem-estar emocional exige atenção contínua.
“O principal passo é entender que saúde mental é cuidado contínuo, não algo restrito a campanhas ou datas específicas. Algumas estratégias práticas incluem manter uma rotina de sono e alimentação, fortalecer vínculos afetivos, reservar momentos de descanso e aprender a reconhecer os próprios limites. Buscar informação de qualidade, combater preconceitos e procurar ajuda profissional quando necessário também são formas importantes de autocuidado. A OMS destaca que a saúde mental não se constrói em ações pontuais, mas em processos contínuos, no dia a dia, sustentados por políticas públicas, vínculos sociais e práticas individuais possíveis dentro da realidade de cada pessoa”, concluiu.

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