Museu Capitão Pitaluga, em Valença, abriga valioso acervo da Segunda Guerra Mundial

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VALENÇA

Inaugurado em 13 de novembro de 2002, o Museu Capitão Pitaluga, que está instalado no 1º Esqd C L – Esqd Ten Amaro, que desde o dia 18 de janeiro de 2019, é comandado pelo tenente-coronel de Cavalaria Ângelo Moreira Carnaval, localizado na Rua Comendador Antonio Jannuzzi – nº 415, bairro Belo Horizonte, em Valença, possui um rico e farto acervo composto por peças de fardamentos, medalhas, material aprisionado, documentos históricos e armamento, fotos, que contam e retratam a história da participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB), e em particular, do 1º Esquadrão de Reconhecimento na 2ª Guerra Mundial. O tenente-coronel Moreira, informou que a visitação ocorre de segunda a quinta-feira, das 8 às 11 horas e das 13 às 16 horas, e às sextas-feiras apenas na parte da manhã. “O Esquadrão está de portas abertas para receber a comunidade e os estudantes e todos aqueles que desejarem conhecer um pouco mais da história do Exercito Brasileiro e a luta da FEB, com seus bravos soldados na Segunda Guerra Mundial”, comentou Moreira informando que o museu ainda abre suas portas nos fins de semana para grupos, desde que com prévio agendamento com a Seção de Relações Públicas através do telefone (24) 2458-4424, ramal 22.

“O Esquadrão está de portas abertas para receber a comunidade e os estudantes”, disse o tenente-coronel Moreira – Foto: Fábio Guimas

Além de todo esse material, o museu conta ainda com uma biblioteca que possui diversos livros referentes à guerra e outros assuntos. Na época, os grandes historiadores diziam, “o museu já nasceu grande”.

O conceito que a humanidade tinha de si mesmo, nunca voltará a ser o mesmo
(Robert Alexander Clarke Parker)

O espaço que fica sob os cuidados do capitão de Cavalaria Waldey Calixto da Silva, leva o nome de Capitão Pitaluga em homenagem ao oficial que, em 1944 partiu para os campos de batalha da Itália, para ser o subcomandante do 1º Esquadrão de Reconhecimento (EsqdRec) – unidade de reconhecimento de terreno -, da FEB que tinha como missão não permitir que os soldados do Exército alemão, que, até então dominava o território italiano, surpreendessem as tropas aliadas, mais especificamente os brasileiros, durante os conflitos.

Capitão Calixto é o responsável por todo acervo do museu – Foto: Fábio Guimas

Para composição do Museu, foram doados pelos ex-combatentes que compuseram a FEB, acervos importantes e únicos que retratam as experiências vividas no front ao longo do maior conflito já ocorrido na história da humanidade.

O acervo originário já pertencia ao Esquadrão Tenente Amaro que se somou ao da Capitã Enfermeira Bertha Moraes Nereci, que atuou como 1º tenente junto aos hospitais de Campanha da Força Expedicionária Brasileira, onde na ocasião, reuniu interessante acervo médico daquele período.

Para reforçar e enriquecer ainda mais o acervo, o museu recebeu a doação de todo material pertencente ao General de Brigada Plínio Pitaluga com itens que retratam sua vida desde o tempo do Colégio Militar até o seu último comando na 4ª Divisão de Cavalaria, no Mato Grosso, nos anos 1970.

Além de todo este material o Museu Pitaluga abriga peças de fardamentos, medalhas, material aprisionado, documentos históricos, cartas topográficas, viaturas militares, sendo que duas delas em pleno funcionamento, e uma rica biblioteca com livros sobre temas militares.

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A Segunda Guerra Mundial, que foi iniciada em 1 de setembro de 1939 e terminou em 2 de setembro de 1945, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em toda a sua existência.

O conflito envolveu 72 nações e foi travada em todos os continentes, de forma direta ou indiretamente. O número de mortos superou os 50 milhões, havendo ainda uns 28 milhões de mutilados.

Especialistas afirmavam que “é difícil de calcular quantos outros milhões saíram do conflito vivos, mas completamente inutilizados devido aos traumatismos psíquicos a que foram submetidos, incluindo os bombardeios aéreos, torturas, fome e medo permanente”. Como disse o historiador Robert Alexander Clarke Parker, “O conceito que a humanidade tinha de si mesmo, nunca voltará a ser o mesmo”.

O ILUSTRE COMANDANTE

O então capitão Plínio Pitaluga assumiu o comando do Esquadrão em dezembro de 1944, quando a Unidade Militar ainda estava estacionada, junto a toda a Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira, em frente a Monte Castelo, na Itália.

O Museu reserva uma sala, no primeiro andar, para contar a história desse ilustre personagem de nossa história, por meio de um vasto acervo pessoal doado pela família. No recinto, é possível acompanhar, em uma televisão, uma entrevista do general Plínio Pitaluga ao jornalista Chico Pinheiro, à época na Globo News. “Eu senti, naquele momento, que, se eu tomasse um contra-ataque alemão – e eu estava a 80 quilômetros da Infantaria -, eu estaria destruído. Mas então agi com calma e tranquilidade. E o soldado brasileiro tem que ter na bagagem um pouco de sorte também”, relembrou o general ao narrar a perseguição aos alemães após atravessar o Rio Panaro, no contexto da ofensiva da primavera, em abril de 1945, e que levaria à captura de 14.779 inimigos em Fornovo Di Taro.

SERVIÇO DE SAÚDE NA GUERRA

O 1º Batalhão de Saúde foi criado em 1943 e, em 24 de janeiro de 1944, foi instalado e organizado, também na cidade de Valença. Em maio do mesmo ano, deslocou-se para a cidade do Rio de Janeiro, de onde embarcaria para o Teatro de Operações Europeu com o objetivo de apoiar os combatentes da FEB no Vale do Rio Serchio-Pocada, em Monte Castelo, no Vale do Marano, em Della Serra, Castelnuevo, Montese, Collecchio e em Fornovo di Taro.

Desde a chagada da tropa à Europa até o dia 2 de maio de 1945, quando cessaram os confrontos em solo italiano, foram atendidos 6.189 homens, sendo 3.839 doentes e 2.350 feridos em combate ou em sua decorrência.

Por sua destacada atuação na Itália, o 1º Batalhão de Saúde fez jus à honrosa citação de combate, concedida pelo Marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira. Terminada a guerra, o Batalhão concretizou o seu retorno ao Brasil em 22 de agosto de 1945.

No andar térreo do museu, o visitante pode se depara com a ‘Sala Capitã Bertha Moares’, que homenageia a ‘Madrinha do Esquadrão’ e o Primeiro Batalhão de Saúde que, à época, estava instalado em Valença, na atual sede do 1° Esqd C L. No Museu Capitão Pitaluga há uma exposição de material de campanha médico e odontológico. Diversos ambientes do museu contam com material audiovisual, que estimula os outros sentidos do visitante, fazendo-o refletir sobre o cenário de guerra enfrentado pelos expedicionários. Uma maquete de Montese após a batalha retrata a ocupação dos blindados M-8 Greyhound e o início da missão de aproveitamento do êxito por parte do 1° Esqd Rec na ‘Ofensiva da Primavera’.

A ‘LURDINHA’

Metralhadora alemã ‘lurdinha’ foi captura pelos soldados da FEB – Foto: Divulgação/1º Esqd CL


No segundo andar, a Sala General Otto Fretter-Pico guarda a memória de guerra do inimigo: flâmulas nazistas, medalhas e material de campanha alemão, dentre eles a famosa ‘Lurdinha’ – MG 42 -, a temida metralhadora alemã utilizada na Segunda Guerra Mundial. Há, ainda, uma sala para contar a história do 1° Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira. Em outra sala há a exposição do material de comunicações utilizado na Campanha da Itália e uma biblioteca com vasta bibliografia sobre a Força Expedicionária Brasileira.

O 1° ESQUADRÃO DE CAVALARIA LEVE

Além de ser a única Unidade da 2ª Divisão de Exército fora do Estado de São Paulo, o 1º Esquadrão de Cavalaria Leve (1º Esqd C L) guarda ainda outra singularidade mais interessante: foi à única tropa de Cavalaria do Exército Brasileiro a combater em solo italiano durante a Segunda Guerra Mundial. O então 1° Esquadrão de Reconhecimento (1º Esqd Rec) tem como data de criação o dia 6 de dezembro de 1943. O ano ficou marcado pelo esforço de mobilização do Exército Brasileiro (EB) em constituir a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Entre 1944 e 1945, mais de 25 mil militares embarcaram no Rio de Janeiro com destino ao porto de Nápoles, na Itália. Os primeiros cavalarianos brasileiros colocaram os pés em solo europeu no dia 16 de julho de 1944. Oriundos do antigo 2° Regimento Motomecanizado, os militares passaram por um rápido período de treinamento com o Blindado M-8 Greyhound antes de terem o seu batismo de fogo.

Homenagem aos quatro integrantes do 1º Esq. de Rec. que tombaram em combate – Foto: Fábio Guimas

 

 

Maquete reproduzindo a tomada de Montese – Foto: Fábio Guimas

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