Motoboys solidários: Grupo vai às ruas durante as noites de quarta-feira para alimentar moradores de rua

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VOLTA REDONDA

Advogados, comerciantes, estudantes, manicures, modelos e até empresários. Por um motivo ou outro, como decepção amorosa, fracasso na profissão ou desentendimento familiar, profissionais como esses fazem das ruas as suas moradias. Em todas as cidades brasileiras a situação é a mesma, os moradores de rua, quase sempre são vistos como estorvos. Mas em algumas localidades, existem pessoas que se preocupam em oferecer momentos de alegria a essas pessoas. Um grupo de motoboys residentes em Volta Redonda, que formou o “Motoboys Solidários”, é um bom exemplo disso.

Todas as quintas-feiras, a partir da meia-noite, os voluntários que ajudam moradores de rua vão para as ruas da cidade para distribuir comida. O trabalho do Motoboys Solidários não só tenta alimentar o corpo dessas pessoas, mas também a alma, já que vivem fragilizados.

Faça chuva, faça sol, o grupo está onde os moradores de rua estão. O lema dos 20 membros do Motoboys Solidários é fazer o bem não importa a quem. A cada noite de quarta-feira, os voluntários fazem a distribuição de marmitas de comida ou sopa, além de suco e broa, para os moradores de rua. O alimento doado é preparado pelos próprios membros do grupo.

SURGIU EM QUATRO DE MARÇO

Um dos administradores do grupo, Felipe Costa, contou ao A VOZ DA CIDADE que o projeto surgiu em 4 de março durante uma conversa de amigos, mas a ideia de criar o grupo foi dos irmãos Ramon Vitória da Silva e Ítalo Vitória da Silva. Com o objetivo de ajudar a quem precisa. “O projeto surgiu durante uma conversa com o objetivo de ajudar aqueles que precisam. Aqueles que não têm um teto e nem alimentos para saciar a fome”, contou Felipe, ressaltando que a idade dos membros do grupo está entre 21 e 30 anos.

A ideia, ainda de acordo com Felipe, é realizar o trabalho durante o ano todo. “Estamos nas ruas uma vez por semana, mas já estamos programando para fazer o atendimento duas vezes. Vamos aumentar mais um dia, se Deus quiser”, informou, lembrando que cerca de 60 moradores de rua já foram atendidos até o momento pelo grupo. “Além de levar alimentos aos moradores de rua, oferecemos também ajuda para buscar doações aos desabrigados das chuvas”, disse.

FAZENDO A DIFERENÇA

Apesar de alguns moradores não aceitarem ajuda, o trabalho faz a diferença na vida de vários outros, que agradecem pelo alimento recebido. O grupo crê que uma palavra amiga pode gerar fé no coração da pessoa que está na rua. Por isso, a gratificação de ajudá-las. Qualquer pessoa pode ajudar o Motoboys Solidário com doações. É só  entrar em contato com os números  (24)999658205 (Felipe Costa), 998645388 (Italo) ou 981128571 (Ramon). As doações podem ser feitas diariamente, pois as ações estão programadas para o ano todo.

POPULAÇÃO DE RUA AUMENTANDO

Em Volta Redonda, a população de rua tem aumentado nos últimos meses. Por isso, a Prefeitura de Volta Redonda através da Secretaria de Ação Comunitária (Smac) vem realizando diariamente abordagem às pessoas em situação de rua em diversos locais da cidade. O objetivo é apresentar os serviços de assistência do Centro Pop. O secretário de Ação Comunitária, Marcus Vinicius Convençal, disse que esse é um trabalho que a secretaria sempre desenvolveu e que promove socialmente essa população.

A abordagem, de acordo com o secretário, é feita diariamente pelas equipes especializadas e a Smac realiza diversos trabalhos para a promoção dessa população. O objetivo é melhorar a vida dessas pessoas que vivem de forma vulnerável. “Temos que conscientizar a população sobre esse trabalho, que tudo depende do querer de quem está nessa situação”, disse o secretário.

Além da equipe do Centro Pop, outras equipes também participam das abordagens na cidade, mais de dez pessoas foram abordadas só na última semana de ações. “É um trabalho muito complexo, pois em alguns casos essas pessoas não estão em situação de rua. Elas têm casa, mas preferem ficar durante o dia em outros lugares usando algum tipo de droga ou álcool. Além do Centro Pop, a secretaria de Saúde trabalha com o ‘Consultório na Rua’, que coisa da saúde dessas pessoas”, contou o secretário de Ação Comunitária.

Para o morador de 61 anos, que não quis se identificar, seu caso vem sendo acompanhado desde 2014. “Eu tenho uma formação e profissão, porém não consigo sair do vício. A equipe da Smac sempre me acompanhou e eu já passei por toda a rede de assistência social que o serviço oferece. Mas mesmo assim não consegui me recuperar”, contou.

Além de todas essas ações a cidade conta com um Comitê Municipal Intersecretarial de Acolhimento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua que debate os projetos oferecidos e a reinserção social dessa população.

CLASSIFICA-SE POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, em decreto nº7.053 de 2009, Art. 1º, Parágrafo único: “considera-se população em situação de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”.

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