Ministério da Saúde assina acordo para a redução de açúcar em alimentos processados

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BARRA MANSA

Um acordo firmado, nesta semana, entre governo e indústria de alimentos prevê reduzir em níveis de até 62,4% a quantidade de açúcar em algumas categorias de alimentos, como biscoitos, bolos, refrigerantes, achocolatados e iogurtes. O acordo envolve 2.397 produtos. Destes, porém, apenas 47,8% precisariam reduzir os índices. Os demais já estariam dentro da média geral ou abaixo da meta.

A redução máxima varia conforme a categoria. O grupo com a maior redução prevista é o de biscoitos recheados (até 62,4%, valor previsto para rosquinhas). Em seguida, estão produtos lácteos, com redução prevista em até 53,9%, seguido de misturas para bolos (até 46,1%), refrigerantes (33,8%) e, por último, achocolatados (10,5%).

O modelo é parecido ao firmado com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para diminuir o teor de sódio nos produtos, que prevê redução de até 28.562 toneladas até 2020.

A possibilidade de redução já era alvo de estudos desde julho do ano passado. Negociações com o setor, no entanto, acabaram por atrasar a definição das metas, previstas inicialmente para serem anunciadas no fim de 2017. O objetivo do acordo é diminuir o alto consumo de açúcar, tido como fator de risco para obesidade e doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes.

Ainda de acordo com o ministério, a retirada de 144 mil toneladas de açúcar representa 2% da quantidade total desse ingrediente se considerados todos os produtos no mercado — alguns, porém, teriam redução maior, e outras, menor. Os dados reforçam uma preocupação comum entre entidades de defesa do consumidor, que têm criticado esse modelo de acordo, já usado para redução de sódio, por avaliar que as metas acordadas costumam ser tímidas.

Outro temor é que a medida dê margem para que a indústria passe a anunciar os produtos como ‘saudáveis’ — ainda que seu consumo em excesso seja prejudicial.

De acordo com a nutricionista Raphaela Rocha, a iniciativa é de grande ajuda para quem busca uma vida mais saudável. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um consumo de açúcar de até 50g por dia, ou seja, 10% das calorias consumidas diariamente seria o ideal. O brasileiro consome 50% a mais que a meta da OMS: 80 gramas por dia, sendo que 36% são os açúcares já presentes nos alimentos industrializados”, destaca a profissional.

Além disso, a profissional destaca que em excesso, o açúcar rouba a energia, provoca resistência à insulina, aumenta o risco de diabetes, e acelera o envelhecimento das células, além de contribuir com quilos extras. “Nenhum processo de mudança é fácil. Por isso, no começo, pode haver a abstinência, mas passa com o tempo. As primeiras semanas, consideradas a fase de desmame do açúcar, nem sempre são fáceis. Mas quando se nota as diferenças, a pessoas fica mais motivada a continuar na dieta”, destaca, informando que quando se diminui açúcar a pessoa sente menos fome, diminui as chances de desenvolver doenças, menos estoque de gordura na barriga, metabolismo acelera, além da pele ficar mais jovem.

DADOS

Atualmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que cada brasileiro reduza o consumo de açúcar para até 25g por dia. Já o máximo recomendado é de 50g por dia. O brasileiro, porém, consome hoje cerca de 80 gramas de açúcar ao dia. Segundo o ministério da Saúde, 64% desse total é equivalente a açúcares adicionados aos alimentos, enquanto o restante está presente em alimentos industrializados.

Já a indústria dá valores diferentes: 56,3% dos açúcares são adicionados pelo consumidor, e só 19,2% são adicionados pela indústria. Os demais são intrínsecos ao alimento, informa.

O acordo foi registrado com quatro associações que representam o setor produtivo, caso da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) e Viva Lácteos. Juntas, elas representam 68 empresas e 87% do mercado.

Dicas para cortar o excesso de açúcar

Corte o refrigerante

Escolha frutas como sobremesa durante a semana

Evite alimentos processados

Maneire nas colheradas de açúcar

Engane a vontade com chiclete sem açúcar

Diminua o consumo de fast-food

Priorize refeições em casa.

 

 

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