Metas altas e avaliações errôneas afastam obesos de especialistas

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BARRA MANSA

Não é fácil estar acima do peso. No trabalho, as pessoas pensam que a produtividade pode ser alterada, já que não consegue dar conta nem de gerenciar o próprio corpo; na academia, que você não se esforça o suficiente para perder o excesso de peso; amigos e familiares enxergam uma espécie de fraqueza psicológica que impede que você siga regras simples, como comer menos e se mexer mais.

De acordo com a nutricionista Raphaela Rocha, esse estigma não ajuda a maioria dessas pessoas a obter tratamento. “Ao contrário, provoca isolamento e são raras as pessoas que oferecem ajuda. Barreiras como essa estão cada vez mais presentes em debates travados por especialistas durante eventos relacionados ao tema. Contra a obesidade  parece que a discriminação é aceitável e não há vergonha em agir dessa forma. Dizem que a pessoa é preguiçosa. Esse sentimento é internalizado e fica ainda mais difícil promover mudanças”, diz a especialista.

Mesmo quando uma pessoa perde peso a tendência é que organismo reduza o gasto calórico e que a fome aumente, uma força de reação a todo o esforço realizado. Alguns dos estudos mais longos de dietas já conduzidos apontam que, mesmo em casos de sucesso, quase todo peso perdido é recuperado após alguns anos. “Depois de emagrecer a pessoa que era obesa ainda tem alterações no organismo que não deixam a doença ser apagada. As pessoas pensam que, quando alguém emagrece, resolveu o problema e, se engordar de novo, será como engordar pela primeira vez. Não é. A tendência fisiológica é sempre engordar”, destaca Rocha.

MEDICAMENTOS

Drogas antiobesidade também têm eficácia limitada, com efeitos que chegam a até 9% do peso nos melhores casos – em média, as pessoas desejam perder 20%. Mesmo assim, muitos benefícios são observados em quem perde 10% do peso, como redução de risco de doenças cardiovasculares, melhor qualidade de sono e melhor controle das taxas de açúcar no sangue.

Apesar dos benefícios, o tratamento medicamentoso é 15 vezes mais raro entre pessoas com obesidade do que nas com diabetes, mesmo sendo doença subdiagnosticada e subtratada.

Uma pesquisa patrocinada pela Action (Awareness, Care and Treatment In Obesity maNagement) e conduzido nos EUA com 3,6 mil pessoas aponta que, embora 71% dos obesos tenham procurado ajuda médica nos cinco anos anteriores para tratar do peso, apenas pouco mais da metade recebeu um diagnóstico formal de obesidade. E, no fim, apenas um quarto marcou retorno para tratar do assunto.

No estudo Action, mesmo entre os profissionais de saúde, há quase 30% que não se consideram responsáveis por auxiliar o paciente na briga contra o excesso de peso.

Para especialistas, a melhor maneira de acabar com o estigma é por meio da educação, ao mostrar, com base em conjuntos de estudos, para profissionais e para o público, que a obesidade é muito mais complicada do que parece.

Cerca de um terço dos adultos no mundo, ou dois bilhões de indivíduos, têm obesidade ou sobrepeso.  O sobrepeso se dá quando o índice de massa corpórea (massa, em kg, dividida pelo quadrado da altura, em metros) é igual ou maior que 25 kg/m²; e a obesidade se o índice é igual ou maior que 30.

 

 

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