Mente antifrágil

0

Todos nós estamos vivendo uma série de grandes perdas. De uma hora para outra, perdemos o contato com nossos familiares e amigos, perdemos nossa liberdade, perdemos dinheiro em investimentos financeiros, negócios e também parte do nosso controle emocional.

Em uma crise que nos traz incertezas, não só políticas e econômicas, mas também sobre nossa própria saúde, é natural que estejamos cognitivamente abalados; e quando isso acontece, deixamos de tomar decisões analisadas para seguir nossos intuitos.

A economia estuda a gestão de recursos finitos, e o recurso que, mesmo inconscientemente, sempre estamos querendo poupar é o esforço. Analisar os dados e avaliar os riscos, para só então formular uma decisão, nos custa um grande esforço mental, e neste momento, onde já estamos nos esforçando para lidar com a frustração das perdas, buscamos um alívio imediato dando lugar ao nosso ‘feeling’.

Na última semana falamos sobre as oportunidades em meio a crise, hoje queremos abordar um caminho para o equilíbrio na hora de gerir a reconstrução das reservas financeiras. A Aversão a Perda é um viés comportamental que nos faz atribuir maior importância às perdas do que aos ganhos, nos induzindo frequentemente a correr mais riscos no intuito de tentar reparar os prejuízos. Um estudo do psicólogo Daniel Kahneman sugere que isso se dá porque a dor da perda é sentida com muito mais intensidade do que o prazer com o ganho.

Na tentativa de recuperar o que foi perdido, muitos investidores dedicam parte de seus investimentos que não poderiam ficar sem liquidez, como a reserva de emergência ou até o valor das receitas que pagariam as despesas mensais, em investimentos de alto risco, sem uma avaliação coerente das perspectivas para aquele ativo.

Para uma melhor gestão sobre seus investimentos, evite conferir cotações com frequência excessiva, especialmente de investimentos de longo prazo, pois isso aumenta o grau de ansiedade e pode gerar uma falsa necessidade de tomar decisões a cada consulta; estabeleça uma estratégia de investimentos e tente manter-se nela, definindo os limites aceitáveis para prejuízos. Focar no processo, ao invés de se preocupar com o que está acontecendo, diminui a possibilidade de tomar decisões precipitadas nos momentos em que notícias ruins estejam provocando pânico no mercado; Antes de assumir uma nova posição de risco, avalie se a decisão não surgiu pura e simplesmente de um desejo de recuperar o que foi perdido; Diversifique seus investimentos, e evite tomar decisões sob pressão.

Realizar todo esse processo está muito longe de ser fácil, e também consome parte do nosso esforço, mas quanto mais repetimos, menos difícil fica. Assim habituamos nossa mente a ser não só resiliente aos prejuízos, mas também antifrágil, aprendendo com eles e tornando nossas decisões cada vez mais refinadas.

Deixe uma resposta

error: Conteúdo protegido !