VOLTA REDONDA
O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) aprovou, nesta quarta-feira, 19, o uso do agregado siderúrgico produzido pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como corretivo agrícola de solo. O material — obtido a partir do beneficiamento da escória de aciaria no pátio da empresa em Volta Redonda — passa a ser oficialmente classificado como insumo mineral, apto a corrigir acidez do solo e fornecer nutrientes como cálcio e magnésio.
A decisão foi tomada após análises físico-químicas em laboratórios credenciados e avaliação técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária. Os ensaios confirmaram que o produto possui poder de neutralização equivalente aos corretivos tradicionais e atende a todos os parâmetros legais de qualidade e segurança previstos na Instrução Normativa nº 5/2016 e no Decreto 4.954/2004.
Com a liberação, o agregado está autorizado a ser aplicado diretamente no solo em sistemas de calagem, beneficiando culturas anuais e perenes. A CSN produz o material no Pátio da Brasilândia, em Volta Redonda onde a escória passa por britagem, classificação granulométrica e estabilização, permitindo agora sua oferta ao mercado agrícola dentro dos critérios de economia circular e reaproveitamento de coprodutos.
O uso agrícola da escória de aciaria já é consolidado em países da União Europeia e no Japão. Além de corrigir o pH do solo, estudos internacionais indicam que materiais alcalinos desse tipo podem capturar carbono atmosférico, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis.
Pesquisas em andamento no Estado do Rio
A aprovação federal ocorre paralelamente aos estudos conduzidos pela Pesagro-Rio. A instituição iniciou, em conjunto com a Secretaria Estadual de Agricultura e com apoio técnico da CSN, ensaios de campo para avaliar o desempenho do insumo em solos ácidos característicos do estado. A parceria prevê protocolos de uso seguro e validação agronômica.
Experiências de países como Japão, China, Estados Unidos e membros da União Europeia reforçam o potencial do material para aumentar produtividade e reduzir a absorção de metais pesados em culturas como arroz e cana-de-açúcar.
Com a autorização do MAPA e as pesquisas de campo em andamento, a CSN passa a integrar um movimento de inovação que reúne indústria, governo e centros de pesquisa para ampliar a oferta de soluções agrícolas sustentáveis a partir de coprodutos minerais.