Manter a calma é fator fundamental para não se envolver em brigas de trânsito

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BARRA MANSA

Nas médias e grandes cidades, o trânsito tem sido um dos principais motivos de estresse. Excesso de carros, sinalização ruim, radares, enfim, há uma série de fatores que obrigam o motorista a redobrar a atenção, enquanto está dirigindo. Em muitos locais, é preciso antecipar muito a saída, mesmo que seja para realizar curtos percursos, devido ao trânsito carregado. Todos esses fatores vão contribuindo para aumentar a impaciência, o nervosismo e, consequentemente, e irritabilidade dos condutores. A questão é que essa pressão também tende a aumentar xingamentos e brigas no trânsito, piorando a violência e elevando o risco de acidentes. Em época de fim de ano com a correria das compras de Natal a situação tende a piorar.

De acordo com o Comandante da Guarda Municipal de Barra Mansa, Joel Valcir na cidade, como as ruas são curtas em alguns lugares com duas faixas de rolamentos e estacionamento, é importante frisar que requer muita paciência e compreensão de todos os usuários da via. “A atenção e a compreensão são importantes para que um não prejudique o direito do outro, principalmente não parando ou estacionado em fila dupla, estacionando nas vagas destinadas a carga e descarga, aos idosos, aos portadores de necessidades especiais, ponto de ônibus e de táxi, embarque e desembarque, entre outros. Tudo isso gera discórdia entre os demais usuários da via pública e mais ainda entre os próprios condutores”, destaca.

Ainda de acordo com ele, a base de GM do município no ano passado houve o registro de 550 Boletins de Registro de Acidente de Trânsito (BRAT) sem vítimas, já neste ano, o número diminuiu para 466, até o momento. “É quase que unânime as partes entrarem em acordo para a confecção do BRAT; sendo muito raro a briga física entre eles. As nossas observações em orientações não só nesse período natalino, mas em qualquer outra época do ano, é que se envolvendo em algum acidente de trânsito, não se exalte, mantenha a calma, não tente se justificar acusando, mesmo estando certo; pois nada mudará a situação adiante em caso de ajuizamento da ação de reparação de danos”, cita.

O comandante cita que além das regras gerais de circulação e conduta conforme o CTB Lei 9503/1997, testemunhas e provas técnicas; ainda poderá lançar mão de outros meios lícitos para dar o direito de fato à quem de direito. “A nossa recomendação é que em todo tempo, mantenham a calma principalmente nos acidentes sem vítimas, pois a vida é o bem maior e naqueles acidentes com vítimas é importante lembrar que o STF passou a considerar crime a evasão do motorista do local do acidente: A maioria do Supremo considerou que é constitucional o artigo 305 do Código de Trânsito Brasileiro. O artigo pune com detenção de seis meses a um ano o condutor do veículo que se afasta do local do acidente ‘para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída’”, aponta.

O lado psicológico

Para o psicólogo Renan M. Souza, prevenir é melhor do que remediar, porque uma discussão no trânsito pode acabar evoluindo para xingamentos e agressões físicas, ou algo ainda mais grave. Para evitar incidentes desagradáveis evite dirigir enquanto estiver estressado, distraído ou com a concentração estiver prejudicada pelo cansaço. “Se algum acidente acontecer é necessário diálogo para que o assunto seja tratado. Durante esta discussão procure manter a calma e nunca revide às provocações do outro, mesmo que ele esteja sendo desrespeitoso e que você tenha razão. Não é o momento para aumentar a tensão, e sim diminuir, pois as palavras ásperas são como lenha na fogueira e podem provocar um conflito. Em alguns casos é melhor anotar os números de telefone e os dados do automóvel (placa, cor e modelo) e deixar para resolver as coisas com calma no dia seguinte”, citou.

Outro caso, citado por  Renan é que se não houve batida, mas apenas algum desentendimento como, por exemplo, uma ultrapassagem arriscada ou uma reclamação mais veemente utilizando indevidamente a buzina, não revide, acalme-se feche o vidro do carro e siga adiante. Se a outra pessoa insistir procure um lugar seguro e peça ajuda à polícia. “Se você estiver estressado ou cansado o melhor a fazer é não agir impulsivamente. Procure respirar fundo alguns segundos, fazer alguma rápida prece ou oração e lembrar-se que por mais habilidoso que as pessoas sejam no trânsito, erros sempre acontecem e você também está sujeito a errar desta ou de outra forma”, citou.

Para ele, a buzina deve ser usada apenas para advertências em prevenção de algum acidente e passar informações úteis aos outros motoristas, e não deve ser usada como forma de reclamar ou punir os outros motoristas e pedestres. “Buzinar de forma exagerada é uma má ideia e pode dar início a brigas desnecessárias, além de causar incômodos a quem não tem nada a ver com o que está acontecendo”.

Maiores causas de briga de trânsito

Buzinar exageradamente

Para várias pessoas, o uso da buzina no trânsito pode ser indicado para qualquer situação. O seu uso, muitas vezes, é indevido. Tem também os motoristas que gostam de buzinar para fazer uma espécie de pressão nos outros veículos. Seja por uma reclamação, querer passar à frente, ou outro motivo, isso normalmente gera uma briga de trânsito.

O semáforo abriu

Sinal verde. O primeiro carro na fileira hesita por um ou dois segundos para atravessar o semáforo e não demora a escutar buzinadas do veículo atrás. Às vezes, são vários condutores buzinando ao mesmo tempo. Um pequeno instante parado com o sinal verde não costuma ser perdoado.

Dirigindo colado

O motorista do carro de trás não respeita o distanciamento necessário. É como se ele estivesse querendo pressionar o carro da frente a acelerar, mesmo que não esteja com pressa. Aliás, o recomendável é não ter pressa, o que ajuda a evitar uma briga de trânsito.

Estacionar na frente da garagem

Liga o carro, começa a dar marcha a ré e… problemas. Alguém estacionou exatamente em frente à garagem. Quem nunca passou por isso? O pior de tudo é que, muitas vezes, o problema não tem solução, mesmo colocando uma placa de aviso no portão da garagem. Ou seja, é preciso contar com a sorte do motorista que parou indevidamente não demorar.

Importante lembrar: estacionar na frente de uma garagem com veículo automotor é proibido, passível de multa, com pontuação de infração média na carteira de motorista.

Estacionar em duas vagas

Outra situação corriqueira é procurar vaga em estacionamentos e, veja só, uma surpresa: um veículo está ocupando duas vagas ao mesmo tempo. Mais uma infração de trânsito, sujeito a multa e remoção do automóvel.

Manobrar sem sinalizar corretamente

Em resumo, a não utilização da seta. Muitos condutores esquecem de sinalizar onde vão estacionar ou virar o veículo e podem ocasionar acidentes. Ou, no mínimo, reclamação de um ou mais motoristas e, consequentemente, briga de trânsito. A seta não pode ser esquecida depois do tempo na autoescola, não. Há outras situações em que ela deve ser indicada, como, por exemplo, quando precisar mudar de faixa, fazer uma conversão, ou sinalizar uma parada.

Não respeitar a velocidade máxima

Geralmente, este tema é lembrado por causa dos radares. Mas, na maioria das ruas e avenidas, há um limite de velocidade estabelecido que muitos motoristas não respeitam. Sobra, principalmente, para os outros condutores que estão dentro da lei tomarem cuidado com os apressados e não se estressarem.

Uso inadequado da faixa da esquerda

Mais um caso muito comum que gera briga de trânsito: motoristas dirigindo na faixa da esquerda normalmente. Esquecendo que essa pista é destinada aos veículos mais rápidos e para ultrapassagens. Por ter automóveis trafegando pela esquerda, além de prejudicar o fluxo do trânsito, muitos infringem a lei ultrapassando pela direita.

Mudança de velocidade repentina

Nesta situação, tanto frear bruscamente, quanto acelerar além da conta pode acarretar sérios problemas, não somente uma briga de trânsito, mas também acidentes. Essa oscilação pode surpreender outros veículos mais próximos, o que aumenta o risco de batida.

Parar o automóvel na faixa de pedestre

Na pressa, sempre ela, vários condutores insistem em passar quando o sinal já está amarelo e não há mais tempo. Assim, acabam parando sobre a faixa e o pedestre acaba precisando desviar dos carros. Uma briga de trânsito nesse caso é corriqueira.

Quem for pego nessa situação, a infração é grave, com direito a multa e remoção do veículo. O mais simples e seguro é sempre parar no sinal amarelo.

 

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