Mais quatro trabalhadores da região receberam anistia política

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VOLTA REDONDA

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do município e região, Sebastião Paulo de Assis, recebeu no último final de semana, representantes da Associação Nacional dos Anistiados Políticos (ANAP). Durante o encontro, o grupo conversou sobre serviços de assessoria jurídica e os trâmites jurídicos necessários para trabalhadores que buscam anistia. Foi informado ainda que, mais quatro trabalhadores da região receberam anistia política.

De acordo com os representantes da ANAP, conquistaram anistia política quatro ex-funcionários da antiga Fábrica de Estruturas Metálicas (FEM), Jadir Baptista, Eloni Sarria, Valdir Coutinho e José Menino. A sentença, de acordo com eles, foi dada no último dia 21, por uma comissão nomeada pelo Ministério da Justiça para julgar os pedidos.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, a notícia da anistia é uma grande vitória para toda a classe trabalhadora, pois os quatro novos anistiados representam um grupo de operários que lutaram por melhores salários e por mais benefícios. Eles foram perseguidos, tiveram suas vidas e seus direitos retraídos. Lembrou que, está entre os anistiados Jadir Baptista, que hoje faz parte da Direção Executiva da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Rio). “É um homem incansável no enfrentamento contra os retrocessos de direitos, está sempre junto da nossa categoria, debatendo e participando das ações”, comentou o sindicalista.

A anistia, segundo o presidente da ANAP, Nilson Carneiro, é uma reparação para os que sofreram perseguição na época da ditadura militar, foram demitidos das empresas que trabalhavam e perseguidos nas suas áreas profissionais, ou seja, uma indenização pela carreira profissional que, por conta da perseguição, foi encerrada cedo demais.

Carneiro destacou ainda que, teve relatos de empresas que tentaram contratar profissionais perseguidos e foram ameaçadas. Relatou também que, as portas do mercado de trabalho foram totalmente fechadas para esses trabalhadores e muitos não conseguiram alcançar a aposentadoria. Ainda de acordo com o presidente, vários trabalhadores, sem oportunidades, foram atuar como autônomos. “Além disso, os que eram registrados em órgãos de segurança da época ficaram impedidos de sair do país. Com isso, não tiveram como buscar emprego fora”, relatou.

Atualmente, existe uma média de 15 processos em tramitação para anistia, de um total de mais de 50. A luta começou em 1988 e os processos de anistia começaram a ser protocolados em 2002, quando foi regulamentada a Lei 10.559, que criou uma comissão permanente para analisar e deliberar os processos. Um dos precursores desse movimento foi o primeiro presidente da ANAP, José Maurício Baptista, já falecido, que participou em Brasília de todo o debate para criação da lei.

 

 

 

 

 

 

 

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