Light corta luz da prefeitura por conta de dívida

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PINHEIRAL

“Está faltando planejamento”. Essa fala é do presidente da Câmara de Vereadores, Anderson Costa Alonso, o Costalonso (PRB), em uma entrevista ontem ao A VOZ DA CIDADE a respeito do corte de energia efetuado na manhã de quinta-feira no prédio da prefeitura e no da administração. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, o prefeito Ednardo Barbosa (MDB) culpa cinco dos nove vereadores de oposição do corte, pois eles não aprovaram o pedido de parcelamento em 24 vezes da dívida de R$ 529 mil que a prefeitura tem com a concessionária. Já a Light informou que a dívida chega a R$ 870 mil.

No vídeo o prefeito afirma que o fato prejudica toda a estrutura administrativa, além da folha de pagamento dos servidores que seria paga nesta sexta-feira. “Uma atitude irresponsável de cinco vereadores que torcem por quanto pior melhor”, disse, nomeando cada parlamentar de oposição. A câmara tem nove vereadores, sendo que cinco deles – Costalonso, Muller Adriano da Fonseca (PRB), Jordacio Elias Mendonça (PTC), Carmen Lucia Costa de Carvalho (PTC) e Richard Cortes de Brito, o Richard Toró (PSB), são de oposição. “Essa é a consequência da atitude irresponsável de cinco pessoas que não estão preocupadas com a comunidade de Pinheiral”, disse Ednardo, no momento em que o caminhão da Light cortava a energia.

O corte aconteceu um dia após o prefeito anunciar, em coletiva de imprensa, um pacote de medidas contendo ações para evitar com que haja demissão em massa de servidores, e que já serão colocadas em vigência a partir do dia 2 de maio. O decreto tem validade de 90 dias.

Funcionário no momento do corte de energia- Divulgação

CORTE DE ENERGIA

O presidente do Legislativo disse que a Light não cortaria a energia sem aviso prévio, fato estranho já que um dia antes o prefeito teria anunciado o pacote de medidas para contenção de despesas. Além disso, Costalonso diz que quando o prefeito afirma que o corte prejudicará o pagamento dos servidores públicos é uma mentira, pois de acordo com ele, a folha fecha no dia 15 e a prefeitura tem até o dia 22, 23, para enviar ao banco. “Jamais o banco vai pegar uma folha num dia e pagar em outro”, afirmou.

Além disso, com a fala do prefeito o vereador afirma que está querendo jogar para cima do Legislativo a culpa quando na verdade cada poder faz sua gestão. “Se a câmara autorizasse o pagamento em 24 vezes seriam R$ 70 mil em juros. Em duas vezes de cerca de R$ 250 mil os juros seriam de apenas R$ 3 mil. O pagamento seria para abril e maio”, disse o presidente do Legislativo. Outro motivo para o não parcelamento em 24 vezes seria o fato do prefeito não estar pagando a conta mensal com a concessionária de energia. “A dívida de pouco mais de R$ 500 mil foi adquirida no governo dele. Vai deixando de pagar prioridade para ter outras despesas que não concordamos, por exemplo, horas extras indevidas, gratificações excessivas, contratos por RPA, aluguel de banheiro químico por R$ 30 mil durante um ano, aluguel de som, palco e iluminação por um ano de R$ 500 mil. Entendemos que ele deveria estar pagando mensalmente a luz e não acumulando dívida. Não concordamos de parcelar em muitas vezes porque pega o dinheiro que era para pagar a luz e investe em outras coisas. Em tempos de crise, como que gasta R$ 30 mil com banheiro químico se nem festa em Pinheiral tem”, questionou.

Costalonso disse que os vereadores querem que o prefeito aplique o dinheiro corretamente. Citou, por exemplo, que foi feito um serviço de tapa buraco há 20 dias na Rua Helena Correia de Miranda, no Centro, e já tem um anúncio de recapeamento no mesmo local no valor de R$ 325 mil.  “Queremos que o prefeito faça o feijão com o arroz. Está faltando planejamento. Ele precisa investir o dinheiro para toda a cidade e não direcionar. Roçada, capina, retirada de entulho é só no Centro. Não pode ser assim”, afirmou Costalonso, lembrando que de 2017 até agora Ednardo Barbosa não senta para conversar com o “quinteto”, como se autodenominam os cinco vereadores que fazem parte da oposição.

LIGHT

A Light informou que desligou o fornecimento de energia para a Prefeitura de Pinheiral, devido à inadimplência com a distribuidora. “A dívida do órgão é de aproximadamente R$ 870 mil, incluindo contas atrasadas de novembro de 2017 a abril de 2018 e débitos relacionados à iluminação pública da cidade. A Light cumpriu todos os procedimentos regulatórios anteriores ao corte e só efetuou a suspensão do fornecimento depois de esgotar todas as possibilidades de negociação”, diz a nota enviada.

PREFEITURA

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Pinheiral informou que o prefeito Ednardo Barbosa ficou reunido durante o dia de ontem com sua equipe, em negociação com a Light, buscando o restabelecimento de energia nos prédios públicos. A expectativa é que o religamento seja feito. Segundo a assessoria, na coletiva de quarta-feira já foi mencionado que a energia poderia ser cortada por conta da recusa da câmara em aprovar o parcelamento em 24 meses, ou seja, dentro das condições financeiras atuais do município.

“Informamos que, o valor da dívida com a Light enviado para a câmara com pedido de parcelamento solicitado pelo prefeito foi de R$ 529 mil (valor real), que chegaria a R$ 611 mil (parcelado) para ser pago em 24 vezes.  Reprovado, em votação por cinco vereadores, para que fosse pago em apenas duas vezes”, disse a assessoria, completando que a quantidade de parcelas levou em conta a situação econômica do Poder Público e, ainda foi a sugerida pela empresa.

Sobre o total de R$ 870 mil em dívida apresentado pela Light, a prefeitura informou que são contas com vencimentos recentes. “É necessário esclarecer que entre os impedimentos encontrados pelo prefeito para que fosse feita a quitação da energia anteriormente, devem-se também a parcelamentos que o prefeito Ednardo Barbosa encontrou e assumiu o pagamento, em 2017, como dívidas como INSS e, inclusive outros parcelamentos, até mesmo com a Light, feitos por outra gestão”, disse a assessoria.

PACOTE

Foi lembrado ainda, segundo o Pacote de Redução de Contas anunciado pela prefeitura na quarta-feira, que entre suas medidas, estão previstos o corte de horas extras, gratificação de funcionários, “inclusive como recomendação da própria câmara”. “Sobre os valores pagos para uso de banheiros químicos, informamos que os mesmos foram feitos para atender eventos realizados no período de um ano, em eventos da cidade como exemplo, o Domingo de Diversão e Compras, Desfile de 7 de Setembro, exposição pedagógica, festa da Padroeira, do Conselho de Pastores e aniversário da cidade. Assim como, o aluguel de som, palco e iluminação em aproximadamente R$ 250 mil, para o mesmo período, também para atender eventos, como os citados”, completou a nota da prefeitura.

 

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