RESENDE
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciou, no mês de janeiro, em sua unidade localizada no distrito de engenheiro Passos, os testes para a fabricação das varetas de combustível nuclear que serão utilizadas no desenvolvimento do Projeto de Microrreator Nuclear Nacional. A etapa representa um avanço relevante no cronograma do projeto e tem como objetivo testar a capacidade futura da estatal para a produção em larga escala desse tipo de combustível. A fase final dos testes das varetas está prevista para ocorrer ainda este mês.
Segundo o engenheiro metalúrgico da INB, Franklin Palheiros, os testes são fundamentais para garantir a segurança e a eficiência do processo produtivo. “Esses testes permitem antecipar ajustes antes do início da produção, programada para 2027”, explica. A previsão se refere ao abastecimento do protótipo onde serão realizados os experimentos da nova tecnologia. As varetas são componentes essenciais do elemento combustível, pois abrigam o urânio, responsável por gerar o calor que, nos reatores, é convertido em energia elétrica.
Os microrreatores nucleares funcionam de forma semelhante a uma usina nuclear convencional, porém com características diferenciadas: são compactos, transportáveis e de baixa potência. A tecnologia é considerada estratégica para levar energia limpa, segura, estável e contínua a regiões de difícil acesso, como áreas isoladas, comunidades ribeirinhas e pequenas cidades afastadas dos grandes centros urbanos.

Varetas de combustível nuclear que serão utilizadas no desenvolvimento do Projeto de Microrreator Nuclear Nacional – Divulgação
Após a conclusão dos testes, a INB dará início à qualificação dos processos produtivos, etapa padrão da empresa para validar e documentar os métodos de fabricação. Na sequência, serão solicitadas as autorizações da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para a produção do combustível. “A participação da INB no projeto amplia seu papel no setor nuclear brasileiro e contribui para a abertura de um novo mercado voltado ao desenvolvimento de microrreatores nucleares”, reforça Palheiros.
Além dos funcionários da INB, representantes das empresas Diamante Energia e Terminus Energia, que integram o grupo responsável pela execução do projeto, acompanharam as etapas de produção e de controle de qualidade das varetas de teste.
O representante da Terminus Energia, Adolfo Braid, destacou a importância da parceria com a estatal. “A INB é a única fabricante de combustível nuclear no Brasil com tecnologia licenciada, e sua participação é fundamental para o sucesso do programa. Sem essa parceria, o projeto simplesmente não existiria”, afirmou.
Já o gerente de produção da INB, Marcos Mattos, ressaltou que a presença dos parceiros no processo traz ganhos técnicos imediatos. “Com a vinda deles é possível a validação in loco dos processos, o alinhamento técnico e operacional e a identificação rápida de possíveis oportunidades de melhoria”, explicou.
Histórico do projeto
O projeto de desenvolvimento e testes de tecnologias aplicáveis aos microrreatores nucleares no Brasil teve início em julho de 2025 e possui duração prevista de três anos. O investimento total é de R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões provenientes da Finep, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 20 milhões da Diamante Energia.
Em dezembro, teve início o processo de licenciamento do local onde será implantado o protótipo do primeiro microrreator nuclear do país, no Instituto de Engenharia Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro.
O empreendimento é inédito no Brasil e reúne 13 parceiros, entre empresas públicas e privadas, órgãos de fomento e apoio, além de instituições e universidades públicas.


