Hick Sene espera que decisão do plenário contra Roque seja respeitada pela justiça

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RESENDE

Relator do parecer que determinou a destituição do vereador Roque Cerqueira (PDT) da presidência da Câmara, por 10 votos a 4, o vereador Hick Sene (PSD) afirmou que os vários atos de desrespeito ao Regimento Interno da Casa foram determinantes para a saída do pedetista do comando do Legislativo.

Sene era um dos parlamentares insatisfeitos com a conduta do então presidente. Inclusive, fazia parte da Mesa Diretora como segundo secretário e renunciou ao cargo. “No nosso entendimento, e na minha visão como relator, o ex-presidente feria constantemente o Regimento Interno, conduzindo as sessões de forma truculenta. Não ouvia e nem aceitava requerimentos de vereadores. Conduzia e encerrava as sessões conforme sua vontade. Não tínhamos espaço com ele”, criticou Sene.

Sobre a tentativa do vereador Roque de recuperar a presidência por meio da justiça, Hick Sene espera que a decisão do plenário seja respeitada. “Os Poderes são independentes e a decisão do Plenário é soberana. Esperamos que essa premissa prevaleça”, declarou.

Encabeçando uma das chapas que concorre a presidência da Câmara para o biênio 2019 – 2020, e que terá a votação em segundo turno em dezembro,  vereador Edson Peroba (PPS) lamentou o fato da Câmara de Vereadores ter passado por este momento. “É muito ruim para a imagem da Câmara ter que destituir um presidente. Mas a situação estava insustentável e vinha prejudicando os trabalhos parlamentares e a própria população. Esperamos que as coisas sigam agora de forma tranquila.”, avaliou.

Hick Sene foi o relator do processo que destituiu Roque da presidência – Cynttia Freitas.

Perguntado se existe a possibilidade de antecipação do segundo turno da eleição da Mesa Diretora marcado por Roque Cerqueira para dezembro, Peroba afirmou que o assunto ainda não foi discutido com o novo presidente, Joaquim Romério (MDB).

MOVIMENTO ORQUESTRADO

Dois dias após ser destituído da presidência da Câmara, o vereador Roque Cerqueira (PDT) reafirmou em entrevista dada ontem por telefone ao A VOZ DA CIDADE que irá recorrer em todas as instâncias do judiciário para recuperar o cargo. Para o parlamentar, o processo administrativo que culminou com a sua retirada do comando da Mesa Diretora, foi um ato político com intenção de prejudicá-lo nas eleições deste ano. Roque concorre ao uma cadeira de deputado federal. “Quiseram transformar o mocinho em bandido. Sabem que minha campanha para deputado federal está forte por isso querem me prejudicar. Apresentaram esse parecer justamente após eu ter iniciado minha campanha. Foi um ato orquestrado para prejudicar a minha campanha em favor de outro candidato da região”, acusou Roque, sem citar quem seria este candidato.

Roque também criticou o parecer apresentado pela Comissão Processante nomeada para investigar as denúncias de sua ineficiência administrativa a frente da Mesa Diretora. “Apontam ineficiência na minha gestão, mas não citam nenhuma irregularidade na gestão de recursos. Isso porque fui o presidente de Mesa que mais trabalhou pelo controle de gastos na Câmara, permitindo, inclusive, a devolução para a Prefeitura de recursos que conseguimos economizar no legislativo. Eles reclamam e fizeram todo esse movimento porque não atendi seus interesses e sim o da população”, afirmou.

No final da tarde, Roque divulgou uma nota onde enfatiza suas críticas ao processo que o tirou da presidência da Câmara. Leia no Box

NOTA OFICIAL DO VEREADOR ROQUE CERQUEIRA

Venho a público esclarecer algumas dúvidas levantadas pela sociedade resendense e com a especial finalidade de combater a disseminação de informações caluniosas nas redes sociais.

Eu, vereador Roque Cerqueira, comunico que fui vítima de um processo de julgamento político interno da Câmara Municipal, sendo a mim atribuída a vaga infração de “ineficiência administrativa”. Tal fato se deu após a adoção de um austero controle de gastos em manutenção e custeio de pessoal da Casa Legislativa. Tais medidas impediram que fossem criados mais cargos comissionados, impediram a realização de licitações desnecessárias, além de terem obstado quaisquer discussões acerca de eventual aumento de salários dos vereadores, o que por certo causou insatisfação da maioria dos membros da Câmara Municipal.

Vale destacar que como resultado desta economia, na condição de Presidente da Câmara Municipal, devolvi ao Poder Executivo Municipal mais de R$ 3.200.000,00 (Três milhões e duzentos mil reais), oriundos dos duodécimos que são repassados mensalmente ao Poder Legislativo, conforme preceitua a Constituição Federal, um feito inédito e jamais visto na cidade de Resende.

Ressalto, por fim, que o meu compromisso é com a população de Resende, que de fato é quem paga os salários de toda a Câmara Municipal. Como Gestor Público e como Presidente da Casa, cumpri a minha missão de gerir com economia, cortar gastos desnecessários e de devolver dinheiro público aos cofres públicos. Nada mais do que a obrigação de um bom gestor, mas o que tem sido raro nos dias atuais.

Roque afirma que foi vítima de um processo de julgamento político interno da Câmara – Cynttia Freitas.

Por fim, reafirmando que as medidas não agradaram a todos os Vereadores e sem graves motivos aparentes, num processo estritamente político, me afastaram da Presidência da Casa, mesmo após ter sido eleito por estes mesmos Vereadores. Reafirmo que continuo firme na Câmara Municipal como Vereador, embora, por enquanto, não mais a esteja presidindo.

Agradeço a confiança de todos os amigos e cidadãos resendenses que acreditam no meu trabalho e que viram nessas medidas de austeridade e contenção de gastos uma maneira diferente de tratar a coisa pública e também o cidadão, que é o destinatário final dos serviços públicos.

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