Guterres agradece Moldávia pelo acolhimento de mais de 450 mil ucranianos

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MOLDÁVIA

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está na Moldávia, a nação vizinha da Ucrânia que já abriga mais de 450 mil pessoas fugindo da guerra.

A ONU diz que outros 100 mil ucranianos atravessaram a fronteira para a Moldávia, que tem pouco mais de 2,6 milhões de habitantes. Em comparação com o tamanho de sua população, a Moldávia é a nação que mais acolhe ucranianos desde o início da guerra, em 24 de fevereiro.

Agenda oficial

Guterres se encontrou com a primeira-ministra, Natalia Gavrilița, nesta segunda-feira. Ele também deve ser recebido pela presidente, Maia Sandu, e depois visitar um Centro de Refugiados.

O chefe da ONU e a primeira-ministra da Moldávia falaram a jornalistas sobre o impacto da guerra na Ucrânia no país, que enfrenta desafios com a falta de recursos para acolher todos.

Para o secretário-geral, a Moldávia é um “pequeno país com grande coração”, mas com recursos limitados, sendo um dos líderes em manutenção da paz e estabilidade.

Guterres disse que a Moldávia precisa receber apoio da comunidade internacional para seguir apoiando os refugiados e sustentando sua economia em setores importantes como agricultura.

Ele voltou a pedir o fim do conflito na Ucrânia e se colocou à disposição para apoiar negociações para acabar com uma guerra “sem sentido” no leste europeu.

A viagem coincide também com o 30º aniversário da entrada da Moldávia nas Nações Unidas.

Campo de refugiados em Palanca, Moldávia, na fronteira com a Ucrânia – Foto: UN News

Centro de refugiados

A ONU News esteve num centro de refugiados em Chisinau, capital do país, onde conversou com ucranianos que esperam retornar a suas casas o mais brevemente possível.

O principal abrigo é o complexo de exposições MoldExpo, que acolhe 369 refugiados ficou completamente lotado no começo do conflito, servindo de abrigo para mais de 1,2 mil pessoas.

Antes do conflito, o local era um centro de saúde para pacientes de Covid-19. Na MoldExpo, funcionários da ONU, organizações da sociedade civil e voluntários trabalham 24 horas por dia.

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, criou espaços seguros para meninas e mulheres. Ali, elas aprendem também a se prevenir de tráfico humano.

Recepção pela população moldava

Quem acolhe os refugiados recebe aproximadamente US$ 190. Mas muitos voluntários moldavos estão fazendo esse trabalho sem receber nada, somente pela vontade de ajudar. Recentemente, o fluxo de refugiados já diminuiu significativamente.

A cerca de duas horas de carro de Chisinau, agências da ONU e o governo da Moldávia montaram um acampamento na fronteira com a Ucrânia.

Impacto da guerra na Moldávia

De acordo com o diretor do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Ifad, na Moldávia, Samir Bejaoui, ao mesmo tempo em que apoia os vizinhos necessitados, o país enfrenta a falta de importações e exportações limitadas.

Ele lembra que a Moldávia é um dos países mais pobres da Europa e que possui uma importante população rural, dependente da atividade agrícola.

Samir Bejaoui falou de uma nova crise no país que está testando a resiliência da população e, por isso, a agência precisa estar pronta para ajudar os pequenos produtores.

Segundo o diretor do Ifad, a Moldávia importa mais de 90% de suas sementes, combustível e fertilizantes da Ucrânia e da Rússia.

Com a guerra, 33 mil pequenos e médios agricultores moldavos ficaram sem insumos.

Safras interrompidas e efeitos na segurança alimentar mundial

As safras de milho, girassol e soja, previstas para iniciar em maio, estão atrasadas.

Além da falta de sementes, não há fertilizante necessário para outros cultivos. O Ifad afirma que, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas, a Moldávia importa cerca de 300 mil toneladas de fertilizantes anualmente, a maioria da Rússia e da Belarus.

O Ministério da Agricultura e Indústria Alimentar nacional estima que, sem fertilizantes, a produção de alimentos básicos – como trigo, milho e cevada – cairá pelo menos 30% somente este ano.

Além de insumos, o diretor do Ifad afirma que a Moldávia precisa de mais apoio financeiro.

Samir Bejaoui explica que os ativos líquidos permitirão que agricultores, população rural e Estado resolvam o problema de forma independente, comprando os insumos necessários.

* Silas Avila Junior – Editor internacional