SUL FLUMINENSE/BRASÍLIA
O setor siderúrgico brasileiro começou 2026 com expectativa de alívio. O governo federal publicou na noite de quinta-feira, 12, novas medidas que encarecem a entrada de produtos de aço importados, principalmente da China e da Índia, e a reação da cadeia produtiva foi imediata. Para o presidente da Aproaço, Haroldo Filho, a decisão traz de volta a competitividade do material nacional e abre caminho para investimentos e geração de empregos, inclusive na região.
A aplicação de medidas antidumping sobre laminados atende a um apelo antigo da indústria e foi deliberada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex). A resolução estabelece a cobrança por um período de cinco anos para determinados produtos e mantém a elevação temporária da tarifa de importação para 25% em diferentes códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Segundo Haroldo Filho, o movimento era aguardado com ansiedade. “Nós esperávamos que viesse uma taxação que aumentasse a taxa de importação. Agora, com esse valor adicional por tonelada, a empresa vai pensar duas vezes antes de comprar material de usinas chinesas. Isso equilibra o jogo e deixa o mercado brasileiro mais competitivo”, afirmou.
Queda nas importações
O presidente da entidade avalia que, com o novo cenário, o avanço do produto estrangeiro deve perder força rapidamente. “A entrada do aço importado já chegou a patamares muito altos. Com as medidas, a tendência é cair drasticamente. Voltamos a ter o aço nacional competitivo, com preços mais atraentes. Isso puxa investimento e geração de emprego”, disse.
Ele lembra que a pressão vinha afetando não apenas as grandes siderúrgicas, mas também os processadores. “As margens estavam muito pequenas. Muitas vezes o cliente preferia comprar o produto pronto vindo de fora porque era mais barato do que adquirir da indústria local”, explicou, estimando que a participação do importado pode sair de cerca de 40% para menos de 5% ao longo dos próximos meses.
Mobilização em Brasília
De acordo com Haroldo, a mudança ocorre após as usinas apresentarem ao governo números sobre a perda de mercado, queda de produtividade e risco de demissões. “Havia preocupação com arrecadação, com investimentos nas plantas e com a manutenção dos postos de trabalho. Agora a gente volta a enxergar um ciclo virtuoso”, destacou.
Nos bastidores, o tema vinha sendo tratado diretamente com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Dias antes do anúncio, ele já havia sinalizado ao empresariado que novas ações poderiam ser adotadas caso fossem comprovadas práticas de concorrência desleal.
Entre as companhias que devem sentir os efeitos positivos da decisão estão gigantes como a Usiminas e a CSN, que há meses defendem o reforço dos mecanismos de proteção ao mercado interno.
Impacto em vários setores
O aço está presente em diferentes cadeias produtivas, do ramo alimentício — como latas de sardinha e bebidas — até a fabricação de automóveis e a construção civil. Para a Aproaço, fortalecer a produção interna significa movimentar toda essa engrenagem, tanto as siderúrgicas quanto os processadores.
Próximos passos
Apesar do anúncio, o setor ainda aguarda a regulamentação complementar. Nem todos os NCMs reivindicados foram contemplados inicialmente. “Vamos continuar trabalhando e esperar a portaria depois do carnaval. A ideia é garantir que os produtos derivados também entrem nessa proteção”, concluiu Haroldo Filho.
As medidas seguem uma tendência internacional de reação ao excesso de oferta asiática e buscam dar previsibilidade para que a indústria brasileira retome planos de expansão.