Firjan analisa possíveis impactos da restrição da importação do aço para a União Europeia

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SUL FLUMINENSE

Os países integrantes do bloco econômico da União Europeia (UE) adotaram a partir do dia 2 as medidas de restrição à importação de 28 produtos siderúrgicos. A medida terá validade até julho de 2021, taxando em 25% o volume que ultrapassar a cota limite. A decisão notificada à Organização Mundial do Comércio (OMC) no mês de janeiro aflige os principais exportadores de aço para a UE, como a China, Índia, Rússia, Coreia do Sul, Turquia e Ucrânia, além do Brasil.

No Brasil, três produtos terão cotas específicas para exportação: laminados planos a frio, folhas metálicas e perfis. Já outros quatro produtos serão submetidos à cota global: outros tubos sem costura, laminados planos de aço inoxidável, chapas grossas e laminados planos a quente.

A decisão tem como justificativa a necessidade de o bloco europeu proteger a produção local de aço. O bloco europeu alega que a medida é uma resposta ao fluxo de produtos siderúrgicos que passou a ser comercializado no mercado local, após o governo dos Estados Unidos imporem barreira ao aço mundial. O mercado europeu foi o destino de 18,1% das exportações brasileiras de aço em 2017.

IMPACTOS

Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a barreira ao aço pode gerar reflexos para o estado do Rio de Janeiro. Dos sete produtos siderúrgicos com importação do Brasil, são 61% proveniente da indústria fluminense. De acordo com Pedro Spadale, gerente Internacional da Firjan, os efeitos da medida devem ser considerados conforme a categoria do produto. “As cotas afetam o estado do Rio de maneira diferente. É preciso olhar produto a produto”, frisa.

Para Spadale, a cota estipulada de 51 mil toneladas para exportação de folhas metálicas, a partir de julho, é positiva para o Rio. O Brasil exportou 36 mil toneladas desse produto no último ano, sendo 99% pelo estado fluminense. “As folhas metálicas saem do Rio e, com a cota, ainda há margem para aumentar as exportações fluminenses e voltar ao patamar de anos anteriores”, afirma Spadale.

LAMINADOS

Já a cota de 8,6 milhões de toneladas de laminados planos a quente, definida como não específica para nenhum país, ou seja, dividida por todos os países exportadores, pode ser preocupante na avaliação de Spadale. “Trata-se de uma questão que afeta o estado do Rio, pois quase toda a exportação de laminados planos a quente para a União Europeia sai do Rio”, pontua. Das 264 mil toneladas do produto vendidas aos europeus, 98% são exportadas pelo Rio.

A Firjan está atenta aos possíveis efeitos futuros que afetem o mercado de aço, como o chamado dumping, quando um produto é vendido a preço abaixo do valor de mercado. “O Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Federação está conversando com o governo brasileiro e demais entidades setoriais para avaliar possíveis consequências de uma concorrência desleal”, sinaliza.

Principal produtora de aço no Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou que não comenta o cenário de mercado.

 

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