Familiares de vítima de feminicídio de Barra Mansa farão ato pedindo Justiça

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BARRA MANSA

Familiares e amigos da comerciante Viviane Ribeiro de Souza, de 46 anos, vítima de feminicídio no dia 11 de julho, no bairro Vila Orlandélia, farão uma passeata no próximo dia 25, no Centro, pedindo Justiça pelo crime. Viviane tinha duas filhas e deixou também dois netos, sendo o seu companheiro de nove anos de união o principal suspeito da morte. Fernando Muniz da Silva, de 35 anos, já tem mandado de prisão expedido pela 1ª Vara Criminal de Barra Mansa e é considerado foragido.

A passeata tem ponto de concentração marcado para as 10 horas, na Praça da Liberdade (na Avenida Joaquim Leite). Em seguida, prosseguirá até a 90ª Delegacia de Polícia.

O A VOZ DA CIDADE conversou com a família de Viviane, que se encontra indignada com a brutalidade do assassino. “Não sabemos ainda quem foi, se realmente foi o seu companheiro, mas independente de quem tenha cometido, queremos na cadeia, queremos preso”, disse Gabrielle da Silva de Souza, de 25 anos, sobrinha de Viviane.

Ela conta que Fernando não era o pai das filhas de Viviane, que hoje estão com 27 e 19 anos, e diz que a família não tinha conhecimento dele ser uma pessoa agressiva. “Sabíamos que ele tinha problemas com drogas e ela esteve sempre ao seu lado, inclusive ajudando em algumas internações para sair do vício. Nunca contou nenhum episódio de violência ou agressão. Contudo, não sabemos se ela estava sofrendo calada”, disse a sobrinha.

Filhas da vítimas estão promovendo uma campanha pedindo Justiça pela morte da mãe – Arquivo Pessoal

A irmã de Viviane, Priscilla Ribeiro de Souza, 36 anos, também se manifestou sobre o assunto. “Muitas pessoas julgam as vítimas de feminicídio sem saber a real história por trás de cada caso. A minha família, apesar de já ter passado um mês do assassinato da minha irmã e do fato de o Fernando estar foragido, ainda espera Justiça pela morte dela.

Nós não queremos que a Vivi seja mais um número, uma estatística e que isso fique por isso mesmo”, comentou.

Priscila cita que nos últimos meses foram uns cinco casos de feminicídio, cada um pior que o outro; e que alguns dos assassinos foram presos, outros não. “O problema são os números crescendo a cada dia. Alguns casos viram notícias de jornais de rede nacional, por que a mídia ainda faz as pessoas acreditarem que coisas assim acontecem em classes sociais mais baixas e quando acontece com pessoas instruídas, como a advogada do Paraná, eles dão maior atenção, maior ênfase”, lembrou, citando o caso da advogada Tatiane Spitzner.

Ela explica que a passeata é para chamar a atenção das pessoas e mostrar que isso pode acontecer com qualquer mulher e que muitas vezes elas não têm como se livrar de um relacionamento abusivo e acabam pagando com a própria vida. “Quero pedir mais amor e solidariedade, para destruir essa cultura de que não devemos nos meter em briga de marido e mulher. Minha irmã levou 42 facadas, ela deve ter gritado, pedido socorro. Os vizinhos ouviram, pois onde ela morava não tinha como ouvir. Ela e o Fernando não tinham histórico de brigas, então aqueles gritos não eram comuns”, expos.

IMAGEM DO SUSPEITO

A Polícia Civil divulgou no dia 19, a foto do suposto autor do feminicídio. O suspeito é o também comerciário Fernando Muniz, cujo mandado de prisão já foi expedido pela 1ª Vara Criminal de Barra Mansa.

De acordo com o delegado, Viviane teria saído do serviço por volta das 22 horas e seguiu para casa (na Rua Orlando Brandão), onde morava com Fernando. No dia seguinte, não compareceu ao trabalho (uma padaria perto do Cemitério Municipal), também não sendo encontrada pelos parentes. Um tio de Viviane conseguiu uma chave extra do imóvel com a sua filha, e foi até a residência tentar localizar Viviane. Ele a encontrou caída no chão, ao lado da cama do casal, já sem vida.  Na ocasião, seus documentos foram encontrados em Floriano, perto do Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO).

Segundo o delegado da 90ª Delegacia de Polícia, Ronaldo Aparecido de Brito, autor do pedido da prisão temporária, quem tiver informações sobre a localização do suspeito pode ajudar no trabalho da polícia, ligando para o telefone 3328-4863.