Família acusa hospital de negligência após morte de jovem em Volta Redonda

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VOLTA REDONDA

A família da jovem Janaína da Silva Mendes, de 23 anos, que residia no bairro Caieiras, acusa de negligência o Hospital Municipal Dr. Munir Raffur, no Retiro, em Volta Redonda que atualmente é administrado pela Organização Social Mahatma Gandi. Segundo denunciaram a mãe e o tio da paciente, Maria Suely da Silva Mendes, de 56 anos, e Cléber da Silva, de 58, respectivamente, foram 17 dias de angústia, dor e sofrimento. A alegação da família é de que Janaina deu entrada na unidade hospitalar com crise de lúpus e foi tratada de pneumonia e refluxo.

A dona de casa Suely contou ao A VOZ DA CIDADE, que a filha dela tinha sido diagnosticada com lúpus há nove meses e que no dia em que deu entrada no hospital estava com dores nas pernas, no peito, na cabeça, febre e ainda tossia muito. “Desde o início o problema da minha filha era a lúpus. Só que, no hospital, faltaram pouco me chamar de burra, pois como eu não sou médica estava dizendo o que a minha filha tinha. Desde então, comecei a viver dias de angústia, já que o diagnóstico dos médicos inicialmente foi pneumonia e depois refluxo”, contou a mãe, informando que ela fazia tratamento.

OUTRO TRATAMENTO

Ainda de acordo com a dona de casa, passaram os dias e a filha dela estava sendo tratada pelos médicos de pneumonia e refluxo. Somente uma semana antes dela falecer é que iniciaram o tratamento com corticoide, mas aí o quadro clínico dela foi se agravando. “Conforme acontece com portadores da lúpus, a minha filha já estava com a doença ativa no corpo e atacando

o pulmão e outros órgãos internos. E mesmo assim ela continuava sendo tratada de refluxo. Eu falei várias vezes que minha filha estava tendo febre, infecção de ouvido e de garganta e, principalmente no pulmão, mas os médicos ainda me respondiam com grosseria alegando que isso não existe”, denunciou a dona de casa, ressaltando que somente depois de 12 dias caíram na real e começaram a tratar a jovem da lúpus. “Se tivesse entrado com medicação de corticoide com a dose certa logo no início da crise, com certeza a milha filha estaria viva hoje”, completou a mulher.

Maria Suley explicou que somente uma semana antes da filha falecer é que os médicos começaram a tratá-la como deveria. “Mesmo assim, para não forçar o pulmão, ela deveria ter sido entubada, já que já estava vomitando sangue. Um médico chegou a falar que o sangue era da garganta no momento em que ela fazia força”, relatou, lembrando que somente depois que um médico viu quando a Janaina encheu uma toalha de sangue, mandou que ela fosse preparada para o CTI. “Naquele momento somente ele constatou a crise de lúpus na minha filha. Mesmo assim ela não foi entubada, o que ajudou mais enfraquecer o pulmão dela por causa da falta de ar”, completou.

TIO DENUNCIA

O tio da jovem também denunciou. Disse que, somente nas últimas horas de vida da jovem que a família foi informada que havia um medicamento, que não teve o nome divulgado pelos médicos, que poderia controlar a doença. Só que esse medicamento não constava no hospital. “E por ser de alto custo o hospital iria fazer o pedido da medicação, mas que necessitava de autorização da direção ou Secretaria de Saúde para a aquisição, mas como era final de semana, teria que aguardar até segunda-feira, data em que a minha sobrinha foi sepultada”, contou Cleber.

O tio da jovem lembrou ainda que mesmo assim, a família tentou de todas as formas conseguir o nome do medicamento para comprar fora, mas não conseguiram. “Fomos informados apenas que era muito caro e que só é vendido para hospitais. Corremos atrás, mas ninguém resolveu o problema”, contou indignado o tio da jovem. A mãe completa: “foi um descaso, uma falta de interesse de salvar a vida da minha filha, tiraram a minha filha de mim. Por isso, esse caso não vai ficar assim. Deixaram um buraco em mim. Vou lutar até o fim pela minha filha, por outras janainas e para que outras mães não sofram o que eu estou sofrendo agora. Minha filha foi tão jovem, trabalhava, sonhava, deixou uma filha de três anos. É muito sofrimento para nossa família”, prometeu, ressaltando que no sábado ela estava bem e que no domingo, 24, a noite quando a família chegou para a vista a jovem havia falecido. Disse que não teve tempo de entrar com o medicamento. “Se eles sabiam que esse medicamento seria necessário porque não entraram com ele antes”? Indagou a dona de casa, reforçando que ela não vai ficar deitada chorando e sim lutar para que casos como esses não se repitam.

OS E SECRETARIA DE SAÚDE FALAM SOBE O CASO

Segundo a nota, referente as falsas denúncias veiculadas em redes sociais, versando sobre assuntos relativos ao falecimento de uma adolescente no Hospital Municipal Dr. Munir Raffur, esta Instituição esclarece que tais denúncias são absolutamente inverídicas. “Objetivando a transparência nos serviços prestados, bem como levar a população usuária dos serviços de saúde a veracidade dos fatos, a Associação, esclarece que a paciente procurou a Unidade, na data 09/03/2019, e foi internada, apresentando agravo da doença de base “LÚPUS”.

“Ressaltamos que a paciente foi transferida para UTI da Unidade em função da evolução do quadro, sendo prestada toda assistência, incluindo medicamentos, exames e outros. Na data do dia 24/03/2019 a paciente foi a óbito as 18:35h com diagnóstico hemorragia alveolar difusa e anemia hemolítica”,  diz a nota, completando: “Ressaltando que o sangramento alveolar é uma condição gravíssima, de alta letalidade e associada à gravidade da apresentação da doença. É um reflexo da agressividade da apresentação do LES neste caso, assim como a hemólise.

Deixamos a disposição para maiores esclarecimentos e dos órgãos fiscalizadores, para apresentação do Relatório da Revisão de óbito que já se encontra no hospital. Não podendo ser divulgado, em anexo a esta nota de esclarecimento, por questões éticas e legais”, conclui a nota assinada pelo diretor técnico do Hospital, Hugo Barcelos Baliza.

Foi informado ainda que, seguindo todos os protocolos legais, sempre quando há um óbito no Hospital e neste caso também, foi aberto pela OS que administra o HMMR, um procedimento interno para avaliar  todos os procedimentos adotados pelos médicos. De forma independente a Secretaria de Saúde também abriu procedimento administrativo para apuração e confirmação dos fatos .

LAMENTÁVEL  FAKENEWS

A OS E SMS lamentam que pessoas inescrupulosas, não respeitam nem mesmo a dor da família, e sem qualquer referência médica, nem base científica, e com inverdades, tentam usar de um óbito num hospital público, para disseminar ódio através de mentiras e inverdades infundadas, com interesses escusos.

“À família, nossos sentimentos e a certeza de que o HMMR e a SMS estão prontos para receberem os parentes da paciente falecida para que, com base na total transparência, acompanhem de perto todos os procedimentos adotados”. A família contesta a nota, lembrando que tudo que foi postado nas redes sociais e falado à imprensa é a pura verdade. Ontem, a família, , mãe, irmão, dois tios e o companheiro da paciente, se reuniu com representantes do Hospital para obter o prontuário da jovem desde o dia da internação até a data do falecimento, além dos exames de tratamento que foram levados para a unidade na internação. Além disso, estiveram na Secretaria de saúde para o mesmo motivo e para cobrar apuração. Foi prometido que o caso será apurado.

 

3 Comentários

  1. E vai ficar assim? Vocês não podem acreditar em um depoimento de um diretor que quer proteger sua reputação e a reputação do Hospital!
    É uma dor enorme que essa mãe está sentindo por ter perdido a filha tão jovem, esses hospitais de volta redonda é uma merda com profissionais incompetentes ! JUSTIÇA JÁ !

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