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O cenário econômico brasileiro deve ter crescimento moderado em 2026 e com grandes desafios, levando em conta o ano eleitoral. É o que aponta o especialista em Finanças, Jeferson Carvalho, acrescentando ainda que o mercado de trabalho no Brasil, que apresentou um bom desempenho em 2024 e 2025, deve entrar em um período de desaceleração modesta em 2026.
“Com a economia desacelerando após a recuperação de 2025, para este novo ano as projeções são de cenário econômico de crescimento moderado. De acordo com um recente Boletim Focus, emitido pelo Banco Central e que resume as expectativas de mercado para os principais indicadores econômicos, temos uma previsão de crescimento do PIB em 2025 de 2,25%. Para 2026, a previsão é de um crescimento de 1,8%. Essa moderação pode ser explicada pela elevada taxa básica de juros que temos atualmente (15% ao ano). Nesse caso, mesmo se ela for reduzida em 2026, não dará impacto à produção de 2026, dada a defasagem do impacto de políticas monetárias na economia real”, destaca o professor de Finanças da Estácio.
Na avaliação de Carvalho, na cadeia de produção que rege o ambiente econômico e é formada três pelos setores primário (agropecuária), secundário (indústria) e terciário (serviços), a expectativa é de que o primeiro se mantenha estável ou com crescimento reduzido.
“Houve, ao longo do tempo, um crescimento robusto, mas dada a turbulência no comércio exterior em 2025 por conta do tarifaço dos EUA, o Brasil sofreu um impacto relevante no setor primário. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que as perspectivas para 2026 são positivas, devendo apresentar um aumento modesto de 1%”, diz.
Já a indústria, segundo o analista em finanças, deverá sofrer com a elevada taxa de juros que permanece reduzindo as margens de lucro e, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a estimativa é de uma alta de 1,1%, considerando uma redução da taxa Selic ao longo de 2026. Sobre o setor de serviços, este deve crescer 1,9% neste ano, de acordo com a CNI. “Mais uma vez, considera-se a redução da taxa Selic para esse cenário, reduzindo o custo do crédito para maior consumo”, afirma.
Maiores desafios econômicos para 2026
Carvalho diz que 2026 deverá ser um ano intenso e volátil, levando em conta o ano eleitoral, e cita os principais desafios:
“Para começar temos a questão fiscal e a dívida pública: o governo atual se caracteriza pelo comportamento de indutor de crescimento, ao ampliar gastos públicos e facilitar a concessão de crédito para o consumo. Nada disso é de graça, pois o crescimento desordenado da dívida pública, junto com a falta de controle nos gastos públicos promove um ambiente de risco, e o mercado vai precificar uma taxa de juros maior para direcionar capitais ao Brasil. Depois vem a questão da taxa básica de juros elevada: a expectativa da taxa Selic para 2026 é de 12% ao ano. Considerando um ano de eleições, presumo que dificilmente conseguiremos atingir esse patamar”, avalia o especialista.
Projeções para inflação e Selic
Sobre a projeção para a inflação em 2026, o professor de Finanças explica que, por um lado, a taxa de juros prejudica, mas por outro, ajuda.
“O Banco Central do Brasil mantém controlada a taxa de inflação. Dada a restrição aos recursos monetários (taxa de juros elevada), o consumo e a oferta retraem, reduzindo a aceleração dos preços. Entretanto, temos fatores internos e externos que podem pressionar a taxa de inflação para cima. Hoje, percebe-se uma dificuldade na contratação de mão de obra. Provavelmente, teremos pressões salariais para o emprego da mão de obra. Maior renda da população leva à pressão por consumo, ao mesmo tempo que temos maiores custos salariais das empresas, que os repassam aos produtos. É um ‘problema’ que promove crescimento, pelo menos”, destaca.
Citando o impacto do tarifaço dos Estados Unidos em 2025, Carvalho diz que estima-se um aumento dos preços de alimentos (principalmente carne bovina) em 2026, devido à redução da oferta de animais, e que além disso há o risco cambial e, principalmente, o comportamento dos preços internacionais das commodities que o Brasil exporta.
Já sobre a taxa Selic, a expectativa é de mantê-la em 12% até o final de 2026.
“O que poderia forçar o Banco Central a elevar ainda mais essa taxa seria um ambiente econômico volátil e imprevisível, principalmente considerando as decisões tomadas pelo governo do Brasil ao longo da corrida eleitoral. Basicamente, se o risco Brasil aumentar, infelizmente veremos a taxa em patamares ainda mais elevados”.
Mercado de trabalho
Segundo Carvalho, o mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho surpreendentemente em 2024 e 2025, um mérito das políticas econômicas do governo atual, mas deve entrar em um período de desaceleração modesta em 2026, resultado do crescimento reduzido que se espera do PIB em 2026.
“Existe espaço quando se observa crescimento de produtividade e controle da inflação. Caso essas condições sejam atendidas, poderemos observar o crescimento real dos salários em 2026. Um ponto de atenção é a possibilidade da eliminação da jornada de trabalho 6×1; havendo isso, haverá um ganho real imediato, dada a redução da carga horária do trabalhador e manutenção do salário”.
Custo de vida, emprego e crédito
Jeferson Carvalho destaca que em relação ao custo de vida, é esperado um alívio da inflação, mantendo-se dentro da meta. Sobre o mercado de trabalho, a tendência é de leve aumento da taxa de desemprego, embora esteja em patamares mínimos. Já sobre o crédito, este deve começar a ficar menos proibitivo, dada a tendência de redução da Selic.
“As projeções para 2026 são de um ano de ajuste pequeno, não sendo ruim para o brasileiro comum, dadas as conquistas obtidas nos indicadores socioeconômicos ao longo do atual governo. Mas é um ano de eleições e dependendo das decisões que o governo atual tomar, poderemos observar um cenário econômico no Brasil ainda mais volátil”, finaliza o professor da Estácio.





