Dossiê Mulher 2021 aponta para a alta taxa de violência contra a mulher no interior

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RIO/SUL FLUMINENSE

Assédio, tortura, violências sexual e psicológica, agressões por parceiros ou familiares, bem como perseguição, feminicídio, além de muitos outros.  No ano em que a promulgação da lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, completa 15 anos, o Instituto de Segurança Pública (ISP), pelo 16º ano consecutivo, divulgou novo diagnóstico dos principais crimes relacionados à violência contra a mulher no Estado do Rio de Janeiro. Os dados referentes ao ano base 2020 demonstram que no contexto do cenário da pandemia da Covid-19, a violência contra as mulheres cresceu significativamente. O documento está exposto no Dossiê Mulher 2021. Nele, entre tantos destaques assustadores, chama atenção a alta de violência contra a mulher no interior, que ultrapassa margem até mesmo da Capital em estatísticas.

Em relação ao ano de 2020, o documento observou que a média mensal de 23 vítimas de homicídio doloso, no ano de 2019, foi quase o dobro, 45. A região do Estado em que mais ocorreram homicídios dolosos e tentativas de homicídio foi o interior, com 110 vítimas de homicídio, 78 delas de feminicídio (sendo que em todo o Estado foram 446) e 260 de tentativa do mesmo crime no interior, sendo no total, no Estado,  foram 543. A contagem da estática divide o Estado em quatro núcleos dentro da pesquisa, tendo além do interior, Baixada Fluminense, Capital e Grande Niterói. Nos segundo deles foram 73 vítimas de feminicídio e 126 de tentativa; Capital 71 e 120, respectivamente, e na Grande Niterói com 24 e 37 vitimas de feminicídio e tentativa.

A representante da Região do Médio Paraíba e Conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM), Inês Pandeló, destaca que esses são dados sérios e que precisam de atenção especial enquanto desenvolvimento e criação de políticas públicas de proteção e cuidado com as mulheres. “A pandemia da Covid-19 impactou decisivamente a vida das mulheres, com aumento do desemprego e da violência doméstica e ainda hoje continua produzindo reflexos diante da crise econômica e social vivenciada no Brasil”, destacou.

Pandeló lembra que das 78 vítimas de feminicídio, 52 eram mães, e 34 tinham filhos menores de idade. “Apenas nove delas tinham medidas protetivas contra o companheiro”, disse, explicando que os companheiros ou ex-companheiros representam a maioria dos autores dos crimes (78,2%). “Quase 75% das mulheres foram mortas dentro de uma residência e mais da metade das vítimas tinha entre 30 e 59 anos de idade (57,7%) e era negra (55,1%)”, completou.

No documento, com relação ao crime de estupro, o Dossiê aponta para 5.645 casos de violência sexual em 2020, número 15,8% menor que o de 2019. Ou seja, uma média de 15 por dia, ou um a cada uma hora e meia. Na análise dos crimes, se destaca o estupro de vulnerável (2.754), que é mais que o dobro dos casos registrados em 2020. Em média, sete meninas com até 14 anos foram estupradas por dia no Estado.

No Brasil, foram registradas 105.821 denúncias de violência contra as mulheres em 2020, por meio das plataformas do Ligue 180 e Disque 1004. Foram registrados, entre os com mais destaques, 33.371 casos de lesão corporal culposa, 30.468 por ameaça e 19.312 casos de injúria.

O documento também destaca o descumprimento de medidas protetivas, chamando atenção entre alguns municípios. Entre os do interior Sul Fluminense, destaque para Comendador Levy Gasparian e Volta Redonda.

“Esses números são estarrecedores e nos causa grande indignação. Estamos sempre buscando conscientizar a sociedade sobre a necessidade de erradicar as agressões contra a mulher e divulgar os mecanismos legais para coibir a violência de gênero”, finaliza Inês Pandeló.