BARRA MANSA
Durante o mês de novembro, a campanha Novembro Azul reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata, o segundo tipo mais comum entre os homens brasileiros. A biomédica e docente da Nova UBM, Bruna Karoline Lima Piazera, explica que o acompanhamento médico regular e a realização de exames simples podem fazer toda a diferença no tratamento e na sobrevida dos pacientes. “Os dois exames mais importantes na detecção precoce do câncer de próstata são o PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque retal. O PSA é um exame de sangue simples, capaz de indicar alterações no funcionamento da próstata. Já o toque retal, feito pelo urologista, permite identificar possíveis nódulos ou endurecimentos suspeitos”, esclareceu Bruna.
Ela ressalta que novas tecnologias têm contribuído para diagnósticos cada vez mais precisos. “Nos últimos anos, testes como o PHI (Prostate Health Index) e o 4Kscore têm ajudado a reduzir o número de biópsias desnecessárias, oferecendo resultados mais confiáveis”, avaliou.
A professora ainda destaca que, além dos exames convencionais, a biomedicina tem papel essencial na detecção precoce do câncer de próstata. “Os biomédicos desempenham papel fundamental na prevenção e no diagnóstico de doenças masculinas. São eles os responsáveis pela realização e validação de novos testes moleculares e pelo controle de qualidade nos laboratórios clínicos. Além do trabalho técnico, a biomedicina também atua na pesquisa de novos biomarcadores e no desenvolvimento de tecnologias diagnósticas, aproximando a ciência da prática clínica”, pontuou.
Biópsias líquidas
Segundo a docente, os avanços nos biomarcadores vêm revolucionando o diagnóstico da doença. “Testes como o PHI e o 4Kscore ajudam a identificar tumores mais agressivos. Já os biomarcadores urinários, como o PCA3 e o ExoDx, oferecem alternativas não invasivas e de alta precisão. Outro campo promissor é o das biópsias líquidas, que analisam fragmentos de DNA tumoral no sangue, permitindo acompanhar a doença sem necessidade de novos procedimentos invasivos”, explicou.
Mas o papel do biomédico vai além do laboratório. “Mais do que profissionais de laboratório, os biomédicos também atuam como agentes de conscientização. Em campanhas de saúde pública, eles ajudam a esclarecer mitos, orientar sobre a importância dos exames e promover ações educativas em empresas, escolas e comunidades”, observou.
Essas ações, segundo ela, têm impacto direto na adesão aos exames preventivos. “Quando os homens são bem-informados, a adesão aos exames aumenta consideravelmente”, enfatizou.
Entretanto, a docente ressalta que os desafios ainda persistem. “Apesar dos avanços, os profissionais enfrentam obstáculos como a padronização dos testes laboratoriais, o alto custo de novos exames e a necessidade de equipamentos de ponta. Além disso, o preconceito e o medo de parte da população masculina ainda dificultam o rastreamento precoce da doença.”
Para superar essas barreiras, Bruna defende a importância da comunicação empática e acessível. “Campanhas de educação em saúde, com linguagem clara e acolhedora, ajudam a desmistificar o exame. É importante reforçar que o toque retal é rápido, seguro e salva vidas. A oferta de alternativas, como o PSA e exames complementares, também pode ajudar os homens a se sentirem mais confortáveis”, disse.
Ela conclui lembrando que o acolhimento é parte essencial do cuidado. “A presença de profissionais capacitados e sensíveis durante as consultas é determinante para reduzir a resistência e incentivar a prevenção”, finalizou a especialista.