Desemprego chega a 14,4% no trimestre encerrado em agosto

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SUL FLUMINENSE

A pandemia do coronavírus provocou aumento de 1,6% na taxa de desemprego no trimestre terminado em agosto no país, atingindo 14.4%. É a maior taxa  registrada na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012, segundo dados divulgados hoje, dia 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A PNAD Contínua indica que o número de desempregados atingiu 13,8 milhões, aumento de 8,5% frente ao trimestre anterior. São cerca de 1,1 milhão de pessoas a mais à procura de emprego frente ao trimestre encerrado em maio.

De acordo com a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, o aumento na taxa de desemprego é um reflexo da flexibilização das medidas de isolamento social para controle da pandemia de Covid-19. “Esse aumento da taxa está relacionado ao crescimento do número de pessoas que estavam procurando trabalho. No meio do ano, havia um isolamento maior, com maiores restrições no comércio, e muitas pessoas tinham parado de procurar trabalho por causa desse contexto. Agora, a gente percebe um maior movimento no mercado de trabalho em relação ao trimestre móvel encerrado em maio”, explica.

Nas cidades da região, ainda que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados indique saldo positivo de empregos em setembro na maioria das cidades, ainda há um volume considerável de pessoas em busca de uma chance no mercado de trabalho. O operador de empilhadeira Renato da Silva, 46, perdeu o emprego em abril e não consegue retomar um posto na área automotiva. “Chegou o fim de ano e as minhas esperanças reduzindo. Em breve as montadoras devem iniciar o ciclo de férias coletivas e nesse período nada de contratação. Conto com a ajuda da esposa e familiares, ela trabalho em uma empresa de vendas de roupas. Busco emprego a todo instante e o mercado apresenta poucas oportunidades. É preciso que a pandemia termine”, comenta o morador de Porto Real.

O número de empregados com carteira assinada caiu 6,5%, chegando a 29,1 milhões de pessoas – Fábio Guimas

Segundo o IBGE, o número de pessoas ocupadas no país caiu 5% na comparação com o trimestre encerrado em maio, totalizando 81,7 milhões. Com essa retração de 4,3 milhões de pessoas, esse é o menor contingente já registrado na série da pesquisa. Quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, a queda é de 12,8%, o que representa 12 milhões de pessoas a menos no mercado de trabalho. Beringuy afirma que, no trimestre anterior, havia a perda da ocupação e o aumento da inatividade, ou seja, as pessoas perdiam seus empregos, mas não estavam pressionando o mercado em função das medidas mais restritivas de isolamento social. Com isso, o nível de ocupação foi de 46,8%.

No mesmo período, o número de empregados com carteira assinada caiu 6,5%, chegando a 29,1 milhões de pessoas, o menor contingente da série. É uma retração de dois milhões de pessoas com trabalhos formais. A perda de ocupação tem ocorrido em todas as formas de inserção no mercado de trabalho, mas o trabalhador informal foi o mais impactado nos primeiros meses das medidas de isolamento social. “A perda de ocupação entre os informais está sendo menor frente ao trimestre encerrado em maio. Já entre os trabalhadores com carteira assinada, essa perda não diminuiu de intensidade. O trabalhador informal tem essa volatilidade: foi o primeiro a ser impactado e é o primeiro a retomar essas atividades, ainda que com uma perda muito grande de ocupação”, explica Adriana Beringuy.

A taxa de informalidade no trimestre encerrado em agosto foi de 38%, o que equivale a 31 milhões de trabalhadores que trabalham por conta própria ou que não têm carteira assinada. Já no trimestre anterior, esse percentual foi 37,6%.

OCUPAÇÃO NA AGRICULTURA

Houve crescimento na população ocupada em apenas um dos dez grupamentos de atividade no trimestre encerrado em agosto. O número de pessoas ocupadas em Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura aumentou 2,9% no trimestre, o que representa 228 mil pessoas a mais trabalhando no setor. No mesmo período, a população ocupada da Indústria caiu 3,9%, perdendo 427 mil trabalhadores, enquanto Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas teve retração de 4,7%, ou menos 754 mil pessoas. Já na Construção, o cenário foi de estabilidade.

A volta-redondense Samara Camargo, 31 anos, perdeu o emprego no comércio da cidade em julho. Atualmente desempregada ela critica as medidas dos governos federal e municipal para amenizar a crise. “O comércio demorou a ter flexibilização na nossa região e isso prejudicou demais os empresários que cortaram as despesas em cima da gente, o trabalhador. São três meses parada utilizando o seguro-desemprego, mas isso é pouco. Tem que haver um esforço para que todos os setores contratem mais. A expectativa de momento é encaixar em alguma loja para as vendas de fim de ano”, argumenta.

O número de pessoas ocupadas no setor da agricultura aumentou 2,9% no trimestre – Divulgação

FORÇA DE TRABALHO TEM REDUÇÃO

O contingente da força de trabalho, soma das pessoas ocupadas e desocupadas, caiu 3,2% em relação ao trimestre anterior, chegando a 95,5 milhões de pessoas. O número representa uma retração de 3,2 milhões de pessoas. No mesmo período, houve um aumento de 4,2 milhões de pessoas na população fora da força de trabalho, que agora é estimada em 79,1 milhões.

Já a força de trabalho potencial, que inclui pessoas que não estavam nem ocupadas nem desocupadas, mas que possuíam potencial para se transformar em força de trabalho, aumentou 14,2%, totalizando 13,6 milhões de pessoas. “A força de trabalho potencial vem crescendo progressivamente porque muitas pessoas que perderam a sua ocupação ao longo desses meses não passaram a pressionar o mercado, mas foram para inatividade. Elas alegavam que não estavam achando trabalho, seja por falta na localidade ou pelos efeitos da pandemia terem inviabilizado essa busca”, explica Beringuy.

Subgrupo da força de trabalho potencial, o número de pessoas desalentadas – aquelas que não procuraram trabalho, mas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis – aumentou 8,1%, totalizando 5,9 milhões, o maior número já registrado na série histórica. São 440 mil pessoas a mais nessa situação. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o aumento foi de 24,2%. À época, havia no Brasil 4,7 milhões de pessoas desalentadas.