SUL FLUMINENSE
A Receita Federal do Brasil anunciou nesta segunda-feira (16), o prazo oficial para a entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025), que deverá ser feita do dia 23 de março até o dia 29 de maio. Os contribuintes já devem redobrar a atenção, pois dados recentes mostram que erros simples, muitos deles evitáveis, continuam sendo os principais responsáveis por retenções na chamada malha fina, atrasando restituições e exigindo regularizações posteriores.
Considerado um dos tributos mais importantes do país, o Imposto de Renda é calculado com base nos rendimentos recebidos no ano anterior. Apesar de ser uma obrigação anual, mudanças frequentes nas regras ainda geram dúvidas e insegurança no momento do preenchimento.
De acordo com o contador Uanderson Rebula de Oliveira, pós-graduado em Controladoria e Finanças, a maior parte dos problemas ocorre por inconsistências entre os dados informados pelo contribuinte e aqueles enviados por empresas, bancos e instituições de saúde.
“Quando o contribuinte envia a declaração, a Receita Federal realiza uma checagem automática das informações. O sistema cruza o que foi declarado com os dados fornecidos por outras fontes, como salários, aplicações financeiras e despesas médicas”, explica, ressaltando que, se houver divergência, a declaração é separada para análise mais detalhada — processo conhecido como malha fiscal, ou popularmente malha fina.
No IRPF 2025 (ano-base 2024), foram entregues 45.645.935 declarações. Desse total, 3.971.267 — cerca de 8,7% — ficaram retidas para verificação. Rebula, que é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Estácio Volta Redonda, tranquiliza o contribuinte ao observar que cair na malha fina não significa necessariamente fraude ou erro grave.
“Muitas vezes, trata-se apenas de informação digitada incorretamente, diferença de valores ou falta de documentos comprobatórios. Enquanto a situação não é regularizada, a restituição fica bloqueada”, afirma.
Para acompanhar possíveis pendências na declaração, o contribuinte precisa estar atento ao aplicativo “Meu Imposto de Renda”, disponível online e para dispositivos móveis.
Principais erros que levam à malha fina
Segundo dados da Receita Federal, os motivos mais comuns de retenção das declarações são:
- Deduções incorretas — despesas médicas e educacionais sem comprovação lideram os casos (32,6%)
- Rendimentos não declarados — omissão de salários, aluguéis ou rendimentos de dependentes (30,8%)
- Erros nas deduções do imposto devido — informações incorretas sobre previdência privada ou doações (16%)
- Divergência com fontes pagadoras — valores de IR retido diferentes dos informados pelas empresas (15,1%)
- Confusão entre PGBL e VGBL — preenchimento incorreto dos planos de previdência
- Dependentes com dados incompletos — rendimentos ou bens não informados
Nova faixa de isenção amplia benefício, mas só valerá em 2027
Outra novidade importante para os contribuintes é a ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5.000 mensais. Quem ganha acima desse valor entrará em uma regra de transição, com redução gradual da tributação até cerca de R$ 7.350.
Segundo Rebula, a mudança busca corrigir o chamado “efeito degrau”, quando um pequeno aumento salarial resultava em cobrança proporcionalmente maior de imposto. “Foi criado um redutor adicional para que o imposto cresça de forma gradual, sem anular o ganho de renda do contribuinte”, explica.
No entanto, o especialista alerta que a nova regra não se aplica à declaração do Imposto de Renda 2026. “Essas mudanças incidem sobre os rendimentos obtidos ao longo do ano em curso e só aparecerão no ajuste anual a ser entregue em 2027”, conclui o professor da Estácio.