Comércio representa 46% de todas as empresas inadimplentes, afirma CNDL/SPC

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SUL FLUMINENSE

O número de empresas com contas em atraso e registradas no cadastro de inadimplentes apresentou crescimento de 7,44% no fechamento de 2018 na comparação com 2017, segundo os dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). No ano passado, a única região a destoar foi o Sudeste, que encerrou o ano de 2018 com alta de 13,03% na quantidade de empresas inadimplentes.

Dados abertos por setor da economia revelam que o aumento da inadimplência foi maior entre as empresas que atuam no ramo de serviços, cuja alta foi de 10,87% em dezembro de 2018 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os atrasos entre empresas do comércio cresceram 5,13%, ao passo que na indústria, a alta foi de 4,12%. No total, quase 46% de todas as empresas que estão negativadas pertencem ao setor do comércio.

O dado reflete a situação de diversas empresas do Sul Fluminense, como as do empresário Manoel Dias, que quase fechou as portas em 2018 após a greve dos caminhoneiros com o atraso da remessa de mercadorias de vestuário e alimentos. “Tenho dois estabelecimentos e tivemos muitas dificuldades no ano passado, a ação das estradas paradas na greve dos caminhoneiros me prejudicou muito. As vendas deixaram de acontecer e até retomar o ritmo ainda permaneço negativado. São situações que afetam meu lucro e a vida dos funcionários, ameaçados de demissão. Confio na alta da economia para aprumar meus negócios”, comenta o morador de Porto Real.

Segundo os dados da CNDL/SPC, entre os segmentos credores, ou seja, as empresas que deixaram de receber de outras empresas, o destaque também ficou por conta do setor de serviços, que engloba bancos e financeiras, cuja alta foi de 6,26% na quantidade de atrasos. Em segundo lugar ficaram as indústrias, com crescimento de 3,18%, seguido do comércio, com alta de 2,17%.

Em termos de participação, 36% das pendências de empresas são devidas ao setor de serviços, 17% a empresas comerciais e 12% a indústria. “Ainda tenho contas a liquidar, afinal a rotina do empresário brasileiro é uma aventura. Um país repleto de impostos que oneram as finanças. Entendo esses dados como um reflexo do que eu e muitos outros enfrentamos rotineiramente. A economia do Brasil é uma gangorra e ficar em dia é uma batalha constante”, opina a comerciante Samara de Araújo, de Barra Mansa.

RECUPERAÇÃO

Por outro lado, a recuperação de crédito, ou seja, o movimento de quitação de dívidas em nome de pessoas jurídicas, aumentou 12,20% em dezembro de 2018. “Embora a saúde financeira das empresas ainda não tenha voltado ao patamar anterior à crise, o ano de 2018 foi um pouco melhor em vendas do que os anteriores, o que deu um fôlego maior para as empresas conseguirem honrar seus compromissos financeiros e organizar pendências. Nota-se que a situação da inadimplência no âmbito corporativo está mais contornável do que entre as pessoas físicas”, explica o presidente da CNDL, José Cesar da Costa.

O Indicador de Inadimplência das Empresas sumariza todas as informações disponíveis nas bases de dados da CNDL e do SPC Brasil. As informações englobam dados das capitais e cidades do interior das 27 unidades da federação.

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