Ciência aponta que preguiça faz bem à saúde física e mental

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BRASÍLIA

Você se sente culpado quando tem alguma tarefa para fazer, mas prefere ficar deitado na cama ou no sofá? A sua preguiça pode até ser malvista pelas outras pessoas, mas a ciência indica que não fazer nada de vez em quando, na verdade, faz bem à saúde física e mental. Acredite se quiser: a preguiça também pode servir de estímulo para a criatividade e até mesmo para aumentar a eficiência.

O criador da Microsoft, Bill Gates, por exemplo, já disse que escolheria uma pessoa preguiçosa para fazer um trabalho difícil, pois ela descobriria o jeito mais rápido de fazê-lo.

O que diz a ciência?

A ciência também concorda. O pesquisador Masud Husain, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, analisou as reações e o cérebro de pessoas preguiçosas e não preguiçosas. Os participantes, que foram categorizados como motivados, apáticos e meio-termo, responderam a um questionário que avaliava como eles reagiam a uma tarefa que exigia esforço físico, mas trazia recompensas no final.

“Variávamos a recompensa e o esforço exigido para consegui-la. O esforço consistia em apertar com as mãos para conseguir a recompensa”, explicou ele à BBC. O resultado dos questionários não trouxe surpresas: os preguiçosos estavam menos propensos a se esforçar demais, mesmo que por uma recompensa.

O que surpreendeu a equipe de pesquisa foram os resultados das tomografias cerebrais. Isso porque se descobriu que o cérebro das pessoas apáticas tinha nível de atividade maior durante as tomadas de decisão se comparado ao dos outros grupos. Ou seja, o cérebro dos preguiçosos trabalha mais e, portanto, é mais ativo.

A preguiça é problemática porque a sociedade a caracteriza assim. Segundo Anastasia Burge, pesquisadora e professora de filosofia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, no passado, as atitudes preguiçosos eram punidas severamente. Na União Soviética, por exemplo, as pessoas podiam ser processadas por ‘parasitismo social’.

A especialista conta que o poeta Joseph Brodsky foi julgado e questionado: ‘O que você está fazendo? Qual é seu trabalho? Qual é sua profissão?’. Ao responder que era poeta, carreira que juízes não conseguiam compreender, ele foi enviado para um campo de trabalho forçado. Mas conseguiu fugir.

No mundo moderno, em que as pessoas são cobradas para estarem sempre buscando melhorar, ser mais rápidas e eficientes para estar à frente na competitividade do mercado de trabalho, a preguiça não é uma característica benéfica.

Mas as novas gerações enxergam o ‘fazer nada’ como um momento de autocuidado que ajuda o corpo e a mente. “Nossa geração está cuidando de si mesma. Nós não conseguimos pagar nossa hipoteca mesmo depois de sessenta anos de trabalho. Então percebemos que trabalhar até morrer não é um estilo de vida que dá para manter”, comentou Lucy.

Para ela, essa tendência deve aumentar entre as pessoas mais jovens. “É cada vez mais comum escolher um estilo de vida que seja sustentável pela vida toda. É autocuidado e consciência sobre nosso corpo e nossa mente. Isso inclui tirar um tempo para si”, concluiu.

 

 

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