Cesária colocaria vida de grávida em risco, diz diretora do Hospital da Mulher

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BARRA MANSA
O A VOZ DA CIDADE recebeu nesta sexta-feira, dia 30, uma denúncia do morador Igor Emanuel de Oliveira Basílio, de 21 anos, morador do bairro Jardim América. Segundo ele, sua esposa descobriu quinta-feira, dia 29, que perdeu seu filho no oitavo mês de gestação e deu entrada no Hospital da Mulher para realizar uma curetagem. Porém, segundo Igor, ela estava na ocasião da entrevista, por volta das 13 horas, há quase 24 horas aguardando uma providência, para que fosse feita uma cesariana, mas nada tinha sido ainda feito. A família acredita que a unidade está aguardando para forçar que a mesma ganhe através de parto normal. A direção do Hospital da Mulher informou que a jovem não estava há 24 horas no hospital sem nada ser feito e informou todo procedimento que a unidade deve seguir nesses casos.
Igor Emanuel disse que não estava gostando do tratamento dado na unidade hospitalar. “Estou achando uma vergonha esse tratamento. Minha esposa perdeu nosso neném, nosso anjinho, e viemos para o Hospital da Mulher. Mas eles estão se negando a fazer a cesariana nela. Eles estão enrolando e não querem fazer nada, não se preocupam nem em dar um remédio para ela”, comenta expos o marido de Ana Claudia Souza Ferreira, que tem 21.
A respeito dessa situação, a diretora geral do Hospital da Mulher, Fernanda Chiesse, informou que desde que a jovem deu entrada, por volta das 18 horas de quinta-feira, dia 29, tem sido atendida prontamente, com todas as explicações do procedimento informadas a ambos. A diretora médica do local, Dra. Mariana Xavier, informou que nesses casos cesariana não é o protocolo e não é indicado pelo Ministério da Saúde que segue protocolo internacional. “O parto normal é o indicado. Quando internou na quinta a noite foi passada uma medicação para ela subir ao quarto porque estava muito nervosa. Eu mesma passei visita pela manhã e o procedimento para indução foi iniciado. É um medicamento inserido pela vagina para que as dores do parto comecem. Ela estava sozinha no quarto quando fui de manhã. Expliquei tudo e ela entendeu. O remédio é aplicado a cada seis horas e se em 24 horas não tiver o efeito é preciso esperar 12 horas para começar de novo”, disse a médica.
Além disso, se o procedimento da cesariana fosse feito a jovem poderia correr risco de morrer. “Uma cesariana corre o risco de infecção já que o neném está morto há algum tempo, uma trombose, uma hemorragia. O útero dela não está preparado para ser cortado e receber neném. Seguimos o procedimento do Ministério da Saúde, mas entendemos perfeitamente a questão da dor, da tristeza, mas ela está sendo muito bem atendida”, completou.
SEGUNDA-FEIRA
Ao A VOZ DA CIDADE, Igor Emanuel contou que sua esposa na segunda-feira, dia 26, não se sentiu bem e teve algumas dores na barriga. Eles foram ao Hospital da Mulher, mas um atendente disse que já era tarde para uma internação. “Eles tentaram ouvir o coraçãozinho do meu filho, mas não conseguiram. Disseram que talvez o excesso de líquido estivesse atrapalhando. Passaram uma receita médica e nos liberaram”, lembrou, dizendo que comprou o remédio passado e na quinta foi fazer um ultrassom fora da rede pública quando descobriu que o filho estava morto. Disse que foi aí que retornaram ao Hospital da Mulher.
O pai, que implora socorro, diz que teme até pela vida da esposa, que sente dores. “A médica, quando eu cobrei dela uma posição, olhou para mim e disse que não é assim que as coisas funcionam. Que preciso esperar o tempo deles. Acho um desaforo, tanto por nós, quanto pelas pessoas que estão aqui dentro aguardando tratamento e por muitas outras que ainda dependerão dele. Nada vai trazer nosso filho de volta, mas só eles (Hospital da Mulher) podem amenizar um pouco da nossa dor”, finalizou Igor Emanuel.
A respeito dessas informações, a médica Mariana Xavier informou que eles estiveram na segunda-feira no Hospital da Mulher e lá foi pedido que eles voltassem na manhã de terça para que exames fossem realizados. “Só que não voltaram, apenas na quinta-feira à noite. Na quinta eles foram ao pré-natal e o enfermeiro não escutou o coração da criança e mandou ela ir direito ao hospital. Temos tudo registrado”, afirmou. “Desde a hora que ela foi internada até agora foi muito bem assistida pelo Hospital da Mulher. Até mesmo o fato de esperar amanhecer, dando um remédio para ela se acalmar, para o procedimento para indução começar de manhã, o cuidado com ela, estamos tendo porque é uma situação muito triste e que merece todo o carinho para ser tratada. Eu mesma conversei com ela hoje três vezes para explicar e ela está bem, entendeu tudo”, completou a diretora geral do local, Fernanda Chiesse.

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