Central de britagem sustentável transforma resíduos em base para a Nova Serra das Araras

Estrutura estratégica é responsável pelo reaproveitamento integral dos resíduos gerados nas detonações de rochas e nos serviços de pavimentação

Por Carol Macedo
já foram realizadas mais de 200 detonações magela bastos

PIRAÍ/SEROPÉDICA
A construção da Nova Serra das Araras, na Via Dutra (BR-116), avança como uma das maiores obras viárias em andamento no país e também como referência em práticas sustentáveis aplicadas à engenharia pesada. Um dos principais pilares desse compromisso ambiental é a Central de Britagem, estrutura estratégica responsável pelo reaproveitamento integral dos resíduos gerados nas detonações de rochas e nos serviços de pavimentação.

Executada pela RioSP, uma empresa Motiva, a obra tem como objetivo ampliar a capacidade e a segurança do trecho entre os quilômetros 225 e 233 da rodovia, na divisa entre os municípios de Piraí e Paracambi. O projeto prevê a implantação de novas pistas com quatro faixas por sentido, acostamentos, 24 viadutos e melhorias operacionais que devem reduzir o tempo de percurso em até 50%, elevando a velocidade média de 40 km/h para 80 km/h. Atualmente, os trabalhos estão com 60% de avanço físico, com conclusão prevista para 2029.

Reaproveitamento total do material rochoso

Desde o início das obras, em abril de 2024, já foram realizadas mais de 200 detonações, que resultaram na retirada de cerca de 350 mil metros cúbicos de material rochoso. Todo esse volume é direcionado à Central de Britagem, instalada dentro do próprio canteiro de obras, onde passa por beneficiamento e é transformado em brita, pó de pedra e macadame.

Segundo o gerente de implantação da Nova Serra das Araras, Virgílius Morais, o reaproveitamento do material é integral. “Todo o material rochoso que é detonado durante os fechamentos da rodovia vai para a central de britagem. Lá, ele é beneficiado de acordo com o diâmetro necessário e reaproveitado em camadas de aterro, pavimento ou na concretagem”, explicou.

Além das rochas, a obra também reutiliza o asfalto fresado retirado durante os serviços de manutenção e restauração do pavimento. Esse resíduo é transformado em RAP (Reclaimed Asphalt Pavement), insumo de alto desempenho ambiental. De acordo com a concessionária, cerca de 13 mil toneladas de material asfáltico reciclado estão sendo utilizadas na pavimentação, reduzindo a demanda por insumos de origem fóssil e contribuindo para a diminuição da pegada de carbono do empreendimento.

Economia, logística e ganhos ambientais

O coordenador de engenharia da RioSP, Tiago Pinho Batista, destaca que a reutilização do RAP representa uma mudança significativa na gestão de resíduos da construção rodoviária. “O material que antes não tinha mais utilidade no pavimento passa por beneficiamento e é incorporado novamente à estrutura. O que antes era resíduo, hoje se torna parte do pavimento”, afirmou.

Segundo a concessionária, o material fresado já é utilizado em 100% dos preenchimentos de acostamento, 69% nas reciclagens estruturais e entre 15% e 25% na produção do CBUQ, a massa asfáltica aplicada na rodovia. Em 2025, foram recuperados 541 quilômetros de faixa, com aplicação de 136 mil toneladas de misturas asfálticas. Para 2026, a previsão é restaurar 1.543 quilômetros de faixa.

Sustentabilidade como diretriz da obra

As práticas sustentáveis vão além do reaproveitamento de rochas e asfalto. Ao todo, as escavações da Nova Serra das Araras geram cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de material de corte. Desse volume, aproximadamente 700 mil m³ são de material rochoso e outros 1,8 milhão de m³ correspondem a solo e material terroso menos denso, que também são reaproveitados majoritariamente nos aterros da própria obra, contribuindo para a estabilização e o nivelamento de terrenos ao longo do traçado da rodovia.

O empreendimento conta ainda com monitoramento ambiental contínuo. A RioSP acompanha a qualidade da água de três cursos d’água próximos à obra e realiza o controle da qualidade do ar, com equipamentos que medem partículas em suspensão. Até o momento, os resultados permanecem dentro dos limites estabelecidos pelas resoluções do Conama.

No campo da fauna e flora, o projeto ambiental aprovado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) já garantiu o resgate e a realocação de centenas de espécies vegetais e animais, permitindo que a obra avance com responsabilidade socioambiental.

Engenharia que deixa legado

Com investimento de R$ 1,5 bilhão apenas na Nova Serra das Araras, o empreendimento integra um plano mais amplo de concessão. Ao longo de 30 anos, a RioSP prevê investir cerca de R$ 26 bilhões na modernização, ampliação e manutenção das rodovias Via Dutra e Rio-Santos.

A Central de Britagem simboliza esse novo modelo de engenharia, no qual grandes obras deixam de ser sinônimo de desperdício e passam a representar eficiência, inovação e compromisso ambiental. Na Nova Serra das Araras, cada rocha detonada ganha uma nova função — e ajuda a construir uma rodovia mais segura, moderna e sustentável.

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