Cartão segue como principal ferramenta de crédito, afirma CNDL

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SUL FLUMINENSE

O mês de agosto foi marcado pelo uso mais assíduo de crédito pelos consumidores, ao menos é o que expressa pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e o SPC Brasil. No oitavo mês do ano 49% dos entrevistados recorreram ao crédito. Deste montante, 44% usaram cartão de crédito no período e 38% têm a percepção de que os juros estão mais altos. Ao menos três em cada dez brasileiros estão no vermelho.

O indicador, que busca medir o uso das principais modalidades de crédito pelo consumidor, atingiu de 32,4 pontos em agosto ante 30,8 pontos registrados em julho – o indicador varia de zero a 100, sendo que quanto mais próximo de 100, maior o uso das modalidades. “Com o cadastro positivo em operação e a expansão da atuação das fintechs, o mercado de crédito deve entrar em um novo momento, o que permitirá crédito mais abundante na economia, com taxas de juros menores”, explica o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior.

O cartão segue liderando as modalidades de crédito e a dona de casa Patrícia Maciel, 45, não nega recorrer ao ‘dinheiro plástico’, apesar dos juros. “São juros altos, mas procuro evitar atraso. Em agosto comprei mais na última quinzena. Gasto com supermercado e despesas pessoais. É a tentativa de estender dinheiro do mês”, comenta a moradora de Porto Real.

Quase um em cada dois consumidores (47%) possui cartão de crédito. Já 19% afirmaram ter limite disponível de cheque especial, 18% crediário de loja, 16% financiamentos com parcelas a vencer e 14% empréstimos. Após o cartão, a pesquisa mostra que o crediário (11%) e o empréstimo (8%) foram algumas das modalidades de crédito adotada pelo consumidor.

PAGAMENTO EM DIA

No caso do cartão de crédito, a sondagem aponta ainda que 79% pagaram a fatura integralmente, ante 20% que entraram no rotativo em agosto, mês em que os juros da modalidade atingiram 307,2% ao ano. O valor médio da fatura foi de R$ 779,18, sendo que para 32% dos consumidores houve uma alta em relação aos valores de julho, para 41% foi mantido um gasto aproximado e para 23% aconteceu uma redução.

As despesas básicas foram as mais realizadas com cartão de crédito: 67% dos entrevistados citaram compra de alimentos e 49% gastos com remédios. Também foram mencionados gastos com aquisição de roupas e calçados (41%), combustível (40%) e ida a bares e restaurantes (33%). Outro destaque é o crescimento das assinaturas de serviços, como streaming e revistas, que passou de 15% em janeiro para 28% em agosto.

CRÉDITO NEGADO

Mesmo com esse avanço, a sondagem constatou uma certa dificuldade na obtenção de crédito. Entre os consumidores ouvidos, 14% tiveram crédito negado em agosto, principalmente por estarem com nome nos cadastros de devedores (4%) ou por falta de comprovação de renda (3%). Por outro lado, 3% não foram informados sobre o motivo da recusa e, portanto, não souberam declarar qual o motivo. O lavador de veículos, Roberto da Silva, de Resende, lamenta a falta de sorte nas solicitações de crédito. “No meu caso sei que tive algumas pendências passadas, sanei, mas acho que o sistema me persegue e negam tudo que tento obter com crédito. Tentei fazer um empréstimo pessoal e não consegui. A intenção de ter R$ 5 mil para finalizar umas contas segue e até dezembro ainda vou insistir”, conta o morador de Itatiaia.

A dificuldade em obter crédito é reafirmada por outros números constatados pelo levantamento. Para a maioria dos entrevistados, o financiamento é uma modalidade difícil de obter aprovação (60%). A busca por um empréstimo vem na sequência, com 53% das menções; ao passo que 36% avaliam como complicado conseguir um cartão de crédito. Já no caso das compras no crediário, 35% classificam como difícil a sua contratação.

 

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