Câncer de mama: qual a importância do diagnóstico precoce?

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Mais comum entre as mulheres, o câncer de mama responde por cerca de 30% dos tumores registrados a cada ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca). Apesar da pouca divulgação, o tipo também afeta os homens, representando apenas 1% do total de diagnósticos.
A ginecologista e obstetra Mariana Gonçalves Xavier ressalta que a principal arma contra a doença é o diagnostico precoce. “Quanto mais cedo, maiores as chances de cura, a sobrevida e a qualidade de vida do paciente, além de mais favoráveis à relação efetividade/custo”, explica.
De acordo com a profissional, o objetivo é a detecção de lesões pré-cancerígenas ou do câncer quando ainda localizado no órgão de origem, sem invasão de tecidos vizinhos ou outras estruturas. Ela destaca que a principal diferença, em relação à descoberta tardia, é o tratamento. “Quando descoberto no início, o tratamento pode ser mais brando, apenas cirúrgico, sem a necessidade de sessões de quimio e radioterapia, além de a paciente ter chance de conseguir controlar a doença, com maior chance de cura, aponta a médica. “A importância de se realizar os exames periódicos é que o câncer de mama, em seu início, é assintomático. Ele vem silencioso, sem dor e só vamos descobri-lo em sua fase inicial através dos exames”, explica.
A ginecologista informa que o câncer de mama é mais comum a partir dos 40 anos de idade. “O autoexame ainda é o exame mais indicada nas pacientes desta idade, a partir dela, a mamografia é indicada. Na presença de qualquer módulo palpável na mama procurar um médico”.
Mariana acrescenta que o diagnóstico final é feito através de biópsia do nódulo, mas no autoexame a mulher pode palpar o nódulo e prosseguir com investigação. “A mamografia e a ultrassonografia mamária são exames realizados de rotina para investigação do câncer de mama, no diagnóstico tardio, pode ser necessário cirurgias maiores, mutilantes, com necessidade de quimioterapia mais intensa e tóxica e radioterapias, podendo gerar mais sequelas, sofrimentos e pior qualidade de vida, ou até nem adiantar mais a cirurgia, pois a doença já não oferece mais a chance de cura, apenas de controle”, complementa.
Conforme Xavier, a principal forma para se descobrir a doença é a prevenção e a busca constante por informação. “A mulher se informando dos riscos que ela corre sobre os principais cânceres na mulher, associado à consulta médica com especialistas, além do acesso e realização de exames para rastreamento e diagnostico precoce”, comenta.
Passo a passo do autoexame
Para fazer o autoexame da mama é necessário seguir três passos principais que incluem fazer observação em frente ao espelho, palpar a mama de pé e repetir a palpação deitada.
O autoexame da mama deve ser feito uma vez por mês, todos os meses, 3 a 5 dias após o aparecimento da menstruação ou em uma data fixa nas mulheres que já não têm menstruação.
Todas as mulheres após os 20 anos, com caso de câncer na família, ou com mais de 40 anos, sem caso de câncer na família, devem realizar o autoexame da mama para prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de mama.
Para fazer corretamente o autoexame da mama é importante fazer a avaliação em frente ao espelho, em pé e deitada, seguindo os seguintes passos:
Como fazer a observação em frente ao espelho

Para se fazer a observação em frente ao espelho deve-se retirar toda a roupa e observar seguindo o seguinte esquema:
1. Primeiro, observar com os braços caídos;
2. Depois, levantar os braços e observar as mamas;
3. Por fim, é aconselhado colocar as mãos apoiadas na bacia, fazendo pressão para observar se existe alguma alteração na superfície da mama.
Durante a observação é importante avaliar o tamanho, forma e cor das mamas, assim como inchaços, abaixamentos, saliências ou rugosidades. Caso existam alterações que não estavam presentes no exame anterior ou existam diferenças entre as mamas é recomendado consultar o ginecologista.
Como fazer a palpação de pé
A palpação de pé deve ser feita durante o banho com o corpo molhado e as mãos ensaboadas. Para isso deve-se:
1. Levantar o braço esquerdo, colocando a mão atrás da cabeça,
2. Palpar cuidadosamente a mama esquerda com a mão direita usando os movimentos da imagem
3. Repetir estes passos para a mama do lado direito.
A palpação deve ser feita com os dedos da mão juntos e esticados em movimentos circulares em toda a mama e de cima para baixo. Depois da palpação da mama, deve-se também pressionar os mamilos suavemente para observar se existe a saída de qualquer líquido.
Como fazer a palpação deitada
Para se fazer a palpação deitada deve-se:
1. Deitar e colocar o braço esquerdo na nuca;
2. Colocar uma almofada ou toalha debaixo do ombro esquerdo para ser mais confortável;
3. Palpar a mama esquerda com a mão direita.
Mamas em risco durante o Pré-Natal
Na Semana Mundial de Aleitamento Materno, um estudo da Sociedade Brasileira de Mastologia apresenta a realidade vivida por diversas mulheres durante a gestação. Boa parcela das grávidas entrevistadas afirmou não terem sido examinadas e também não terem recebido nenhum pedido de exame para as mamas. Para a SBM esses dados representam uma grande preocupação que merece a atenção das autoridades.
De acordo com o mastologista Anastasio Berrettini Jr., membro da SBM e coordenador do estudo, a pesquisa foi realizada em pacientes de 18 cidades da Região Bragantina, que fica a 40 quilômetros de São Paulo, dentro da maternidade com gestantes e mulheres que acabaram de ganhar o bebê. “Além da maioria não ter a mama examinada, apenas 20% receberam orientações sobre a higiene das mamas, o que poderia diminuir as taxas de mastite (inflamação das mamas) durante a amamentação”, afirma o médico.
O Mastologista diz que o estudo também se ateve a esse detalhe. Das que foram examinadas, 85% tiraram as blusas, 81% deitaram na maca e 69% e 95% tiveram as axilas e as mamas, respectivamente examinadas.
No entanto, outro ponto do estudo chamou a atenção do mastologista. Apenas 37, das 255 entrevistadas, receberam orientações sobre aleitamento, algo primordial para as mães. Mulheres que amamentam por um período maior do que seis meses têm menos chances de desenvolver a doença devido à substituição de tecido glandular por gordura nas mamas. Além disso, em caso de desenvolvimento de câncer de mama, a amamentação protege contra os tipos mais agressivos do tumor.
Mariana Xavier acrescenta que muitas das vezes durante o pré natal o médico esquece de examinar as mamas da gestante principalmente quando não tem queixas relacionadas a mama. “Toda gestante que notar alguma alteração na mama deve relatar ao seu médico. Durante a gestação a gestante deve usar hidratante nas mamas para prevenção de estrias, usar sutiã e no final da gestação tomar quinze minutos de sol por dia nos mamilos para evitar fissuras”, completa.
Doze sintomas do câncer de mama
Estes sintomas podem surgir em simultâneo ou isoladamente, e podem ser sintomas de câncer na mama inicial ou já avançado. Além disso, a presença de um algum destes sintomas não significa necessariamente a existência de câncer na mama, mas, deve-se consultar o médico mastologista, pois pode ser um nódulo benigno ou uma inflamação do tecido mamário, que necessita de tratamento.
1. Liberação de líquido pelo mamilo, especialmente sangue;
2. Veias facilmente observáveis e que aumentam de tamanho;
3. Nódulo ou caroço na mama, que está sempre presente e não diminui de tamanho;
4. Vermelhidão, inchaço, calor ou dor na pele da mama;
5. Assimetria entre as duas mamas, como, por exemplo, uma muito maior que a outra;
6. Presença de um sulco na mama, como se fosse um afundamento de uma parte da mama;
7. Alteração na coloração ou forma da aréola;
8. Formação de crostas ou feridas na pele junto do mamilo;
9. Alterações do tamanho ou forma da mama;
10. Coceira frequente na mama ou no mamilo;
11. Inchaço e nódulos frequentes nas ínguas das axilas;
12. Endurecimento da pele da mama, semelhante à casca de laranja.

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