Campanha em Barra Mansa defende mudança de categoria da Floresta da Cicuta

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BARRA MANSA

Um grupo formado por 10 instituições, entre elas a Comissão Ambiental Sul, lançou nesta terça-feira, dia 20, em reunião na Matriz de São Sebastião, uma campanha em defesa do projeto de lei n° 9139/2017 do deputado federal Deley de Oliveira (PTB) que propõe a mudança de categoria e a ampliação da Floresta da Cicuta, que fica situada entre os territórios de Barra Mansa e Volta Redonda, em áreas pertencentes à CSN. Hoje, a unidade de conservação federal é categorizada como Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) e conta com administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Pelo projeto de lei, a Floresta da Cicuta passa da categoria Arie para a categoria Refúgio de Vida Silvestre (Revis) e amplia sua área de preservação de 131 hectares para 695 hectares, permanecendo as atividades de visitação, educação ambiental e pesquisas científicas. De acordo com o engenheiro florestal e analista ambiental do ICMBio, Sandro Alves, essa mudança impactaria em uma maior proteção da fauna e flora das duas cidades, principalmente nas florestas do entorno da Cicuta que segundo ele, ficaram desprotegidas pelo decreto de 1985, que criou a Arie.

“Essa mudança é positiva. A primeira e principal delas é a ampliação da área protegida como unidade de conservação, que passaria a ser quase seis vezes maior, de 131 hectares para 695 hectares, sendo que cada hectare corresponde ao tamanho de cerca de um campo de futebol. Hoje, a Arie Floresta da Cicuta é um refúgio, uma ilha preservada de mata atlântica no meio de áreas de pasto, porque a maior parte de área verde ficou desprotegida, fora da proteção conferida pelo decreto federal de 1985 que criou a Arie Floresta da Cicuta. Além disso, o PL 9139/2017 propõe também englobar na ampliação da unidade de conservação cerca de 90 hectares em Volta Redonda que estão em processo de reflorestamento no entorno da Floresta da Cicuta” disse, reforçando que a mudança não impedirá a continuidade da visitação na unidade e estimulará ainda mais as pesquisas.

Sandro ainda destacou que a mudança de categoria e ampliação da unidade de conservação vai ajudar na recuperação do meio ambiente da região.

“Barra Mansa tem apenas 10% de Mata Atlântica, o que é muito pouco. E são as florestas que amenizam os problemas ambientais que temos com relação à poluição do ar, do solo, das águas. A ampliação da floresta da cicuta é a garantia de que esse cinturão verde, que essas florestas, terão suas funções ambientais garantidas que é a de ajudar a sociedade em torno dela” afirmou.

O deputado Deley disse que a alteração da categoria tem como objetivo proteger e preservar espécies raras da fauna e flora da região Sul Fluminense.

“A necessidade de adequar a categoria de Unidade de Conservação às suas reais e atuais necessidades e objetivos já foi verificada para outras Aries no país. Assim, a questão da adequação de categoria é uma realidade vivenciada pela Floresta da Cicuta. Essa mudança permite o uso sustentável, e, principalmente, pela relevância dos atributos naturais da Floresta da Cicuta, a categoria Refúgio de Vida Silvestre é a mais adequada para a proteção efetiva” justificou Deley.

ÁREA DE RELEVANTE INTERESSE ECOLÓGICO
O analista ambiental enfatizou que a Arie Floresta da Cicuta recebeu ao longo do ano passado um total 565 visitantes e que o ICMBio incentiva a visitação. “A unidade de conservação vem cumprindo plenamente com o seu objetivo de conservação da biodiversidade e hoje é reconhecida, tendo se consolidado como um referencial ambiental, cultural e histórico da região”, disse Sandro, completando: “Qualquer grupo que queira visitar a Arie Floresta da Cicuta é só entrar em contato conosco pelo e-mail: [email protected] e agendar uma visita, que acontece com a presença de nós, técnicos da equipe gestora do ICMBio, que vamos conduzindo e explicando sobre os recursos naturais protegidos pela unidade”.

O projeto de lei foi enviado para apreciação das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania.

Além da Comissão Ambiental Sul, compõem o grupo que defende a PL 9139/2017: a Diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda; a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/Volta Redonda; o Comitê de Bacias Hidrográficas do Médio Paraíba do Sul – CBH/MPS; o Programa de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental da UFF/Volta Redonda; o Programa de Estudo, Manejo e Conservação do Bicho-Preguiça; a Associação Ecológica Vale do Paraíba; a Associação Verde Que Salva; o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação de Volta Redonda – Sepe/VR e o Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda – Senge/VR.

 

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