Caminhoneiros mantém decisão de continuar o movimento

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BARRA MANSA

O presidente Michel Temer, em pronunciamento oficial, autorizou o uso de forças federais para liberar as rodovias bloqueadas pelos caminhoneiros caso as estradas não sejam liberadas pelo movimento. A decisão foi tomada após reunião no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que contou com a participação de ministros e do presidente.

“Quero anunciar um plano de segurança imediato para acionar as forças federais de segurança para desbloquear as estradas e estou solicitando aos governadores que façam o mesmo. Não vamos permitir que a população fique sem os gêneros de primeira necessidade, que os hospitais fiquem sem insumos para salvar vidas e crianças fiquem sem escolas. Quem bloqueia estradas de maneira radical será responsabilizado. O governo tem, como tem sempre, a coragem de dialogar; agora terá coragem de usar sua autoridade em defesa do povo brasileiro”.

O presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga do Sul Fluminense (Sinditac), Francisco Wilde, é categórico. “Não estamos bloqueando pista, o movimento continua, ninguém irá sair. A situação está virando um caos. Ninguém aceitou o acordo de quinta-feira. Nada do que estamos pedindo foi debatido”, destaca.

O caminhoneiro Edvaldo Estevão da Silva gravou com exclusividade um vídeo para o jornal A VOZ DA CIDADE. “Não tem rodovia alguma obstruída. O presidente está querendo obrigar o povo a trabalhar de graça e a força, ninguém mais aguenta essa situação, essa política de preços de Petrobrás é absurda. Em breve, prefeitura alguma terá dinheiro para manter ambulâncias, ao terá condições para pagar o combustível. A paralisação continua, ninguém saiu, ninguém vai sair. Só quero lembrar para as forças de segurança, que aqui tem famílias, tem crianças”, destaca.

“Queremos solucionar o problema, demos nossa pauta. Essa é a mais popular das paralisações que já aconteceram neste país, toda a população nos apoia. Essa noticia de acordo, não tem credibilidade alguma, nós não aceitamos o que foi acordado”, destaca Manoel Morais Martins.

SOLIDARIEDADE

No KM 269 da Via Dutra, há uma tenda montada para receber e doar donativos. “A população vem, trazem lanches, alimentação, bebidas, agasalhos, cobertores. Tudo está na tenda, para que todos aqui sejam beneficiados. Eu sou de Porto Seguro (BA) e estou contente com toda essa situação, nunca achei que fosse ter essa receptividade. As cargas perecíveis também estão sendo doadas. Ontem mesmo, doamos algumas coisas, inclusive leite, para um asilo de Barra Mansa”, afirma o caminhoneiro Clei Magalhães.

No local, há cerca de 500 caminhoneiros como explica o caminhoneiro Luiz Cláudio Silveira. “Chegou para nós que há pessoas entrando em ônibus, principalmente os que fazem rota na Dutra, que nós estamos pedindo dinheiro. Não estamos, quero deixar claro isso, são pessoas oportunistas se beneficiando em cima da nossa luta”, declara o caminhoneiro.

A professora Alessandra Rios, é uma das que ajuda os caminhoneiros. “Trago lanche, água, faço café. É uma luta de todos, não só deles. Todos nós somos prejudicados com esse absurdo de preço do combustível, como população, e pessoas que também sofrem com isso, precisamos apoiar e ajudar”, informa.

Um produtor rural também foi até o movimento e doou frutas e verduras aos caminhoneiros. “Aceitamos tudo, mas o que está sobrando, enviamos para a igreja e ela distribui a quem necessita”, destaca o caminhoneiro, Paulo Roberto Oliveira.

REINVINDICAÇÕES

Os manifestantes reivindicam 90% do frete do CTE da Transportadora para o autônomo, tendo em vista o Projeto de Lei 528/2016; Redução do preço dos combustíveis em geral em 50%; Proibir a cobrança do pedágio do eixo suspenso em todas as rodovias (Estadual e Federal); Fim das restrições da ponte Rio-Niterói e serra de Petrópolis, pois a passagem pelo Arco Metropolitano e Magé aumenta o custo e o risco do transporte pela falta de segurança do Estado; Fim da multa de evasão de balança no valor de R$ 5 mil da ANTT; Combate à corrupção na balança; Que a ANTT cumpra o seu papel de reguladora nos meios de transporte.

 

Ainda tem ônibus

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SindPass) informa que este fim de semana ainda tem ônibus. “Estamos reduzindo cada vez mais os horários para que os coletivos circulem por mais tempo. Há previsão de circular até segunda”.

Além disso, Paulo destaca que a normalização não se resolve rápido. “Os postos de combustíveis estão vazios, até eles se reabastecerem demora algum tempo. O restante dos veículos vem depois”, citou.

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