Barra-mansenses que vivem na Itália aconselham brasileiros a continuarem de quarentena 

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BARRA MANSA/ITÁLIA

Pessoas que vivem na Itália falaram ao A VOZ DA CIDADE nesta quarta-feira, dia 25, sobre a gravidade do coronavírus e afirmaram que a quarentena é necessária. Na noite da última terça-feira, dia 24, o presidente da república, Jair Bolsonaro, realizou um pronunciamento sobre a Covid-19 que repercutiu de forma negativa a muitas pessoas. Na fala, veiculada em rede nacional, o presidente chamou a doença de ‘resfriadinho’, contrariando especialistas ao pedir o fim do confinamento.

A barra-mansense Amanda Carvalho Gama, de 37 anos, mora em Milão há dois anos e seis meses. De acordo com ela, quando o vírus chegou ao país, a maior preocupação era com a economia. “Eles fizeram um clipe da cidade, dizendo que ‘Milano non se ferma’ (Milão não para). “Logo depois eles mudaram de opinião”, relatou.

Ela ainda explicou que já se sabe que quanto mais idosos o país tem, maiores os riscos, mas existem exceções. “Posso citar vários exemplos, mas o mais importante é valorizar a vida. Não apenas a minha que estou fora da do grupo de risco, mas de todos”, disse, aconselhando os brasileiros a continuarem de quarentena. “Se o Brasil continuar, pode realmente se evitar um desastre maior. Peguem nosso exemplo, não é necessário pagar para ver”, afirmou.

O secretário de Ordem Pública de Barra Mansa, Luiz Furlani, publicou em suas redes sociais o depoimento de uma barra-mansense, que também está morando em Milão. No vídeo, ela diz que a princípio, tanto a população, quanto o governo, também não acreditaram no coronavírus até que as mortes aumentaram. “Nosso governo também não acreditou, pensaram que não haveria repercussão e que seria algo passageiro”, disse, acrescentando que a decisão de fechar tudo demorou e atualmente, caso a pessoa saia de casa sem justificativa, a multa pode chegar a três mil euros. “Sei que o governo disse para voltar a vida normal, mas não voltem, porque é muito sério e é muito triste a situação que estamos vivendo”, alertou.

ITALIANA OPINA

Para a italiana Maria Luisa Candellieri, de 30 anos, moradora de Torino, quem puder ficar em casa, deve manter a quarentena. Segundo ela, que trabalha com odontologia, o vírus passa de superfície para pessoa. “Há uma estimativa aqui, de que casa pessoa sintomática, passou o vírus para 10 pessoas assintomáticas, por conta do vírus se passar pela superfície. Eu que trabalho na área de odontologia, sei que não posso mexer na gaveta com a luva com a qual estou atendendo o paciente, porque é perigoso”, disse, aconselhando os brasileiros a não seguirem o pronunciamento presidencial e se manterem em suas residências tomando todas as precauções recomendadas pelo Organização Mundial da Saúde.

REPERCUSSÃO ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A Sociedade Brasileira de Infectologia disse estar preocupada com a fala do presidente, e considerou que as declarações podem dar a falsa impressão de que as medidas de contenção social são inadequadas. Quem também se manifestou foi a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, que considerou intolerável e irresponsável o discurso de Bolsonaro, chamando o ato de “discurso da morte”. Já a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia expressou o que é “extremamente prejudicial” qualquer medida que enfraqueça o isolamento da população.

A Associação Paulista de Medicina também se pronunciou, afirmando que se a intenção do presidente era acalmar a população, o objetivo não foi alcançado. “Você não traz esperança minimizando o problema, mas reforçando as soluções”, informou.

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