Barra Mansa tem 76 pacientes na fila para transplantes de rins

Cidade foi a primeira no interior do Estado do Rio a realizar o procedimento, que aconteceu na noite de domingo, dia 4, na Santa Casa

Por Carol Macedo
08 05 2025 coletiva de imprensa 1º transplante de rim de barra mansa 13 foto iam martins

BARRA MANSA
O prefeito de Barra Mansa, Luiz Furlani, reuniu, nesta quinta-feira, dia 8, em seu gabinete, o secretário de Saúde, Sérgio Gomes, e a equipe médica responsável pelo transplante de rim realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Santa Casa, no último domingo, dia 4. A coletiva de imprensa teve como objetivo apresentar detalhes sobre o procedimento — o primeiro realizado no interior do Estado — e destacar os avanços do município nessa área. Barra Mansa já se considera um polo de atendimento para pacientes de cerca de 30 cidades. Atualmente, o município conta com 76 pessoas na fila de espera por transplantes renais.

A paciente operada no último domingo, segundo a equipe médica, está se recuperando bem. Ela é moradora de Angra dos Reis, recebeu o órgão de um doador da Região dos Lagos e optou por utilizar a estrutura da Santa Casa para a realização do procedimento. Estiveram presentes na coletiva a nefrologista Carolina Fernandes de Oliveira, coordenadora do Programa de Transplante Renal; o médico Marco Antonio Manarino, coordenador cardiovascular e diretor técnico da Santa Casa; e o cirurgião vascular Matheus Manarino, responsável pelo programa.

Na ocasião, o secretário de Saúde fez um breve resumo sobre a implantação do programa no município e adiantou que, até o final do ano, além dos transplantes de córnea — já realizados há cinco anos — e de rins, Barra Mansa também estará credenciada para transplante de medula. “Há uns anos, quando a cidade iniciou o investimento em complexidade, nós também começamos a pensar já em transplante. Fizemos o primeiro, segundo, terceiro e estamos avançando porque nós tivemos uma estrutura, dentro da Santa Casa, inclusive temos o maior serviço cardiovascular do Estado, que permitiu que isso tudo acontecesse”, destacou o secretário.

A coordenadora do Programa de Transplante Renal explicou que atualmente o serviço da Santa Casa já tem 76 pacientes registrados e uma equipe preparada para atendê-los a qualquer momento, assim que surgir uma nova oportunidade de doação. Trata-se de uma equipe multidisciplinar composta por enfermeira, assistente social, vascular, biologista e nefrologista, prontos para receber pacientes renais crônicos de toda a região e do Estado do Rio de Janeiro. “O fluxo para convocação do transplante do órgão falecido depende muito de doação mundial. Então quanto maior a doação é maior a possibilidade que a gente tem, a qualquer momento, de um novo transplante aqui. Isso, infelizmente, eu não tenho como prever, mas acredito eu que quanto mais lista, quanto mais receptores, quanto mais doadores, nós teremos vários transplantes aqui até o final do ano”, disse a médica.

Ainda segunda ela, um ponto importante também é que em toda a região, desde Angra dos Reis até Três Rios, englobando 30 cidades do interior, os pacientes eram obrigados a escolher entre o Rio de Janeiro São Paulo ou Minas Gerais. Com o polo de Barra Mansa a captação acontece de forma muito mais perto e acolhedora.

Trabalho de “formiguinha”
Segundo Ana Carolina, após um esforço intenso da Organização de Procura de Órgãos da Santa Casa, foi possível aumentar o número de doações na região. No entanto, ela classifica como um “trabalho de formiguinha” a conscientização necessária para que mais pessoas se tornem doadoras voluntárias. “Nesse momento a gente ainda não tem uma doação tão efetiva quanto nós esperaríamos. O maior desafio hoje é o aceite da família quanto à doação e isso tem que ser algo a ser acertado mesmo e muito mesmo influenciado pela educação, pela conscientização, porque se a gente não tiver doação a gente não tem transplante. Infelizmente precisamos que alguém faleça para alguém viver, né?”, ressaltou.

De acordo com o médico Marco Antonio Manarino, atualmente a Santa Casa é responsável por todos os procedimentos de acesso para hemodiálise de pacientes da região, além de pessoas vindas do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. “Há mais de 20 anos a gente faz tudo aqui na Santa Casa da região inteira. Só de Resende são 13 clínicas que drenam os pacientes pra gente fazer os acessos. Então assim, o transplante vai ser um facilitador, que na verdade, é a única maneira que a gente tem pra curar”, disse o médico.

O prefeito Luiz Furlani destacou a importância de reforçar campanhas de conscientização sobre a doação voluntária de órgãos. “Barra Mansa já tem toda a estrutura e agora com esse marco histórico, que foi a realização do primeiro transplante renal na nossa Santa Casa, que é um hospital conhecido aqui na região, um hospital de grande respeito também junto ao Governo do Estado, a gente vai dar visibilidade e avançar na divulgação. E, principalmente, com foco em quebrar tabus com relação ao tema doação de órgãos, já que muitas das vezes as pessoas têm a intenção de ser um doador e não deixa isso claro aos familiares. É muito importante potencializar essas informações e assim nós faremos”, concluiu o prefeito.

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