BARRA DO PIRAÍ
O dia 21 de janeiro marca o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, uma data dedicada à promoção do respeito à diversidade de crenças e à liberdade religiosa. Em referência a esses ideais, a Prefeitura de Barra do Piraí, por meio da Secretaria de Comunicação Social, lançou uma campanha em suas redes sociais, reunindo líderes religiosos de diferentes crenças e reforçando a importância do diálogo, do respeito mútuo e da tolerância religiosa no município.
Para a representante das religiões de matriz africana, Juliana Dunlop, da Associação Centro Espírita Sete Orixás, o dia 21 de janeiro simboliza resistência, memória e compromisso.
“Essa é uma data que nos convoca a lembrar que a liberdade religiosa é um direito constitucional, mas ainda diariamente violado, especialmente contra os povos de terreiro. Não é apenas um dia de reflexão, é um chamado à ação, ao respeito e à reparação histórica. Falar do 21 é denunciar a intolerância, mas também afirmar que nossa fé, cultura e ancestralidade seguem vivas, organizadas e em constante movimento”, disse Juliana.
O presidente do Conselho Municipal dos Pastores, Wendel Bueno, do Ministério Vida Plena, destacou que combater qualquer tipo de intolerância é algo de grande valor, principalmente a intolerância religiosa.
“Sou evangélico há 26 anos e, hoje, menos atuante, mas sempre foi perceptível, em alguns ambientes, um certo ar de deboche quando eu falava sobre minha religião. Imagino que membros de outras religiões passem pela mesma situação ou até enfrentem um preconceito ainda mais acirrado em alguns casos. Minha opinião sincera é que o respeito que eu espero é o mesmo que devo oferecer. Por isso, independentemente da opinião que tenhamos sobre a fé alheia, o respeito pelo próximo deve sempre vir em primeiro lugar”, declarou.
Segundo o padre Iago Almeida, da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Morro da Caixa D’Água, a fé nasce do amor e do respeito ao próximo. “Quando alguém é atacado por crer, toda a sociedade perde. Nenhuma fé pode ser motivo de preconceito ou violência. A fé ensina a amar, acolher e respeitar. Quando existe intolerância, existe dor. Quando existe respeito, existe paz.”
A coordenadora da Igualdade Racial de Barra do Piraí, Cristianne Silva, ressaltou a importância e o dever de todos no combate a qualquer forma de discriminação, preconceito, racismo religioso ou violência.
“A intolerância religiosa fere direitos fundamentais e atinge diretamente a dignidade humana. É dever de todos, poder público, instituições e sociedade civil, combater qualquer forma de discriminação, preconceito, racismo religioso ou violência. A liberdade religiosa é um direito garantido, e respeitá-la é essencial para a convivência democrática, plural e justa. Promover o diálogo, o respeito e a convivência entre diferentes crenças é um compromisso coletivo com a paz e com os direitos humanos”, finalizou.