Audiência pública debate prática de ‘homicídio ativo’ na Câmara dos Deputados

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BRASÍLIA

O deputado federal Antonio Furtado (PSL), juntamente com o parlamentar Emanuel Pinheiro (PTB/MT), solicitou a realização da audiência pública para debater o aumento de casos chamados de “homicida ativo”. Esse termo é muito utilizado pela polícia investigativa dos Estados Unidos, o FBI, e serve para caracterizar um ou mais indivíduos ativamente engajados em tentar ou matar pessoas em uma área povoada. Furtado disse que apesar de vista mais facilmente nesse país, com atiradores que invadem escolas e boates, assassinando dezenas de pessoas, a prática tem crescido no Brasil. A audiência foi realizada na terça-feira, na Câmara dos Deputados.

De acordo com o deputado federal, foi vista a necessidade da nova legislação e protocolos policiais e civis para situações como a do homicídio ativo. “As pessoas desconhecem essa potencial ameaça crescente no Brasil. Trazer esse debate para a Câmara é proporcionar uma conversa essencial e uma busca por soluções que possam trazer mais segurança para a população”, destacou o deputado federal.

Estudos realizados nos Estados Unidos sobre como lidar com casos dessa proporção foram apresentados pelos participantes durante a audiência. O país americano é considerado referência nos protocolos contra-ataques homicidas ativos. “Infelizmente, podemos perceber que há aumento nesse tipo de crime. Precisamos incentivar a prevenção. Precisamos de uma margem de trabalho para evitar essas situações. Tratar o assunto como se aborda a pauta do suicídio: sem ter uma legislação com proibições, é entendido que não deve ser divulgado pela mídia para não incentivar outros casos. Esses homicidas ativos querem entrar para a história. Precisam que não sejam identificados para não serem referência para outros”, destacou Guilherme Rodrigues de Sousa, agente de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados.

Os participantes defenderam a criação de um plano de protocolo civil. Eles apontaram que isso não é difícil de ser realizado, promovendo um treinamento nas escolas. Assim, alunos e profissionais estariam menos expostos caso um ataque aconteça. Para o agente da Polícia Civil do Distrito Federal, Felipe Teixeira Gabriel, o protocolo ajuda a diminuir a exposição das vítimas.   “Treinamentos para conseguir retardar o lapso temporal do ataque podem dar tempo para a força policial chegar até o local e evitar mortes. São três ações necessárias e que podem salvar vidas: Evitar o encontro com o homicida fugindo do local se souber por onde ele está entrando; bloquear o acesso do criminoso caso não seja possível escapar ou não saiba o local onde ele se encontra; e defender-se do ataque. Essa última ação só deve ser realizada se o confronto acontecer e não houver como fugir. Fingir-se de morto já foi comprovado que não adianta. As atitudes certas podem ser treinadas e ajudar a salvar vidas”, alertou.