Ato em Volta Redonda denuncia escalada da violência contra a mulher na cidade e no país

Manifestação contra o feminicídio reúne centenas de pessoas na Praça Sávio Gama e cobra reação da sociedade e do poder público

Por Tânia Cruz
violência contra a mulher na cidade e no país tania cruz

VOLTA REDONDA
A crescente violência contra as mulheres em Volta Redonda e no Brasil motivou um ato público que reuniu centenas de pessoas na tarde desta terça-feira, dia 27, na Praça Sávio Gama, em frente ao Palácio 17 de Julho, no bairro Aterrado. A mobilização denunciou o avanço dos casos de feminicídio e agressões de gênero, reforçando o pedido por políticas efetivas de proteção às mulheres.
Convocada por representantes de diferentes instituições, a manifestação foi articulada pela secretária municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH), Glória Amorim; pela delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam-VR); por Juliana Montes; pelo bispo diocesano Dom Luiz Henrique; além de lideranças sociais, religiosas e políticas. O objetivo central foi chamar a atenção de toda a população para a gravidade da violência de gênero no município e em todo o país.
De acordo com os organizadores, o ato buscou estimular o engajamento coletivo no enfrentamento de crimes que fazem milhares de vítimas diariamente. A delegada da Deam-VR destacou o caráter simbólico da mobilização, ressaltando que a iniciativa representa uma luta pública pela dignidade das mulheres e um protesto contra o machismo estrutural ainda presente na sociedade. Disse ainda que o Brasil tem registrado um crescimento nos casos de feminicídio e de violência contra a mulher, e é fundamental que a sociedade se una para dizer basta.
VÁRIAS FORMAS DE DENUNCIAR
A delegada lembrou que existem várias formas de denunciar, não apenas de forma presencial e que as mulheres podem buscar ajuda pelo 180, por aplicativos como Maria da Penha e Rede Mulher, além do 190, que deve ser acionado em situações de emergência.
Durante o ato, Glória Amorim enfatizou que a maioria dos casos de feminicídio tem início com violência psicológica, ameaças e agressões físicas, que evoluem para tentativas de homicídio e mortes. A secretária lembrou que a manifestação também teve como foco a recente tentativa de feminicídio registrada em Volta Redonda contra a auxiliar administrativa Daiane Menezes dos Santos Reis, de 36 anos.
A vítima permanece internada em estado grave no Hospital São João Batista (HSJB) desde a noite do último dia 21, quando foi atingida por quatro disparos de arma de fogo no bairro Vila Americana. Ela foi ferida no braço, no tórax e no abdômen durante uma discussão com o ex-companheiro, um policial militar de 39 anos, lotado no 23º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo. O ataque ocorreu na presença de dois filhos menores, e câmeras de segurança registraram os disparos e os gritos no local.
Glória Amorim ressaltou que o caso evidencia falhas profundas na proteção da vida das mulheres e no enfrentamento da violência doméstica e de gênero. Para a secretária, a indignação pública é necessária para romper com o silêncio, a indiferença e a naturalização da violência, que também contribuem para a perpetuação dos crimes.
VIOLÊNCIA NÃO PODE SER ACEITA COMO PARTE DA VIDA
O padre Juarez Sampaio participou da mobilização e reforçou que a violência não pode ser aceita como parte da vida, especialmente das mulheres. Segundo ele, o aumento dos crimes tem levado a sociedade a se unir para exigir um basta definitivo. Ao final do ato, o religioso convidou os presentes a erguerem as mãos em direção ao Hospital São João Batista, em um gesto coletivo de solidariedade à vítima internada.
O suspeito do ataque fugiu após os disparos, mas foi localizado horas depois em uma ação conjunta das polícias militares do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, na BR-393, na altura do distrito de Jamapará, em Sapucaia. Com ele, foram apreendidos uma pistola calibre .40 de uso institucional, onze munições intactas, um carregador e o veículo utilizado na fuga.
Familiares e amigos da vítima, assim como parentes de outras mulheres atingidas pela violência, participaram do protesto cobrando punição aos responsáveis e ações mais efetivas das autoridades.
A exemplo de outros, a cunhada da vítima recente, Bionda Vigorito,, cobrou das autoridades justiça e questionou a liberação do agressor, que já havia sido preso por descumprir uma medida protetiva. “O sentimento é de revolta e de busca por justiça”, declarou a cunhada, ressaltando que, mesmo com medida protetiva, o agressor, que já havia sido preso por descumpri-la, foi liberado com porte de arma, queremos respostas sobre isso. “Estamos aqui para que isso não se repita e para que as mulheres não precisem viver com medo”, completou, lembrando que a família está abalada, mas seguindo confiante e lutando para que isso não se repita e para que as mulheres não precisem viver com medo. O ato também contou com a presença de vereadores, secretários municipais, deputados estaduais e representantes de entidades sociais e sindicais.

 

você pode gostar

Deixe um comentário

Endereço: Rua Michel Wardini, nº 100

Centro Barra Mansa / RJ. CEP: 27330-100

Telefone: (24) 9 9974-0101

Edição Digital

Mulher

Últimas notícias

Expediente         Política de privacidade        Pautas e Denúncias        Fale Conosco  

 

Jornal A Voz da Cidade. Todos direitos reservados.

Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda com o uso de cookies. Aceitar todos