Luciano Pançardes
Editor-Chefe
Foi lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) um forte apelo para que as autoridades de Israel retirem a ordem de evacuação para que a população deixe a área da palestina de Wadi Gaza e se desloque para o sul da Faixa de Gaza. Segundo um porta-voz do secretário-geral em Nova Iorque, a revogação impediria que a atual tragédia se tornasse uma situação calamitosa.
Na quarta-feira, as autoridades israelenses fizeram o anúncio que, segundo a ONU, afetaria mais de 1 milhão de palestinos, incluindo crianças, idosos e doentes.
A situação forçaria um deslocamento “com pouco ou nenhum transporte” quando faltam garantias de segurança com a continuação dos confrontos. Para a ONU, seria “impossível” que o movimento acontecesse sem “consequências humanitárias arrasadoras.”
Sobre a provável situação de deslocamento, a Agência da ONU para Refugiados Palestinos, Unrwa, pediu que seja reforçada a proteção dos civis em toda a Faixa de Gaza.
A entidade pediu às partes com influência sobre os envolvidos no conflito que “acabem com a situação e permitam um acesso humanitário imediato, incondicional e desimpedido aos civis, incluindo várias mulheres e crianças”.
Tendo em conta os fortes bombardeios na aérea superpovoada da Faixa de Gaza, a previsão é que a miséria chegue a níveis históricos e a situação “empurrará ainda mais a população de Gaza para o abismo”, afirmou a agência.
Mais de 423 mil pessoas já foram deslocadas desde 7 de outubro. Destas, mais de 270 mil buscaram abrigo em locais geridos pela Unrwa onde recebem alimentos básicos, medicamentos e apoio.
Para o comissário-geral da Unrwa, Philippe Lazzarini, a dimensão e a velocidade da crise humanitária em curso são assustadoras. Para ele, a Faixa de Gaza está “a tornar-se rapidamente num inferno e está à beira do colapso”.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu mais insistência e auxílio aos países junto das partes em conflito para que se implemente imediatamente um corredor humanitário para o acesso seguro e desimpedido da ajuda.
FERIDOS
O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, destaca haver várias centenas de crianças mortas e feridas e que os números aumentam a cada hora em Gaza.
A agência pede o fim da morte de menores destacando casos de “crianças com queimaduras horríveis, ferimentos de morteiro e membros perdidos”.
A agência estima que o grupo seja metade das 1,1 milhão de pessoas afetadas pela ordem de evacuação diante da iminência do “ataque terrestre a um dos locais mais densamente povoados do planeta, mas sem nenhum lugar seguro para os civis.”
A Organização Mundial da Saúde, OMS, apontou a falta de locais seguros para abrigar civis dos ataques aéreos em curso. A agência citou relatos do Ministério da Saúde palestino de que é impossível evacuar pacientes vulneráveis do norte de Gaza.
Nessas instalações, as maiores dificuldades incluem a falta de camas, a superlotação dos locais cirúrgicos e o grande número de feridos em situação de fragilidade.