Alunos de escola pública de Barra Mansa experimentam atividades físicas de inclusão

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Imagine perder a visão por alguns minutos, caminhar por lugares sem enxergar nada, apenas com o auxílio de um condutor. Foi esse desafio que alunos da Escola Municipal Damião Medeiros, no Paraíso de Baixo, em Barra Mansa, viveram durante os últimos dias, quando se comemorou a Semana de Conscientização dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Mas, essas atividades não ficaram restritas apenas à data especial. Nas aulas de Educação Física foram incentivadas práticas esportivas adaptadas.

A diretora da unidade, Angélica de Almeida, explicou que a escola possui alguns alunos deficientes físicos e intelectuais, o que despertou na Secretaria de Educação e na direção à importância de promover atividades adaptadas para que todos fossem incluídos. “Nós realizamos durante toda a semana diversas atividades experimentais, além de um minicurso de Libras para os alunos e uma palestra realizada por um profissional com deficiência visual. As atividades físicas deram muito certo, por isso estão sendo incentivadas para que aconteçam sempre”, declarou, explicando que os alunos com alguma dificuldade de aprendizagem são acompanhados no contraturno por profissionais do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (Cemae) que atende cerca de 600 alunos.

Segundo a professora de Educação Física, Fabiana Marquinis, o objetivo principal é que os alunos que não possuem deficiência experimentem através dessas atividades quais os desafios e dificuldades encontradas, destacando a necessidade de inclusão dos alunos especiais. “O esporte é democrático e aceita todos os tipos de pessoas e, é isso que queremos mostrar. Sem falar que a iniciativa promove a empatia nos alunos, ou seja, a capacidade de compreender a dor do outro, importante para a formação cidadã dos alunos”, comentou a professora.

Partidas de vôlei e handebol, com os jogadores sentados, foram algumas das atividades estimuladas pela professora. Ela ressalta que adaptar esses esportes às necessidades especiais estimula novas habilidades nos alunos. “É um desafio e tanto, porque quando eles brincam com esses esportes, sentem que precisam utilizar outras ferramentas, como uma visão periférica, se movimentar sem o uso das pernas, aumentar a elasticidade para alcançar a bola e muitos outros benefícios”, explicou, afirmando que as atividades são realizadas em todas as turmas e novos esportes serão adaptados, como o futebol de cinco (para cegos).

Alunos aprovaram

O Antônio José Alves, de nove anos, é cadeirante e estuda no 3º ano. Para ele, as atividades de inclusão promovem o respeito, além de integrá-lo ainda mais na turma. “Como eu sou o único cadeirante da turma, os meus amigos me perguntam sobre como faz para jogar e eu ajudo ensinando. Eu brinco com eles da forma comum e eles também jogam de forma adaptada. Meu sonho agora é jogar futebol e basquete”, completou.

Uma das turmas mais animadas na hora de realizar as atividades foi a do 8º ano. Formada em sua maioria por meninos, os alunos se destacaram pela maturidade e facilidade em aprender os novos movimentos. Samuel Martins, de 16 anos, gostou da novidade e disse que ajuda a entender as dificuldades das pessoas com alguma deficiência. “É uma forma de mostrar que o aluno deficiente, apesar das limitações, também tem capacidade de realizar diversas atividades e que nada é impossível”, comentou.

Uma das meninas na turma, Kaylane Vitória, de 13 anos, se surpreendeu com o resultado. “Eu achava que não iria conseguir jogar o vôlei e handebol sentada. Foi muito bom para saber as dificuldades de cada um, dar valor ao que temos e reconhecer que os deficientes também conseguem fazer coisas que nós não conseguimos. É um aprendendo com o outro”, concluiu.

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