ACNUR celebra participação de paratletas refugiados nos Jogos Paralímpicos Tóquio 2020

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GENEBRA/NOVA IORQUE

O Acnur, Agência da ONU para Refugiados, envia seus melhores votos à Equipe Paralímpica de Refugiados antes da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos em Tóquio, nesta terça-feira, 24, às 8 horas (horário de Brasília). A equipe envia uma mensagem de esperança a mais de 82 milhões de pessoas deslocadas forçadamente em todo o mundo, incluindo cerca de 12 milhões de pessoas que vivem com alguma deficiência.

Em uma coletiva de imprensa realizada na madrugada desta 2ª feira-feira, dia 23, a chefe da delegação paralímpica refugiada, Ileana Rodríguez, reforçou a sensibilização do time sobre o tema dos deslocamentos forçados no mundo, em especial sobre o que acontece atualmente no Afeganistão. “É muito triste o que está acontecendo no Afeganistão e nossos corações estão com as pessoas de lá. Estamos representando todas as pessoas do mundo que são refugiadas, então estamos trabalhando muito duro para enviar uma mensagem de esperança e ter certeza de que nosso time faz isso’, afirmou completando. “Estou segura de que esses atletas irão dar tudo o que têm durante esses Jogos para inspirar as pessoas refugiadas e fazer que eles sintam esperança”.

Primeira mulher a competir como refugiada nas Paralimpíadas, Alia Issa comentou sobre sua presença nos Jogos. “Eu nunca acreditei que seria a primeira mulher refugiada paralímpica. É uma honra grande estar neste time. Estou um pouco nervosa sobre isso”, admitiu a síria de 20 anos, que vive na Grécia.

Representando a equipe como porta-bandeira na cerimônia de abertura estão Alia Issa e o nadador afegão Abbas Karimi, que se tornou apoiador de alto nível do Acnur em maio deste ano. A Equipe Paralímpica de Refugiados será a primeira a entrar no Estádio Olímpico do Japão para o desfile dos atletas durante a cerimônia de abertura e competirá sob a bandeira do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês).

Eles integram a primeira delegação oficial de refugiados a participar nos Jogos Paralímpicos, após a inclusão de dois atletas refugiados nos Jogos Rio 2016. A equipe é formada por seis atletas refugiados que atualmente vivem em quatro países de acolhida e competem em cinco modalidades paralímpicas, cujos perfis estão descritos em www.acnur.org.br/timederefugiados. A participação da equipe desafia o estigma e as percepções negativas em relação às pessoas deslocadas, incluindo pessoas com deficiência.

“É com enorme alegria que torço pela Equipe Paralímpica de Refugiados na Cerimônia de Abertura e durante as competições. A presença deles no cenário mundial nestes Jogos marca um momento histórico de representação para mais de 12 milhões de pessoas deslocadas com deficiência em todo o mundo”, afirma o Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi.

“Pessoas com deficiência em situação de deslocamento forçado podem correr um risco elevado de discriminação, violência e exploração. Apesar desses imensos desafios, pessoas refugiadas com deficiência são agentes de mudanças positivas e líderes em suas comunidades, inclusive no esporte. Eles merecem acesso igualitário ao esporte e oportunidades de se destacar. Estarei orgulhosamente torcendo pela Equipe Paralímpica de Refugiados, que inspira o mundo com sua perseverança e talento”, acrescentou Grandi.

O Acnur trabalha com e em prol de pessoas com deficiência em situação de deslocamento forçado para garantir que tenham acesso a serviços essenciais e oportunidades. A Agência tem trabalhado com o IPC desde 2016 para ajudar a proporcionar aos refugiados acesso ao esporte e para garantir um mundo mais inclusivo e igualitário.

O esporte pode ajudar a reduzir o estigma e a discriminação, desafiar suposições sobre o que as pessoas deslocadas com deficiência podem e não podem fazer, garantir a inclusão e empoderá-las. O esporte também ajuda as pessoas deslocadas com deficiência a alcançar um maior bem-estar físico e mental.

“Eu já disse isso e direi novamente: a Equipe Paralímpica de Refugiados é a equipe esportiva mais corajosa do mundo”, disse Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Internacional. “Quando você vê a incrível jornada que esses atletas percorreram até Tóquio, você realmente entende como a mudança pode começar pelo esporte. Em Tóquio 2020, a Equipe Paralímpica de Refugiados representará com orgulho as 12 milhões de pessoas deslocadas com deficiência.”

Junto com o IPC e outros parceiros, o Acnur está liderando um apelo global por um mundo em que todas as pessoas deslocadas forçadamente, incluindo as pessoas com deficiência, possam ter acesso e praticar esportes da mesma forma.

* Silas Avila Jr – Editor Internacional